DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL
UNIDADE 1
Atualmente, a humanidade apresenta forte preocupação com as
questões ambientais. No sentido restrito, utilizamos o termo “ambiente” para
nos referirmos aos aspectos da natureza, como a água, as plantas, os “animais”;
mas consideramos a “sociedade” como algo à parte, como se não houvesse um elo
entre ambos. Qual motivo, porém, para inserimos aspas nos respectivos termos?
Porque somos educados, ou doutrinados, a restringi-los em
seus significados. Quando abordamos a palavra “animais”, em certo ponto,
inferiorizamos as demais espécies por sermos seres pensantes – mas, nisso,
fracassamos. Nós nos consideramos inteligentes; porém, não sabemos respeitar o
meio em que vivemos. Somos definidos como sociais; todavia, negligenciamos o
respeito à opinião, a escolha, ao status social do outro. Nessa direção,
chegamos ao limite: da abundância de recursos naturais, mas também do preconceito,
iniciando uma corrida contra o tempo para equilibrar a balança, e alcançarmos a
harmonia.
Podemos afirmar que a humanidade formou subgrupos.
Diferentemente de outras espécies, na nossa, um subgrupo procura sobressair-se
ao outro, fazendo com que se estruture uma pirâmide social (Figura 1), o que,
em determinados momentos, acarreta discriminação.
No entanto, por qual motivo falamos de ser humano e
sociedade, se a temática é ambiente? Essa pergunta poderá ser respondida com
outra: afinal, somos também ambiente? Se a resposta for positiva, o que nos
levaria a pensar que questões sociais não são discutidas na temática ambiental?
O primeiro exercício necessário é a reflexão de que não existe diferença entre
sociedade e ambiente: ser humano e o seu meio constituem algo mútuo e unitário.
A compreensão é aparentemente simples, mas torna-se complexa ao tentarmos
colocá-la em prática.
Uma reflexão importante é sobre o que nos leva atualmente a
abordar esse discurso socioambiental com afinco. Talvez seja a busca pela
sensibilização social, não se restringindo à conscientização. Sensibilizar a
população às questões socioambientais procura estimular seu engajamento e
trabalho efetivo, com a finalidade de um ambiente de melhor convívio.
Deve-se, por sinal, compreender que a palavra trabalho não
está restrita às relações de emprego, mas a toda e qualquer atividade
socioambiental realizada. Para melhor compreensão, pode-se afirmar que a
produção do conhecimento e o desligamento histórico entre sociedade e ambiente
são formas de trabalho. Dessa forma, o trabalho é o produto dos fenômenos e da
relação entre sociedade e natureza, que procura atingir alguma meta ou
objetivo. Essa finalidade é denominada teleologia.
A concepção de trabalho foi estudada pelo cientista Sergio
Lessa para elaboração da sua tese de doutorado, que resultou no livro Mundo dos
homens: trabalho e ser social. O enredo da obra baseia-se na concepção de
trabalho como processo de complexidade do ser social e no trabalho abstrato
(força produtiva). A abordagem da obra é de cunho filosófico e sociológico, e
convida-nos a conhecer e ampliar a visão sobre o tema (LESSA, 2012).
Nesse enredo filosófico, podemos pensar na relação de
trabalho que temos com o nosso meio e em ambas as questões, físicas e sociais
que o envolvem. Compreender esse relacionamento socioambiental exige
conhecimento de diversas áreas – humanidades, sociais aplicadas, exatas e
saúde. Cada qual traz uma forma de construção de conhecimento – nem sempre
convergente –, e essa contradição, ou contraposição de ideias tem a capacidade
de formar novos conhecimentos. É o que se denomina dialética.
Esse debate de ideias é importante para a formação de
conhecimento, pois o ambiente se constitui na interdisciplinaridade. Dessa
maneira, a implementação do método cartesiano como forma de compreender melhor
os fenômenos que nos rodeiam acarretou alguns problemas: com o formato de
fragmentação do conhecimento, precisamos, agora, unir as diversas ciências,
algo de suma importância para compreendermos o ambientalismo.
Leandro Konder tratou da dialética em sua obra O que é a
dialética, publicada pela primeira vez em 1981. O livro, que faz uma abordagem
estrutural histórica, filosófica e sociológica sobre o tema, traz a seguinte
definição de dialética pelo autor:
O modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de
compreendermos a realidade como essencialmente contraditória e em permanente
transformação
(KONDER, 2008, p. 8).
Antes de iniciarmos este tópico, é importante pensarmos que
o conhecimento é construtivo.
A academia exige constantes reflexões sobre suas teorias,
pois é dela a responsabilidade de formar novos conhecimentos. Como acadêmicos,
devemos lembrar que o conhecimento deve ser por nós construído, e não
simplesmente recebido e reproduzido. Algumas pessoas se perguntam por qual
motivo existe a necessidade de constantes e diferentes formas de leituras –
livros, notas, artigos, comunicações curtas –, e essas questões dúbias são
erradicadas quando entendemos o verdadeiro sentido de sermos acadêmicos.
Neste tópico, serão tratados alguns conceitos e definições
utilizados frequentemente na temática socioambiental. Todavia, é importante
lembrar que eles são passíveis de mudanças, uma vez que a academia é dinâmica e
se encontra em constantes transformações. As práxis implementadas são
responsáveis pelo surgimento de novas formas de visão, já que a prática é
crucial na efetivação do pensamento teórico.
Como abordado, compreende-se como socioambientais (ou
ambientais) as relações existenciais entre sociedade e natureza. É algo
inseparável, que tem como produto o trabalho.
Não há, nessa relação, superioridade ou inferioridade entre
as partes, mas um equilíbrio. Torna-se importante a fixação dessa “balança
equilibrada”, pois durante séculos existiu uma discussão acerca de uma
superioridade entre as partes: ora, a sociedade é responsável pela regência do
seu meio; ora, a gerência ocorre no sentido inverso. Essa discussão de questões
de meio físico e social foi fundamental para o surgimento de determinadas
ciências, como a Geografia.
A ideia de que o meio físico era superior ao homem fez com
que surgisse o conceito de espaço vital, de que o homem necessitava explorar os
recursos para que ocorresse um equilíbrio. Essa forma de pensamento, denominada
determinista, foi elaborada por Friedrich Ratzel e largamente incorporada nas
ideologias de Hitler para o nazismo, sendo esse um dos primeiros relatos
escritos sobre a implementação das questões sociais sobre o ambiente.
MEIO AMBIENTE
Termo usualmente empregado nos estudos voltados às ciências
ambientais. Entretanto, há cientistas que iniciaram uma espécie de desuso,
pois, ao inserirmos a palavra “meio”, estaríamos abordando a metade de algo, e,
devido à interligação existente, não se deve realizar essa inferência.
Por muitos anos, as questões ambientais foram abordadas nos
seus aspectos físicos. Contudo, o papel social tem apresentado uma inserção
gradativa e abrangente na discussão. Por termos sido acostumados (ou até mesmo
doutrinados) a dividirmos o conhecimento para melhor compreensão, esse termo
pode ser usualmente empregado para o estudo das questões físicas ambientais.
Áreas degradadas
Umas das maiores problemáticas ambientais existentes
atualmente é a degradação ambiental. O termo é empregado principalmente para
estudos de solos e ecossistemas.
As atividades humanas, principalmente de industrialização,
agricultura, pecuária, e mineração, destacam-se no desmatamento e
improdutividade do solo, por meio do lançamento de rejeitos, como elementos
químicos tóxicos. Ao dizermos que uma área é degradada, ocorre uma referência
àquelas que se encontram altamente poluídas e requerem regeneração, a partir de
tecnologias sustentáveis para melhoramento de solos, afluentes e
reflorestamento.
No meio acadêmico, pesquisas voltadas à recuperação dessas
áreas são constantes. O avanço nas ciências dos materiais possibilitou a
aplicação de nanopartículas, hidrogéis e estruturas poliméricas que auxiliam,
com sucesso, a recuperação de solos e rios.
Atualmente, empresas propõem o financiamento de pesquisas ou
compra de patentes para solucionar tais problemas, o que implica na inserção de
uma série de profissionais, como engenheiros, físicos, químicos,
administradores, biólogos e afins.
Desertificação
A desertificação adentra os temas globais em discussão na
Organizações das Nações Unidas (ONU).
A utilização de recursos naturais de forma inapropriada,
somada às mudanças climáticas e aspectos físicos naturais, ocasiona uma
degradação de tal forma que torna impossível a regeneração dos locais
explorados, fazendo surgir áreas áridas e semiáridas.
Esse debate foi iniciado devido a problemas existentes no
continente africano, alvo de grandes preocupações. Por envolver aspectos de
auxílio financeiro, países como os Estados Unidos entraram na “corrida”, com o
intuito de adquirir lucros, contestando a existência de áreas em processo de
desertificação em seu território. No entanto, atualmente existe um mapeamento e
acompanhamento dos países com tendências ao processo de desertificação, que
podem ser encontrados nas Américas, África e Europa.
No Brasil, as áreas susceptíveis à desertificação são
encontradas na Região Nordeste. Um dos núcleos de estudos é o município de
Cabrobó, Pernambuco, que se encontra em processo avançado (Figura 3). A
utilização das técnicas de agricultura por inundação, associada à topografia do
terreno e alta evapotranspiração devido às condições climáticas, ocasionou a
formação de extensas camadas de sais no solo, tornando-o improdutivo e causando
abandono das áreas. As pesquisas estão concentradas nos aspectos de impactos
socioambientais, bem como na tentativa de mitigar o problema.
As problemáticas não se restringem aos aspectos físicos,
pois os fatores sociais são duramente afetados. Ao tornar o solo improdutivo,
ocorre um impacto direto na produção de alimentos, bem como o abandono dos
locais pelos moradores. Nesse processo, há uma queda na arrecadação econômica.
Sendo a região responsável por produzir alimentos para outros municípios,
estados e afins, o processo ocasionará desabastecimento e prejudicará milhares
de famílias. Fatores como esses ressaltam a preocupação das entidades
governamentais sobre o tema.
Efluentes
Umas das temáticas mais trabalhadas pelas empresas no setor
ambiental são os efluentes. A água é um bem precioso, utilizado
corriqueiramente em nossas atividades do cotidiano. O processo de “chegada,
recebimento” da água é denominado afluente; e a “saída”, denominada efluente.
Devido à mistura com outros compostos, orgânicos e
inorgânicos, como gorduras, pesticidas, metais e afins, os efluentes
tornaram-se uma temática de grande discussão, pois o destino, em sua maioria,
são os rios. Ao serem lançados em aquíferos, um dos principais problemas é a
carga microbiana existente no material, que ocasiona sequestro de oxigênio e
impede o desenvolvimento e manutenção da vida aquática.
Os metais são outro exemplo de grandes preocupações, devido
à capacidade de se acumular nos organismos. Os acúmulos podem acontecer em
seres humanos, por meio da ingestão, acarretando sérios problemas de saúde.]
Atualmente, há empreendimentos com estações de tratamento e
monitoramento constante, por meio de análises químicas que atendem às
legislações ambientais.
Pesquisas nessa temática registram grandes avanços,
principalmente pela aplicação de carvões ativados como adsorventes. Outros
buscam a utilização de organismos vivos, como plantas aquáticas, para
realização de tratamentos. O propósito, porém, vai além do tratamento, e busca
a reutilização para fins de serviços gerais ou alguma etapa de processo
produtivo. No Brasil, a importância do tema reflete-se na construção de linhas
de pesquisas em cursos de mestrado e doutorado, que se propõem a estudar o
problema e buscar soluções.
Bioenergia
As preocupações do petróleo e carvão mineral como bens
finitos acarretaram mudanças energéticas globais. A busca por fontes
alternativas de energia tornou-se crescente, a fim de evitar um colapso
energético futuro.
Não somente a falta, mas também a intenção dos países em
melhorar suas condições ambientais proporcionaram o avanço de pesquisas e
implementação de fontes limpas e renováveis.
A bioenergia é compreendida como aquela que acarreta menores
níveis de impactos ambientais, composta por fontes sustentáveis.
Matérias-primas como biomassa, sol, vento, são consideradas formas de energia
limpa (Figura 4).
É de suma importância saber que qualquer forma de energia
trará algum nível de impacto: o que se diferencia é o grau implicado.
Petróleo e carvão mineral, além de considerados bens
finitos, emitem particulados e compostos orgânicos quando em combustão, como os
hidrocarbonetos polissacarídeos aromáticos, altamente prejudiciais à saúde.
Estudos apontam positividade em sua substituição por outras fontes, mais
sustentáveis, com tendência mundialmente crescente; porém, são necessárias uma
constante atenção e acompanhamento.
A utilização de biomassa pode ocasionar uma competição entre
produção de energia e alimentos. Entre as matérias-primas utilizadas, os óleos
derivados da soja e do milho são os principais, mas são eles também fontes
nutricionais importantes.
Pesquisas que procuram avaliar os impactos ambientais da
energia solar e eólica apontaram dois sérios problemas: elevação da morte de
animais, principalmente de aves, e erosão. A devastação de áreas para
implementação desses modais energéticos também é outra problemática.
Compreender tais problemas é importante para entendermos que, mesmo em se
tratando de uma energia sustentável, há alguma forma de impacto.
Economia verde
Devido às preocupações com as questões ambientais, as
empresas iniciaram um processo de mudança e implementaram tecnologias em seu
processo de trabalho para proporcionar menos impactos ao ambiente.
Seu propósito sustenta-se em menores emissões de poluentes,
bem como na criação de produtos biodegradáveis. Esse novo formato produtivo é
denominado de economia verde e tem demonstrado adesão crescente por parte de
empreendimentos do setor público e privado. Essa adesão não se encontra
restrita à diminuição de impactos ambientais, mas também abrange mais
lucratividade, com diminuição de custos.
Essa nova visão econômica encontra-se presente em grandes
debates e participa da agenda da ONU. Os empreendimentos estão gradativamente
reestruturando suas linhas produtivas e investindo em tecnologias sustentáveis.
Já os setores públicos têm uma tendência em incentivar essa transição,
principalmente para atingir as metas propostas em acordos de cooperação sobre
diminuições da poluição ambiental. São mudanças que devem atingir de forma
positiva a sociedade, possibilitando e garantindo seu bem-estar, sem ocorrência
de danos.
Padrões de consumo
Vivemos numa sociedade em que somos “forçados” ao constante
consumo, e essa atividade é de suma importância para manutenção econômica. Por
quaisquer produtos utilizados necessitar, em seu processo, de alguma
matéria-prima originada do ambiente, preocupações ambientalistas foram
iniciadas.
O consumismo demasiado poderá ocasionar, em breve, a
escassez de recursos naturais. Daí, o debate visando à mudança. Ao se mencionar
sobre padrões de consumo, estamos nos referindo à forma como a sociedade
adquire e descarta seus bens – roupas, eletrodomésticos, calçados e afins.
O desafio atual encontra-se na sensibilização social para o
consumo consciente, uma atividade de alto grau de dificuldade. Em um meio em
que se aprendeu que o comprar pode ser uma ferramenta de felicidade, ocasionar
uma mudança nessa forma de pensar é complexo.
Contudo, não ocorre a existência de uma alternativa sem ser
por meio de mudança de atitudes – e a realidade atual é a falta de recursos
naturais no futuro, já que a demanda é superior se comparada à oferta. Como
consequência, poderá ocorrer uma queda no bem-estar da população, assim como a
falta de atendimento para questões básicas e essenciais de manutenção diária.
Mudanças climáticas
Para compreensão desse tema, uma primeira definição precisa
ser esclarecida, que é a diferença entre clima e tempo. O tempo é algo mutável
– um dia poderá ser de sol, e o outro é de chuva. Já o clima é uma observação
das modificações do tempo numa faixa mínima de 30 anos.
Quando falamos de mudanças climáticas, a referência é uma
grande modificação no clima em escala regional ou global. Essa mudança pode
apresentar sérios riscos à qualidade de vida da população. Áreas de climas
frios, por exemplo, podem apresentar constante aquecimento.
As constantes emissões de poluentes são as principais
causadoras da problemática, uma vez que podem provocar reações com o ozônio
atmosférico e ocasionar aumento na destruição de filtragem dos raios
ultravioletas. Esse processo é denominado aquecimento global.
Ocorrem grandes discussões na comunidade acadêmica sobre
essa temática. Alguns estudiosos afirmam que a Terra se encontra em um processo
de aquecimento natural, com tendências futuras de ocorrer um resfriamento, já
que, no contexto histórico de formação do planeta, existem evidências de
processos de glaciação e deglaciação.
Entretanto, a maior quantidade de pesquisas aponta que os
impactos ocasionados ao ambiente, principalmente pela emissão de gases tóxicos
no ar, são os principais responsáveis por esse processo atualmente.
Desenvolvimento sustentável
Entende-se por desenvolvimento sustentável o emprego de
tecnologias que ocasionem menores níveis de agressão ao ambiente, como a
diminuição da emissão de poluentes na atmosfera. A terminologia tecnologias
limpas também é usualmente empregada nessa temática.
A substituição dos combustíveis fósseis (petróleo) por
energia de biomassa é considerada uma forma de desenvolvimento sustentável. As
inovações tecnológicas sustentáveis também devem ter um custo acessível, para
beneficiar todas as classes sociais. A questão social também se encontra
inclusa no discurso dessa temática, devido à necessidade de melhorar a
qualidade de vida da população, em uma tentativa de diminuir as desigualdades.
Os limites de recursos naturais devem ser respeitados, e são
necessários altos investimentos em pesquisas que busquem fontes alternativas em
substituição parcial, ou total. Atividades que contribuam para a extinção de
espécies devem ser imediatamente interrompidas e reelaboradas, por poderem
provocar um desequilíbrio no sistema ecológico. Essas novas visões e
perspectivas estão sendo gradativamente postas em práticas, principalmente por
países europeus; entretanto, muito ainda precisa ser realizado.
Preservação e conservação
Esses termos, diferentemente do pensamento comum, têm
significados totalmente opostos. A preservação é designada para áreas com
proteção total, em que não pode ocorrer nenhuma forma de intervenção humana.
Quando se trata de conservação, poderá ocorrer a exploração de forma racional,
não fomentando indícios de qualquer tipo de impacto ao ambiente. O Brasil conta
com legislações que garantem e delimitam áreas preservadas e conservadas, tendo
como punição de descumprimento multas e/ou prisões.
O desrespeito a essas áreas, porém, é uma problemática
existente e difícil de ser erradicada. As fraudes sobre as legislações
ambientais, o descompromisso de empreendimentos, tentativas de subornos e
trabalho exploratório e ilegal, são situações encontradas na exploração de bens
naturais: em muitos casos, as áreas protegidas têm riquezas minerais, como
ouro, ferro, grafeno, estanho e afins, cobiçadas por grandes empresas devido às
diversas aplicações. Uma face esquecida é a riqueza da biodiversidade na fauna
e flora existente nessas áreas, em alguns casos, pouco conhecidas e estudadas.
Pesquisas constantes em áreas protegidas demonstram a
descoberta de novas espécies, bem como melhor compreensão das dinâmicas
ecológicas. Os estudos de base (aqueles que dão margem a outras pesquisas)
apontam que há muito que ser descoberto. São fatores como esses que demonstram
a importância de proteção das respectivas áreas, especialmente em um contexto
em que, em muitos casos, ocorre negligência para atender anseios econômicos.
Ecologia, ecossistemas e biomas
A procura pela compreensão dos aspectos de interrelação dos
seres vivos com seu ambiente é denominado ecologia. Entre seus campos de
pesquisa, busca-se o entendimento dos padrões e diversidades de espécies,
modificações fisiológicas ou genéticas, ciclos biogeoquímicos e afins.
São assuntos de extrema complexidade que envolvem, em
determinados casos, anos de pesquisas para obtenção de resultados.
O bioma é compreendido pela delimitação de uma região com
características (climáticas, fisiológicas, geomorfológicas, entre outros aspectos)
bem definidas. No território brasileiro há seis biomas: Mata Atlântica,
Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa.
Denomina-se ecossistema a interação dos fatores bióticos e
abióticos, e se propõe estudar suas respectivas influências. Esse é um conceito
bastante utilizado e estudado pelos ecologistas. Contudo, os setores de
tecnologia da informação também têm-se apropriado dessa terminologia.
Recentemente, o termo ecossistemas de inovação tem ganhado
espaço nos debates. Seu objetivo é uma parceria sólida entre entidades
governamentais, empresas e instituições universitárias, visando à construção e
implementação de parques tecnológicos. Os temas que têm foco são aqueles
voltados ao campo das engenharias, informática e outros que envolvem a tecnologia
da informação.
Equidade social
A busca por uma sociedade mais justa é uma das lutas
ambientais atuais. A questão de justiça não deve se restringir aos aspectos do
ser humano em sua relação com o meio físico, mas abranger também a relação entre
seres sociais.
O termo igualdade adentra este século para realizar reparos,
consertar e evitar erros relacionados à justiça social. Contudo, outro termo
tem tido sua aplicação ampliada: a equidade.
Diferentemente da igualdade, que busca realizar uma
avaliação, julgamento e afins e é aplicada igualitariamente a todos, a equidade
busca estudar o caso, ocasionando uma restruturação de regra, mas sem perda
alguma da ética e da justiça (Figura 5).
Segurança alimentar
Esse tema pode ser definido como a capacidade de produção e
distribuição de alimentos seguros para toda a população. As políticas voltadas
a mecanismos produtivos e disponibilidade de alimentos, a serem elaboradas
pelas entidades governamentais, é denominada soberania alimentar.
A temática da segurança alimentar envolve diversos temas:
todos aqueles voltados à disponibilidade de terra, água e fertilizantes. O
contexto também está relacionado à aquisição de alimentos saudáveis para a
população. Temáticas como obesidade e doenças causadas pelo consumo alimentício
inadequado também são relacionadas à segurança alimentar.
Resíduos sólidos
Esse tema é definido como qualquer tipo de material ou bem
adquirido e descartado pela sociedade. Em sua maioria, os materiais podem ser
reciclados e/ou reutilizados. Contudo, o descarte inadequado apresenta um dos
principais problemas ambientais atuais.
No Brasil, em 2010, instituiu a Política Nacional de
Resíduos Sólidos (Lei n° 12.305/10): o Ministério do Meio Ambiente (2010)
aborda políticas de gestão, responsabilidade sobre o ciclo de vida,
viabilização de coleta seletiva e sistema de informações sobre o gerenciamento
de resíduos.
Contudo, falhas envolvendo aspectos financeiros inviabilizam
um trabalho efetivo, especialmente as diversas falhas no gerenciamento de
resíduos. Nossas atitudes como cidadãos são importantes, pois a separação dos
resíduos ainda é algo pouco executado na sociedade.
Racismo estrutural
Vivemos em uma sociedade diversificada. Contudo, as políticas
étnicas e de respeito ao próximo, em alguns casos, não são implementadas.
No histórico de desenvolvimento humano, a ascensão de um
determinado grupo social e inferiorização de outro é algo ainda encontrado
neste século. Essa trajetória histórica, que põe em prática uma cultura que
atinge diferentes grupos sociais de forma negativa, sem respeito à ética civil,
é denominada racismo estrutural.
Histórico dos debates a respeito de ética e responsabilidade
social no Brasil e no mundo
As mesas redondas e eventos científicos são constantes no
mundo inteiro, sendo eles responsáveis por traçar e fomentar a compreensão do
hoje e promover ações que terão efeitos significativos em curto ou longo prazo.
Os meios acadêmicos e as universidades são os principais polos desses debates,
destacando-se as Ciências Humanas, embora não sejam exclusivas nessas mesas.
Uma visão de aspecto mundial
O debate sobre a reponsabilidade social tem seu principal
início marcado pela Revolução Industrial no século XVIII. A situação precária
de trabalho, em maioria exploratórios, fez diversos teóricos debaterem a
problemática.
Entre as teorias realizadas, uma se encontra em debate até
os dias atuais: Karl Marx elabora as primeiras formulações sobre o capitalismo.
A corrente de pensamento de Marx era uma dura crítica à exploração exacerbada
da classe operária, e, em contrapartida, aos lucros e à concentração de renda que
estavam nas mãos dos grandes donos de empreendimentos. Além disso, as teorias
de Marx também contemplavam questões ambientais devido aos altos níveis de
poluição que se alastravam pela Europa.
As problemáticas relacionadas ao trabalho exploratório fizeram
a classe operária procurar lutar por alguma forma de garantia de direitos. Esse
fator estava atrelado, também, à constante modernização fabril, que diminuiu a
dependência de mão de obra e fez com que antigos artesões se tornassem
desempregados. Essas perspectivas levaram os operários a lutar e a construir
sindicatos, reconhecidos pelo parlamento inglês após várias lutas, que também
resultaram no surgimento de movimentos grevistas.
Outro ponto está atrelado ao engajamento dos setores
públicos nas temáticas ambientais. A preocupação com a saúde, o bem-estar e a
qualidade de vida social foi peça-chave para o surgimento de encontros que
buscassem propor soluções de mitigação. Reuniões que anteriormente eram
realizadas para atender às preocupações com as perspectivas econômicas passaram
a ser substituídas pelas pautas ambientalistas.
O movimento hippie, ocorrido nos anos 1960, também faz parte
de uma importante conjuntura dos debates sociais. Iniciado com a luta contra o
uso de armas nucleares, incorporou temáticas importantes em seu discurso, como
o respeito à natureza, homossexualidade, preconceito racial e consumo
consciente, dando margem a outros debates pouco comentados naquele período.
O Brasil no caminho da responsabilidade social
A elaboração da Constituição garantiu as legislações
trabalhistas anteriormente reduzidas durante a ditadura. A liberdade de
expressão e de imprensa é devolvida, ampliando a ascensão sobre os problemas
sociais, principalmente relacionados à pobreza, existentes devido à liberdade
dos pesquisadores das ciências humanas definirem seus estudos sem a ocorrência
de algum tipo de retaliação.
A reforma agrária é outro importante marco, que possibilitou
a distribuição e posse de terras para os pequenos agricultores. Diferentemente
do que se imagina, esse grupo de trabalhadores são os principais responsáveis pelo
abastecimento alimentício nacional. As grandes lavouras, as agroindústrias, têm
foco na manutenção do mercado internacional, uma vez que o Brasil é um dos
principais centros do agronegócio mundial.
Movimentos mundiais
Primavera Silenciosa: um embate com a Revolução Verde
O mundo precisava reestruturar-se fisicamente e
economicamente. Além da morte de milhares de pessoas, outro grande grupo ficou
sem acesso a alimentos e suprimentos de necessidades básicas. Fatores como
esses impulsionaram o problema da fome existente em diversos países do mundo,
mesmo anteriormente à guerra, e fizeram com que surgisse uma visão agrícola
denominada Revolução Verde. Entre os períodos de 1960 e 1970, países como
Estados Unidos e México procuraram implementar tecnologias que acelerassem a
produção agrícola.
Por outro lado, a utilização desenfreada de pesticidas
trouxe problemas ambientais. O uso de produtos químicos como fertilizantes era
algo corriqueiro. Todavia, estudos de monitoramento do meio físico e saúde
humana, bem como avaliações de riscos, não eram realizados com frequência, e
não existiam protocolos seguros de utilização e afins. Estudos que fossem
contra e apresentassem divergências de pensamentos eram duramente criticados:
um deles realizado por Rachel Carson em 1962, denominado Primavera silenciosa.
A obra, que buscava explicar os impactos da utilização
inadequada de pesticidas no desenvolvimento vegetal, biodiversidade de espécies
e saúde humana, foi considerada livro célebre pelo movimento ambientalista moderno.
Mesmo sendo duramente criticado na época, ele demonstrou com clareza os
impactos desse modelo de produção e foi crucial para o processo de mudança,
que, obviamente, não foi rápido. Atualmente, o avanço científico possibilita o
desenvolvimento de novas perspectivas e tecnologias no campo agrícola, com
níveis mais baixos de impactos ambientais.
Conferência de Estocolmo
O fim da Segunda Guerra também ocasionou outras preocupações
ambientais. O relatório produzido pelo Clube de Roma em 1972 apontou um
problema de crescimento rápido da população e que os recursos naturais não
conseguiriam suprir as necessidades.
Naquele mesmo ano, a ONU decidiu realizar a primeira reunião
com chefes de Estado que procurassem tratar dos problemas ambientais, denominada
Conferência Mundial do Homem e do Meio Ambiente, popularmente conhecida como
Conferência de Estocolmo (Figura 6).
Problemas como catástrofes naturais, mudanças climáticas,
possível escassez de recursos naturais e modificações econômicas e sociais
foram debatidas no encontro, que resultou na Declaração das Nações Unidas sobre
o Meio Ambiente, também denominada Declaração de Estocolmo, que promovia ações
ambientais. A importância dessa reunião é pautada por ser a primeira vez que as
entidades governamentais se preocuparam, oficialmente, com os aspectos
ambientais.
A criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças
Climáticas (IPCC)
As mudanças globais do clima despertaram grande interesse
das instituições governamentais e seus respectivos gestores, o que culminou na
criação do IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change, em 1988.
A intenção do Painel é voltada à junção e difusão de dados
relacionados a mudanças climáticas, com a proposta de conhecimento sobre seus
aspectos fundamentais, formas de solução e efeitos na sociedade (pessoas e
questões econômicas).
Protocolo de Quioto
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Os relatórios de IPCC foram fundamentais para, em 1997, ser
construído o Protocolo de Quioto. A entrada em vigor do Protocolo, porém, foi
realizada apenas no ano de 2005.
Sua finalidade tem um significado importante para a
manutenção da vida no planeta, pois o intuito foi o estabelecimento do controle
na emissão de gases do efeito estufa (GEE) pelas atividades industriais na
atmosfera.
Os países assinaram um compromisso para diminuição das
emissões de CO2, e o protocolo também deu margem para o surgimento do termo
créditos de carbono, em que uma tonelada de dióxido de carbono geraria um
crédito em forma de certificado. Essas certificações poderiam ser negociadas no
mercado internacional.
Eco 92 e Rio + 20
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente,
popularmente conhecida como Eco 92, foi uma das principais reuniões mundiais a
tratar dos temas ambientais, com um significativo envolvimento de diversos
países (176) de todo o planeta.
Realizada no Rio de Janeiro, em 1992, a conferência
procurava definir um plano de ação para o desenvolvimento sustentável, e
tornou-se o início da ascensão global das discussões sobre os problemas
ambientais, tendo como foco a busca por alternativas de solução (Figura 7).
Assim como o relatório do IPCC, a Eco 92 foi fundamental para elaboração do
Protocolo de Quioto.
Figura 7. Registro do encerramento da Eco 92. Fonte:
ROZARIO, 1992.
Figura 7. Registro do encerramento da Eco 92.
Fonte: ROZARIO, 1992.
A Rio+20, por sua vez, foi realizada 20 anos depois e teve
por objetivo a reafirmação dos compromissos adotados na Eco 92. A conferência
também teve como foco a observação e discussão de problemas ainda existentes e
buscou formas de soluções futuras. Um grande diferencial do encontro foi a
intensificação dos debates voltados à implementação da economia verde.
Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável
Esse importante evento ocorreu na cidade de Nova York,
Estados Unidos, com o objetivo de direcionar o planejamento para o
desenvolvimento sustentável até o ano de 2030. Foram traçados 17 objetivos,
denominados ODS (Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável), como demonstra
a Figura 8. No encontro, também foram discutidas as ações propostas durante a Rio
+20.
Figura 8. Os 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável
na Agenda 2030. Fonte: ONU Brasil, 2015.
Figura 8. Os 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável
na Agenda 2030.
Fonte: ONU Brasil, 2015.
Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável
Esse importante evento ocorreu na cidade de Nova York,
Estados Unidos, com o objetivo de direcionar o planejamento para o
desenvolvimento sustentável até o ano de 2030. Foram traçados 17 objetivos,
denominados ODS (Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável), como demonstra
a Figura 8. No encontro, também foram discutidas as ações propostas durante a
Rio +20.
Marcos históricos da educação ambiental no Brasil
Seção 6 de 8
meio ambientw.jpg
O primeiro registro da institucionalização da educação
ambiental no Brasil ocorreu em 1973, com a criação da Secretaria Especial do
Meio Ambiente(SEMA). A SEMA pode ser considerada o início do processo de
conscientização da sociedade brasileira sobre a necessidade de preservação do
meio ambiente para a manutenção e melhoria da qualidade de vida.
Com a instituição da Política Nacional do Meio Ambiente
(PNMA) pela Lei Federal n. 6.938/81, foram explicitados conceitos relacionados
à conscientização ambiental e à promoção da educação ambiental em diferentes
níveis de ensino e setores da sociedade (art. 2°, caput, X). Assim, podemos
considerar que a PNMA foi o primeiro marco da educação ambiental formal no
País.
Art 2º - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por
objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia
à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento
socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade
da vida humana, atendidos os seguintes princípios: [...]X - educação ambiental
a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando
capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente.
BRASIL, 1981, n.p.
Art 2º - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por
objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia
à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento
socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade
da vida humana, atendidos os seguintes princípios: [...]X - educação ambiental
a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando
capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente.
BRASIL, 1981, n.p.
A Constituição do Brasil de 1988 reforça a consolidação da
EA no País ao definir, no artigo 225, o direito de todos ao acesso de um
ambiente ecologicamente equilibrado e, em seu inciso VI, a necessidade de
promoção da EA, ao menos no contexto educacional ou formal:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações.§ 1º Para assegurar a
efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: [...]VI - promover a
educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública
para a preservação do meio ambiente.
BRASIL, 1988, n.p.
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações.§ 1º Para assegurar a
efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: [...]VI - promover a
educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública
para a preservação do meio ambiente.
BRASIL, 1988, n.p.
Note que temos em nossa Constituição Federal, portanto,
explicitamente a definição de que a promoção da educação ambiental deve ser
responsabilidade do poder público. Porém, vale observar que a obrigatoriedade
do Estado em estabelecer as bases da EA no contexto formal não dispensa a
participação social no processo de conservação e proteção ambiental.
A Conferência, Earth Summit, ou Eco-92, possibilitou a
adoção do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e
Responsabilidade Global. Já a Agenda21 reforça a perspectiva de atribuição de
poder aos grupos comunitários e, com o apoio do Ministério da Educação na
Rio-92, foi produzida a Carta Brasileira para Educação Ambiental, que, entre
outras coisas, reconhece ser a educação ambiental um dos instrumentos para
viabilizar a sustentabilidade como estratégia de sobrevivência do planeta e da
manutenção da vida humana. Infelizmente, a Carta já admitia a existência da
lentidão de produção de conhecimentos e a falta de comprometimento dos gestores
públicos em relação à fiscalização da legislação de um modelo educacional que
não resolve as reais necessidades do País.
dica.png
5933811.png
A Agenda 21, definida pela ONU na Eco-92, reafirma, dentre
outros princípios básicos, a reorientação da educação a um desenvolvimento
ambientalmente sustentável e o aprofundamento da conscientização pública. Em
consonância com esta, em 2015 criou-se a Agenda 2030, um plano de reafirmação
das metas estabelecidas em 1992 que também dá continuidade aos esforços das
agora 192 nações que fazem parte do tratado.
Posteriormente, a Lei n. 9.795/1999 instituiu a Política
Nacional de Educação Ambiental no País. Em uma análise inicial, podemos
perceber que a PNEA é resultado de inúmeras ideias debatidas em diversos
eventos nacionais e internacionais a cerca das questões ambientais. Em
especial, pode ser percebida em seu texto a adoção de conceitos apresentados
pela Carta de Belgrado. Assim, a determinação da responsabilidade do poder
público se dá de forma concorrente (nas esferas de poder federal, estadual e
municipal), também com o intuito de incentivar a ampla participação das
organizações não governamentais (ONGs) e de toda a sociedade na elaboração e
execução de programas de educação ambiental.
Figura 1. Linha do tempo simplificada dos principais eventos
relacionados à EA no contexto brasileiro.
Figura 1. Linha do tempo simplificada dos principais eventos
relacionados à EA no contexto brasileiro.
Ressalta-se que, na prática, não há uma ocorrência que seja
mais importante, sendo todas as ações e todos os projetos necessários para que
seja possível atingir os objetivos coletivos com o desenvolvimento da
consciência ambiental a partir da criticidade dos cidadãos. No próximo tópico,
analisaremos alguns dos principais conceitos da educação ambiental.
Primeiramente, para definir as bases conceituais da educação
ambiental, é necessário ressaltar que ao longo do aprimoramento dessa
ferramenta percebeu-se que o público a ser considerado, na realidade, é toda a
sociedade. Assim, enfatizamos que a EA é considerada formal quando aplicada em
qualquer nível da educação formal (estudantes, professores e funcionários de
escolas, universidades e institutos). Adicionalmente, a educação não formal
engloba campanhas, projetos e outras atividades práticas que envolvem
diferentes grupos populacionais(trabalhadores, gestores públicos e
agricultores, por exemplo).Assim, a PNEA definiu a educação ambiental e
destacou a importância do desenvolvimento de práticas educativas voltadas à
sensibilização e à organização da coletividade sobre questões ambientais. No
art. 1º da PNEA, a definição de educação ambiental é apresentada:
Art 1º. Entendem-se por educação ambiental os processos por
meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos,
habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio
ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua
sustentabilidade.
BRASIL,1999, n.p.
Art 1º. Entendem-se por educação ambiental os processos por
meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação
do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida
e sua sustentabilidade.
BRASIL,1999, n.p.
No art. 2º, a PNEA complementa que a educação ambiental é
“um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar
presente, deforma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo
educativo, em caráter formal e não-formal” (BRASIL, 1999, n.p.). Por fim, a
PNEA define como princípios básicos da EA:
Art. 4º São princípios básicos da educação ambiental:
I - o enfoque humanista, holístico, democrático e
participativo;
II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade,
considerando a interdependência entre o meio natural, o sócio-econômico e o
cultural, sob o enfoque da sustentabilidade;
III - o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na
perspectivada inter, multi e transdisciplinaridade;
IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as
práticas sociais;
V - a garantia de continuidade e permanência do processo
educativo;
VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo;
VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais,
regionais, nacionais e globais;
VIII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à
diversidade individual e cultural.
BRASIL, 1999, n.p.
Art. 4º São princípios básicos da educação ambiental:
I - o enfoque humanista, holístico, democrático e
participativo;
II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade,
considerando a interdependência entre o meio natural, o sócio-econômico e o
cultural, sob o enfoque da sustentabilidade;
III - o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na
perspectivada inter, multi e transdisciplinaridade;
IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as
práticas sociais;
V - a garantia de continuidade e permanência do processo
educativo;
VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo;
VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais,
regionais, nacionais e globais;
VIII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à
diversidade individual e cultural.
BRASIL, 1999, n.p.
Assim, a Lei n. 9.795/1999 instituiu a Política Nacional de
Educação Ambiental(PNEA), apresentando conceitos e definições. Desta forma,
podemos sintetizar que o público-alvo da EA são tanto os integrantes da
educação formal quanto os da não formal. Ressalta-se que os objetivos de ensino
em ambientes formais são construir conhecimento científico e desenvolver a
relação dos alunos coma natureza por meio de pedagogias de aprendizagem ativa,
como trabalho decampo e experiências ao ar livre (PARRA et al., 2020).
Assim, mais do que se informar sobre processos que envolvem
nossa vida socioeconômica, é necessário priorizar o desenvolvimento da EA como
ferramenta de participação social e crítica. No Quadro 1, há uma síntese das
principais diferenças entre educação ambiental e informação ambiental.
Observe que a informação ambiental deve possuir qualidade e
não ser tendenciosa em sua transmissão; mas é a EA que define como essencial o
aumento da consciência pública ambiental a partir de ensinamentos contínuos de
pensamento crítico, reforçando as habilidades individuais e a análise de fatos
utilizando o raciocínio lógico.
Outra distinção que cabe em uma breve análise é acerca da
educação de forma mais ampla e sua comparação com a EA. É consenso que a
educação, além de instruir, já traz em si o conceito de propiciar o
desenvolvimento da capacidade crítica e o senso de responsabilidade. Paulo
Freire, em sua obra Pedagogia do Oprimido, enfatiza que a educação é um
processo complexo de conscientização coletiva. Hoje, compreendemos que a
educação ambiental faz parte desse processo.
De fato, podemos considerar que ambientalismo não é uma
opção, mas uma responsabilidade e um aspecto fundamental para a construção de
uma sociedade coesa e que respeita as leis de proteção do ambiente que ocupa
(SAYLAN;BLUMSTEIN, 2011). Isso se refere às responsabilidades de proteção
ambiental, mas também em compreender minimamente como os ciclos ocorrem: na
extração de recursos naturais, na geração de resíduos, na produção agrária e/ou
industrial, entre outros.
Tendo em vista o desenvolvimento necessário para sociedades
mais sustentáveis, os cidadãos precisam ser apoiados e ensinados a superar
quaisquer lacunas ou desafios importantes para integrar esta sociedade
sustentável (PARRA et al., 2020). Assim, a educação ambiental se concentra na promoção
do conhecimento ambiental e no aprimoramento de atitudes e valores
ecologicamente corretos, bem como na conquista da cidadania e das habilidades
cognitivas de alto nível necessárias para promover um estilo de vida
ecologicamente correto.
A educação para a cidadania ambiental deve auxiliar os
alunos a compreenderem a complexidade dos sistemas socioecológicos e a
identificar as causas estruturais da degradação ambiental. Com isso em mente, a
educação para a cidadania ambiental amplia a perspectiva do aspecto local para
o global e enfatiza as interrelações e interdependências. Além disso, a
aprendizagem da sustentabilidade é um conceito multinível que ocorre tanto no
nível individual quanto no nível dos agregados sociais, grupos, organizações e
a sociedade como um todo(PARRA et al., 2020).
O conhecimento de como mudar democraticamente uma sociedade
e os efeitos da justiça social dessas mudanças local e globalmente não foram,
pelo menos no início, suficientemente enfatizados na educação para a sustentabilidade,
posto que suas raízes estão na educação ambiental e possuem foco mais estreito
na proteção ambiental e conservação de recursos (PARRA et al., 2020).
A política nacional brasileira para a educação ambiental
O termo educação ambiental (EA) é muito utilizado, apesar de
muitas pessoas não saberem sua definição. Assim, algumas distorções podem
ocorrer, e a prática da EA pode ser prejudicada. Nesse sentido, Silva Junior et
al. (2018, n. p.)destacam que a democratização e a divulgação das formas que
temos para interagir com o meio ambiente de maneira responsável ainda é muito
frágil, em uma sociedade que não exerce, no cotidiano, hábitos que favorecem o
fortalecimento da temática em questão.
Dessa forma, começamos esse tópico destacando que uma maior
preocupação com o meio ambiente é necessária, bem como o reconhecimento do
papel crucial da educação para melhorar a relação do ser humano com o meio.
Para isso, é preciso que haja em todas as bases da sociedade ferramentas para
traçar diretrizes para o surgimento de mais iniciativas de conscientização
ambiental. A escola é um espaço em que os estudantes podem se tornar pessoas
mais atentas quanto à importância da conservação e restauração do meio
ambiente, fomentando a proteção também da biodiversidade, de um modo geral
(SILVAJUNIOR et al., 2018).
A educação é um processo contínuo, de elevada relevância e,
por isso, se fazem necessários planejamentos complexos para que possamos obter
resultados satisfatórios, colaborando para as reflexões de ensino e
aprendizagem que ultrapassem as salas de aula. Cada vez mais, precisamos de nos
formar como cidadãos, críticos e responsáveis pela preservação dos recursos
naturais.
educação ambiental não deve ser entendida como um tipo
especial de educação, mas como uma série de etapas contínuas ao longo processo
de aprendizagem, em que coexiste a filosofia da contribuição participativa em
que todos (família, escola e comunidade) devem estar envolvidos (SILVA JUNIOR
et al., 2018).Por esse motivo, a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA)
brasileira visou traçar diretrizes não apenas para a EA formal, que ocorre nas
escolas, mas também para a EA não formal, englobando a diversidade de atores
sociais e a importância de todos construirmos coletivamente uma preocupação que
paute as ações e decisões regionais e nacionais.
Educação ambiental formal
Uma questão importante dentro do sistema educacional
superior é propiciara especialização na área de formação e também em áreas
científicas semelhante sou relacionadas. A relevância se dá, justamente, pelas
conexões interdisciplinares e pela transferência teórico-conceitual decorrente
de novos resultados científicos. Nesse contexto, é importante que cada país
explicite em sua política de educação ambiental a importância de toda a
sociedade para a conservação ambiental e os possíveis papéis das mais diversas
áreas de formação técnica nessa conservação.
Assim, os atores socioeducativos envolvidos nas atividades
de EA devem assumiras ações em termos de aumento do conhecimento científico, e
também possibilitara existência e qualidade de vida das próximas gerações.
Desse modo, ao nível da consciência humana, é visível um peso científico-axiológico,
segundo o qual são estabelecidas conexões entre diferentes níveis de realidade
(COSTEL, 2015).
Para tanto, Costel (2015, n. p.) explicita que para se
tornar pragmático um sistema social deve ser construído, antes de mais nada,
sobre a educação espontânea. Em segundo lugar, acreditamos que uma perspectiva
de política social efetiva envolve uma abordagem específica sobre a educação
ambiental. Portanto, as correspondências sociais e metodológicas transpõem em
plano operacional às finalidades inscritas na diligência educacional.
Nas últimas duas décadas, no entanto, inúmeras pessoas ao
redor do mundo se preocuparam (e continuam se preocupando) com as questões
interligadas demeio ambiente e desenvolvimento ambientalmente sustentável.
Desta forma, temos nos tornado cada vez mais conscientes da necessidade de
mudanças nas escolhas de hábitos e nos padrões nacionais e globais de
desenvolvimento, consumo e comércio.
Portanto, poderíamos considerar um erro pensar que apenas a
educação ambiental nas escolas seria suficiente para a transição para a
sustentabilidade, amenos que grandes reformas educacionais pudessem ser
implementadas e que projetos em consonância com outros setores da sociedade
fossem executados.
Nesse momento, destacamos que a educação ambiental está
prevista na Constituição Federal, em seu artigo 225º (Inciso VI), que
estabelece que é dever do Estado e de todos de “promover a educação ambiental
em todos os níveis de ensino, e a conscientização pública para a preservação do
meio ambiente”(BRASIL, 1988). A Política Nacional de Educação Ambiental,
instituída pela Lei n.9.795, em seu artigo 3º, determina que, como parte de um
processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental,
incumbindo:
I - Ao Poder Público, nos termos dos arts. 205 e 225 da
Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem a dimensão
ambiental, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e o
engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio
ambiente; II - Às instituições educativas, promover a educação ambiental de
maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem; III - Aos órgãos
integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, promover ações de
educação ambiental integradas aos programas de conservação, recuperação e
melhoria do meio ambiente; IV - Aos meios de comunicação de massa, colaborar de
maneira ativa e permanente na disseminação de informações e práticas educativas
sobre meio ambiente e incorporar a dimensão ambiental em sua programação; V- Às
empresas, entidades de classe, instituições públicas e privadas, promover
programas destinados à capacitação dos trabalhadores, visando à melhoria e ao
controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como sobre as repercussões
do processo produtivo nomeio ambiente; VI - À sociedade como um todo, manter
atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem
a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a
solução de problemas ambientais.
(BRASIL, 1999)
I - Ao Poder Público, nos termos dos arts. 205 e 225 da
Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem a dimensão
ambiental, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e o
engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio
ambiente; II - Às instituições educativas, promover a educação ambiental de
maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem; III - Aos órgãos
integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, promover ações de educação
ambiental integradas aos programas de conservação, recuperação e melhoria do
meio ambiente; IV - Aos meios de comunicação de massa, colaborar de maneira
ativa e permanente na disseminação de informações e práticas educativas sobre
meio ambiente e incorporar a dimensão ambiental em sua programação; V- Às
empresas, entidades de classe, instituições públicas e privadas, promover
programas destinados à capacitação dos trabalhadores, visando à melhoria e ao
controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como sobre as repercussões
do processo produtivo nomeio ambiente; VI - À sociedade como um todo, manter
atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem
a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a
solução de problemas ambientais.
(BRASIL, 1999)
Assim, percebemos que a EA é uma questão que precisa ser
incentivada e fomentada simultaneamente pelo Estado e por muitos outros setores
da sociedade. Em seu artigo 4º (Inciso VII), a PNEA valoriza a abordagem
articulada das questões ambientais locais, regionais e nacionais. Enquanto
isso, em seu artigo 8º (Incisos IV e V) há um evidente incentivo à busca de
alternativas curriculares e metodológicas na capacitação da área ambiental e as
iniciativas e experiências locais e regionais, incluindo a produção de material
educativo com o contexto social em questão (BRASIL, 1999).
Em seu artigo 9º, a PNEA também define que se entende por
educação ambiental, na educação escolar, aquela que é desenvolvida no âmbito
dos currículos das instituições de ensino públicas e privadas, englobando
(BRASIL, 1999):
I. Educação básica:
a. Educação infantil;
b. Ensino fundamental;
c. Ensino médio.
II. Educação superior;
III. Educação especial;
IV. Educação profissional;
V. Educação de jovens e adultos.
Vale destacar que devido ao próprio dinamismo da sociedade,
o despertar para a questão ambiental no processo educativo deve começar desde a
infância(SOUZA et al., 2018).
Ainda que a EA seja prevista em toda a idade escolar e a
PNEA tenha sido instituída em 1999, atualmente, os educadores ainda encontram
dificuldades e desafios para implementar a educação ambiental no cotidiano
escolar. Por isso, mantém-se a discussão sobre a maneira que a temática
ambiental vem sendo trabalhada pelos professores que a desenvolvem nas escolas.
Quando pensamos na educação ambiental, devemos inserir
atividades práticas em todos os níveis da educação formal e informal, de modo
que trabalhemos as aplicações de EA diariamente. Isso é uma proposição
fundamental, pois colabora para que haja envolvimento dos educandos em questões
sobreas problemáticas do meio ambiente, e propicia um sentimento importante de
pertencimento e transformação, em que cada um tem responsabilidades e pode
colaborar para a construção de um mundo melhor.
De maneira geral, a escola pode ser um dos locais mais
propícios para a realização de iniciativas de educação ambiental, por propiciar
a inovação de costumes que não se limitam apenas aos conceitos ambientais,
podendo ainda englobar questões culturais e sociais. Acredita-se que, assim,
poderíamos alcançar um resultado mais efetivo e promissor diante das situações
vivenciadas no contexto socioambiental, e que englobam o descarte do lixo de
forma incorreta, os impactos ambientais e biodiversidade e, também, o tipo de
interação ecológica que há nas relações humanas com a natureza.
No artigo 10º da PNEA, se especifica que a educação
ambiental deve ser desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua
e permanente, em todos os níveis e modalidades do ensino formal:
§ 1º A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina
específica no currículo de ensino; § 2º Nos cursos de pós-graduação, extensão e
nas áreas voltadas ao aspecto metodológico da educação ambiental, quando se
fizer necessário, é facultada a criação de disciplina específica; § 3º Nos
cursos de formação e especialização técnico-profissional, em todos os níveis,
deve ser incorporado conteúdo que trate da ética ambiental das atividades
profissionais a serem desenvolvidas .
(BRASIL, 1999)
Nesse sentido, sabendo que a educação ambiental é um
processo permanente e contínuo, não deveríamos limitá-la ao espaço escolar,
pois é importante tê-la como hábito no ensino do educando (SOUZA et al.,2018).
Assim, podemos entender que a EA formal continuará a ser aprimorada com a
incorporação de novos significados sociais e científicos em relação ao meio
ambiente e às dinâmicas que possuímos com o local que ocupamos. Justamente
devido a esse dinamismo da sociedade, a questão ambiental no processo educativo
deveria começar na infância, corroborando para a formação de gerações mais
conscientes e preocupadas com pautas ambientais, tais como a proteção da
biodiversidade e o enfrentamento das mudanças climáticas.
Ficou especificado que a dimensão ambiental precisa constar
nos currículos de formação de professores, em todos os níveis e em todas as
disciplinas. Além disso, “os professores em atividade devem receber formação
complementar em suas áreas de atuação, com o propósito de atender adequadamente
ao cumprimento dos princípios e objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental”(BRASIL,
1999).
Souza et al. (2018, n. p.) destacam a dúvida de como a EA
está sendo conduzida no ensino da educação ambiental no cotidiano da sala de
aula. A abrangência das atividades dos docentes engloba a participação e gestão
dos sistemas de ensino. Dessa forma, os professores podem incluir escolhas
metodológicas distintas, visando fomentar pontos de análise e valorização da
consciência da diversidade, respeitando as diferenças ecológicas,
étnico-raciais, de classes sociais, de necessidades especiais e de gênero. As
diretrizes de ensino de EA são muito diversificadas e podem servir como
ferramenta, aproximando conceitos complexos das comunidades de atuação.
Em seu trabalho de análise, Silva e Almeida (2018, n. p.)
notaram que os principais desafios das ações práticas de EA nas escolas estão
vinculados a questões de: espaço da escola, número de estudantes e de
professores com disposição para passar por processos de formação continuada na
área em questão, participação e dedicação da direção da escola, melhor
participação do governo estadual, dentre muitos outros problemas. Com isso,
algumas barreiras poderiam surgir, limitando as práticas de EA e tornando as
atividades pontuais.
Em contextos em que a prática de EA ainda não ocorre de
forma contínua, uma alternativa é proceder visitas em centros especializados
que possam instruir educandos e educadores e mostrar um caminho a ser
percorrido. Nesse contexto, há no Brasil um tipo especial de centro de educação
ambiental, relacionado com as fazendas e florestas. A Escola da Floresta é um
exemplo desses centros. Nela, há variedade de possibilidades a serem explorados
por pessoas de todas as idades. A Figura 2 mostra a realização de uma trilha
dos sentidos com crianças de uma escola em visita. Note que atividades como
essa podem ser adaptadas à realidade de muitas escolas brasileiras.
Figura 2. Realização da trilha de sentidos, para aumentar a
percepção do ambiente em que ocupamos e a busca pela reconexão com a natureza.
Fonte: Escola da Floresta. Acesso em: 17/05/2021.
Figura 2. Realização da trilha de sentidos, para aumentar a
percepção do ambiente em que ocupamos e a busca pela reconexão com a natureza.
Fonte: Escola da Floresta. Acesso em: 17/05/2021.
Uma das maiores dificuldades para que o currículo escolar
possa abranger a EA de forma habitual e com a profundidade de discussão que se
desejaria, pode ser uma consequência do modelo adotado pelo nosso sistema
escolar. As atuais preocupações da educação se concentram em notas, desempenho,
competição, esforço individual, sucesso pessoal e padrões hierárquicos de
relacionamentos pessoais. O ensino de EA deve ser pensado de forma coletiva,
emancipatória, crítica e transversal a muitas diferentes áreas de aprendizagem.
Apesar de tais observações fazerem parte de muitas
realidades, Souza et al.(2018, n. p.) afirmam que, nos últimos anos, foi
possível observar uma expansão da educação ambiental no ensino formal das
escolas brasileiras. Em contraste a essas pontuações, Silva e Almeida (2018, n.
p.) destacam que, de modo geral, professores de todas as modalidades de ensino,
na maioria das vezes, não possuem orientação e nem material para esse trabalho
de construção da EA.
Mesmo que essa temática tenha se tornado uma realidade no
ensino formal em muitas localidades do Brasil, sabe-se das dificuldades e
desafios que a educação ambiental ainda tem que enfrentar no cotidiano escolar
e na heterogeneidade de oportunidade entre nossas cidades. Silva e Almeida
(2018, n. p.) destacam que a temática ambiental dificilmente está presente nos
cursos deformação dos professores, uma vez que os cursos de formação
continuada, geralmente, são destinados aos professores de ensino fundamental e
médio, bem como os materiais produzidos e disponibilizados.
No âmbito da aplicação da EA nas escolas, a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), sancionada em 1997, já delineava
a educação ambiental como tema transversal. Os Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCNs) de Biologia, por exemplo, explicitam que a EA precisa de ser
trabalhada de forma interdisciplinar e em consonância com o contexto social e
econômico.
Para que sejam realizados trabalhos de qualidade em EA, se
faz necessário um comprometimento dos sistemas governamentais e das políticas
públicas direcionadas à temática ambiental, proporcionando aos professores uma
formação adequada para o desenvolvimento de projetos, com a qualificação para o
trabalho em consonância à PNEA. Contudo, em alguns casos, tal política não está
presente e, muitas vezes, cabe ao professor buscar uma formação continuada, de
maneira independente, dispondo de seus próprios recursos (SILVA; ALMEIDA,
2018).
De forma complementar, analisou-se que rodas de educação,
escuta e narrativas ficcionais são destacadas como traços e atividades
fundamentais para os processos de formação de professores que estão se tornando
educadores ambientais(GALIAZZI et al., 2018). Galiazzi et al. (2018, n. p.)
explicam que os professores de uma comunidade de aprendizagem organizada em
rodas de educação e comprometidos com os princípios do diálogo, da escuta, do
compartilhamento de saberes e ações podem se tornar educadores ambientais
experientes em processos educativos em que as relações de saber são processos
horizontais e contínuos. Como educadores e professores ambientais, eles podem
ensinar o valor de ouvir e aceitar diferentes pontos de vista.
Sendo assim, diante das adversidades e situações locais
enfrentadas, as práticas pedagógicas cotidianas como a aplicação de projetos de
educação ambiental, envolvendo as escolas, os educandos, suas famílias e
entorno, poderão figurar como local de reflexão. Essa reflexão pode ser mais
efetiva se focada na construção coletiva de alternativas e, diante das
necessidades observadas em cada realidade, propiciar que intervenções
socioambientais possam ser propostas. A construção fora dos ambientes
escolares, por sua vez, se refere à educação ambiental não formal, que
estudaremos no próximo tópico.
Um exemplo muito comum de prática de educação ambiental no
Brasil são as hortas escolares. Devemos valorizar tais ações e observar que os
ensinos vão além das práticas de EA formal. Em muitos contextos, a horta da
escola possibilita uma interação da comunidade do entorno, fomentando a
coletividade das ações realizadas.
Educação ambiental não formal
Silva Junior et al. (2018, n. p.) definem que a educação
ambiental é um campo de conhecimento que se encontra em construção e gera
desenvolvimentos à medida que tenhamos a prática cotidiana dos envolvidos nesse
processo. O engajamento público significativo e a responsabilidade exigem um
entendimento comum do que esperar e demandar das partes envolvidas nos projetos
de educação ambiental.
A Conferência de Tbilisi (1977), dentre seus princípios
básicos, já considerava que a educação ambiental deve ser um processo contínuo
e permanente, começando pelo pré-escolar e continuando ao longo de todas as
fases do ensino formal e não-formal, com aplicação interdisciplinar, de modo
que se adquira uma perspectiva global e equilibrada.
Curiosamente, as perspectivas dos praticantes e dos
participantes sobre os resultados da educação ambiental são pouco estudadas,
particularmente por que uma compreensão das aspirações dos participantes para a
educação ambiental é complexa, apesar de essencial, para garantir que ela
atenda às suas necessidades e que eles continuem se engajando. É
particularmente importante compreender os benefícios que os participantes de
projetos não formais de educação ambiental podem obter com a participação nos
projetos (WEST, 2015).
No contexto da educação ambiental não formal, há linhas de
ações destinadas ao planejamento, gestão, monitoramento e avaliação de
programas e políticas ambientais nas três esferas de governo, em sintonia com
os setores sociais. Esse sistema fortalece o diálogo da escola com a comunidade
e movimentos sociais (BADR et al., 2017).
A PNEA, em seu artigo 13º, definiu a educação ambiental não
formal como sendo as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da
coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na
defesa da qualidade do meio ambiente. Nesse sentido, o Poder Público, em níveis
federal, estadual e municipal, incentivará:
I - A difusão, por intermédio dos meios de comunicação de
massa, em espaços nobres, de programas e campanhas educativas, e de informações
acerca de temas relacionados ao meio ambiente; II - A ampla participação da
escola, da universidade e de organizações não-governamentais na formulação e
execução de programas e atividades vinculadas à educação ambiental não-formal;
III - A participação de empresas públicas e privadas no desenvolvimento de
programas de educação ambiental em parceria com a escola, a universidade e as
organizações não-governamentais; IV - A sensibilização da sociedade para a
importância das unidades de conservação; V - A sensibilização ambiental das
populações tradicionais ligadas às unidades de conservação; VI - A
sensibilização ambiental dos agricultores; VII - O ecoturismo.
(BRASIL, 1999)
Conceitos e Objetivos da Educação Ambiental
A educação ambiental é um campo multidisciplinar que integra
diversos ramos de estudo, como química, física, ciências humanas, ciências
médicas, ciências biológicas, agricultura, saúde pública e engenharia sanitária.
Dessa maneira, a EA coloca em pauta a importância da proteção e conservação do
meio ambiente.
O fato de a sociedade ter falhado em aceitar sua
responsabilidade socioambiental resultou no ato de nos colocarmos no centro de
nossas relações, afastando-nos do meio natural do qual fazemos parte e
acreditando que devemos dominar nosso ambiente. Infelizmente, a situação em que
nos encontramos atualmente, pautada pelo conceito de que o ser humano pode
controlar o meio ambiente sem respeitar ciclos naturais, está na raiz de grande
parte do que é ensinado nas escolas.
A criação de educandos ambientalmente conscientes em uma
sociedade que não reconhece a gravidade dos problemas ambientais que enfrenta
provavelmente não terá muito impacto sobre esses problemas (SAYLAN;
BLUMSTEIN,2011). Isso porque existe uma desconexão fundamental entre o que
aprendemos na escola e como nos comportamos em nosso meio social, pelo menos no
que diz respeito à educação ambiental. Embora essas variações possuam difícil
medição, essa desconexão é facilmente percebida e precisa ser encarada como uma
necessidade a ser superada. Fazer isso exige resiliência, criatividade,
sensibilidade e esforço de todas as classes sociais e econômicas.
Não é errado pensarmos a EA como uma adjetivação da educação,
uma vez que tornar esta última apta à educação ambiental é uma necessidade de
nosso presente, e isso se justifica devido ao fato de a EA enfatizar aspectos
da educação que muitas vezes foram e são marginalizados, mal interpretados e
podem causar uma diversidade de impactos em muitas esferas da sociedade.
Os componentes principais da educação ambiental são: I)
conscientização e sensibilidade em relação aos desafios ambientais; II)
compreensão das dinâmicas relacionadas ao meio ambiente; III) atitudes de
preocupação e motivação para melhorar ou manter a qualidade ambiental; IV)
habilidades para identificar e ajudara resolver problemas; V) participação em
atividades para resoluções coletivas.
Nesse contexto, a Resolução n. 422/2010 estabeleceu “diretrizes
para conteúdos e procedimentos em ações, projetos, campanhas e programas de
informação, comunicação e educação ambiental no âmbito da educação formal e
não-formal, realizadas por instituições públicas, privadas e da sociedade
civil”(CONAMA, 2012, p. 1088).
A educação para a cidadania ambiental é definida como o tipo
de educação que cultiva aptidões, valores, atitudes e competências necessárias
que um cidadão deve possuir para ser capaz de agir e participar da sociedade
como agente de mudança em escala local, nacional e global (HADJICHAMBIS;REIS,
2020). Essa abordagem é importante para capacitar os cidadãos a praticarem seus
direitos e deveres ambientais, bem como para identificaras causas estruturais
subjacentes aos problemas ambientais, levando em consideração a justiça inter e
intrageracional (ENEC, 2018a).
Um dos objetivos da EA é que a sociedade compreenda a
relação de interdependência entre os ecossistemas naturais e as interações
sociais humanas. Assim, podemos adquirir conhecimento à medida que
desenvolvemos competências para conservar e preservar o meio ambiente. Diante
disso, torna-se imprescindível que os atuais padrões de conduta individual
sejam alterados e modificados para outros mais coletivos e ambientalmente
adequados. Dessa forma, é possível destacar que são objetivos específicos da
educação ambiental:
I - A difusão, por intermédio dos meios de comunicação de
massa, em espaços nobres, de programas e campanhas educativas, e de informações
acerca de temas relacionados ao meio ambiente; II - A ampla participação da
escola, da universidade e de organizações não-governamentais na formulação e
execução de programas e atividades vinculadas à educação ambiental não-formal;
III - A participação de empresas públicas e privadas no desenvolvimento de
programas de educação ambiental em parceria com a escola, a universidade e as
organizações não-governamentais; IV - A sensibilização da sociedade para a
importância das unidades de conservação; V - A sensibilização ambiental das
populações tradicionais ligadas às unidades de conservação; VI - A
sensibilização ambiental dos agricultores; VII - O ecoturismo.
(BRASIL, 1999
Este aspecto não formal da EA é de extrema relevância para
que os diferentes atores da sociedade possam construir inúmeras práticas
colaborativas em formato de projetos e programas, aprimorando as abordagens
pautadas em políticas públicas, mas também com parcerias com setores
não-governamentais, como empresas e ONGS.
Figura 4. Principais fontes de energia limpa. Fonte:
CreaJR-PR, 2010.
Conhecimento acerca das diferentes questões ambientais
–
compreendera multiplicidade de interações ambientais e
sociais entre os elementos que compõem tais sistemas;
Desenvolvimento da conscientização ambiental
–
prover ferramentas para que os grupos sociais compreendam
diferentes problemas, sensibilizando-os para que atuem na resolução dessas
questões;
Ampliação das habilidades socioambientais
–
desenvolver valores sociais para que haja fortalecimento da
motivação relacionada à conservação do meio ambiente, bem como à recuperação de
áreas já afetadas por impactos negativos devido a atividades antrópicas;
Desenvolvimento de competências
–
incentivar habilidades específicas que possibilitem a
operacionalização dos conhecimentos e das atitudes coletivas desenvolvidas,
tornando-as ações ambientais concretas;
Participação social
–
proporcionar oportunidades e o ensejo de que todo cidadão
participe de atividades e projetos na solução de questões ambientais de variada
complexidade e em diferentes contextos.
Ressalta-se que o desenvolvimento da consciência ambiental
passa obrigatoriamente pela análise crítica do meio que ocupamos, das ações que
praticamos, das responsabilidades que temos e quais ações podemos empregar para
que tenhamos participação (prática). A participação social é, portanto, uma
peça-chave para não apenas atuarmos de forma corretiva (em relação aos
problemas já existentes) como também para agirmos de forma preventiva,
protegendo os diferentes sistemas ambientais e prevenindo que novos problemas
se tornem inevitáveis e/ou irreversíveis.
Assim, observe que a EA se relaciona ao contínuo processo
educativo formal e não formal, de forma a adquirir conhecimentos teóricos e
práticos sobre o ambiente e em consonância com a adaptação do comportamento
social frente às mudanças ambientais observadas.
Metodologicamente, é fundamental que a análise das
interrelações sociais e ambientais seja bem embasada para que toda a sociedade
se torne apta a compreender os problemas ambientais e as potenciais soluções a
serem implementadas. De certa forma, tanto no campo de atuação formal quanto no
não formal, a sociedade precisa ser participativa, a fim de que a integração
seja voltada à solidariedade com as futuras gerações, como previsto na
Constituição Brasileira em seu artigo 225.
U1
Pergunta 1
Leia o trecho a seguir:
“Ao longo de sua trajetória, os sindicatos se desenvolveram
de maneira bastante diversa em termos de setores, categorias, países, regiões
etc. Seja em termos da defesa dos interesses imediatos dos trabalhadores, seja
a partir da participação em processos políticos e sociais, não se pode fazer
uma história, desde o século XIX, sem que se leve em conta o papel destacado
deste ator, inescapável quando se analisa a ação coletiva das forças sociais do
trabalho ao redor do globo.”
Fonte: SANTANA, M. A. Para onde foram os sindicatos? Caderno
CRH, v. 28, n. 75, p. 453-456, 2015.
Os sindicatos representam uma forma de luta e debate
histórico social. Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre o
histórico dos debates de responsabilidade social, analise as asserções a seguir
e a relação proposta entre elas:
I. O surgimento dos sindicatos foi uma conquista dos
trabalhadores durante a revolução industrial.
Porque:
II. Com a alta empregabilidade, a classe operária era
extremamente explorada, possuindo baixos salários e precárias condições de
trabalho.
A seguir, assinale a alternativa correta:
Ocultar opções de resposta
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II uma proposição
falsa.
Pergunta 2
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Leia o trecho a seguir:
“O Brasil talvez seja o único "grande" país que
vivenciou um profundo e complexo processo de crescimento e desenvolvimento
econômico sem promover substanciais mudanças na questão da propriedade
fundiária. Desde a colonização portuguesa, passando pela Lei de Terras de 1850
e por todo o processo de industrialização vivenciado no século XX e ainda em
curso, a questão agrária permaneceu quase que inalterada, a despeito de avanços
decorrentes das crescentes contradições sociais e econômicas e da correlata violência
verificadas no campo.”
Fonte: NAKATANI, P.; FALEIROS, R. N.; VARGAS, N. C.
Histórico e os limites da reforma agrária na contemporaneidade brasileira.
Serviço Social & Sociedade, n. 110, p. 213-240, 2012.
O debate acerca do movimento agrário é de suma importância
para o Brasil. Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre o
tema do histórico dos debates de responsabilidade social, analise as asserções
a seguir e a relação proposta entre elas:
I. A reforma agrária é um movimento de base social que
procura a distribuição de terras para pequenos agricultores, sendo de suma
importância para o Brasil.
Porque:
II. Os pequenos agricultores são os principais responsáveis
pelo abastecimento alimentício no mercado nacional.
A seguir, assinale a alternativa correta:
Mostrar opções de resposta
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é
uma justificativa correta da I.
Pergunta 3
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0
Leia o trecho a seguir:
“A identificação dos elementos concretos pressupõe um
caminho que passa pela esfera de atividade humana, a posterior apreensão desta
atividade na relação sujeito objeto e, por fim, a reprodução conceitual do
objeto. Este caminho deve possibilitar que os diversos elementos que determinam
a forma de ser do objeto apareçam plenamente integrados as várias esferas
possíveis de existência.”
Fonte: ZAGO, L. H. O método dialético e a análise do real.
Kriterion: Revista de Filosofia, v. 54, n. 127, p. 109-124, 2013.
A dialética se apresenta como um dos métodos fundamentais
para a produção do conhecimento ambientalista. Considerando o texto abordado e
os conteúdos estudados sobre os fundamentos introdutórios da temática
ambiental, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I, O método dialético tem como foco a contradição e
contraposição de ideias.
Porque:
II. Seu objetivo é a formulação de novas ideias, que são
cruciais para o entendimento das problemáticas ambientais.
A seguir, assinale a alternativa correta:
Mostrar opções de resposta
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é
a justificativa correta da I.
Pergunta 4
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0
Leia o trecho a seguir:
“O ser humano ainda atualmente vem se colocado à parte do
meio ambiente, percebendo-o como recurso, unicamente como um intermédio para
atingir seu crescimento; para que a verdadeira mudança ocorra deve-se no mínimo
reconhecer que a vida na terra é insustentável se o ambiente estiver degradado,
e para isso todos devem conservá-lo.”
Fonte: POTT, C. M.; ESTRELA, C. C. Histórico ambiental:
desastres ambientais e o despertar de um novo pensamento. Estudos Avançados. v.
31, n. 89, p. 271-283, 2017.
Existem diversos problemas relacionados à temática
ambiental, sendo essa situação influenciada pela dinâmica social. Considerando
essas informações e o conteúdo estudado sobre os problemas ambientais da
atualidade, analise as afirmativas a seguir:
I. A sensibilização social com os problemas ambientais leva
à busca por formas, mesmo que pequenas, de mitigação.
II. A exploração de recursos naturais é umas das principais
causas dos impactos ambientais atuais.
III. O petróleo é um recurso energético finito, sendo essa a
principal preocupação para promoção de fontes alternativas.
IV. A urbanização é a contextualização dos problemas
ambientais, principalmente devido às constates emissões de poluentes em
aquíferos e no ar.
Está correto apenas o que se afirma em:
I, II e IV.
Pergunta 5
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Leia o trecho a seguir:
“A preocupação com os efeitos na saúde provocados pelas
condições ambientais é evidente desde a Antiguidade, envolvendo problemas tais
como os efeitos do clima no balanço dos humores do corpo, os miasmas, as
sujeiras e os odores. Assim, sempre esteve presente nos diferentes discursos e
práticas sanitárias que se constituíram como respostas sociais às necessidades
e aos problemas de saúde.”
Fonte: FREITAS, C. M. Problemas ambientais, saúde coletiva e
ciências sociais. Ciência & Saúde Coletiva, v. 8, n. 1, p. 137-150, 2003.
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
os problemas ambientais e suas implicações à saúde, analise as afirmativas a
seguir e assinale V para a(s) verdadeira(s) e F para a(s) falsas(s).
I. ( ) A falta de saneamento básico é uma das problemáticas
ambientais mais preocupantes da atualidade, sendo responsável pela propagação
de doenças.
II. ( ) As políticas públicas devem elaborar legislações que
procurem propor ações de mitigação dos problemas ambientais para garantia de
qualidade de vida.
III. ( ) A industrialização possui, atualmente, pouca
reponsabilidade sobre as causas dos problemas ambientais, devido à
obrigatoriedade de atender com rigor as legislações ambientalistas.
IV. ( ) A poluição atmosférica, ocorrida por meio da emissão
de compostos orgânicos e inorgânicos, pode implicar na elevação do número de
mortes por câncer.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta:
Ocultar opções de resposta
V, V, F, V.
ergunta 6
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“Uma aproximação teórico-metodológica entre as ciências pode
desenvolver reciprocidades de grande valia para compreender a vivência humana,
permitindo equilibrar tendências desconexas e resolver questões com variados
graus de implicações que emergem da problemática ambiental.”
Fonte: ROCHA, P. E. D. Trajetórias e perspectivas da
interdisciplinaridade ambiental na pós-graduação brasileira. Ambiente &
Sociedade, v. 6, n. 2, p. 155-182, 2003.
A interdisciplinaridade adentra nos cursos de pós-graduação
brasileira (mestrado e doutorado) na área das ciências ambientais. Considerando
essas informações e o conteúdo estudado sobre interdisciplinaridade e ciências
ambientais, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. Devido à interligação de conhecimentos, os cursos de
mestrado e doutorado da área de ciências ambientais possuem professores de
diversas áreas.
Porque:
II. Esses cursos tem como objetivo a resolução de problemas
ambientais, devendo ser abordados nos trabalhos os aspectos sociais.
A seguir, assinale a alternativa correta:
Ocultar opções de resposta
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma
proposição falsa.
Pergunta 7
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Leia o trecho a seguir:
“Um evento como a II Conferência das Nações Unidas sobre
Meio Ambiente e Desenvolvimento pode, deve e precisa ser visto por muitos
ângulos. Cada um deles revelará um pedaço da história e ajudará a entender
nuances e minúcias importantes para a apreensão das grandes questões globais.”
Fonte: NOVAES, W. Eco-92: avanços e interrogações. Estudos
Avançados, v. 6, n. 15, p. 79-93, 1992.
Os debates acerca das problemáticas ambientais foram
responsáveis pela construção de importantes reuniões. Considerando essas
informações e o conteúdo estudado sobre movimentos mundiais, analise as
asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. A Eco 92, realizada no Rio de Janeiro, é considerada um
dos principais eventos relacionado às questões ambientais.
Porque:
II. O evento procurava definir um plano de ação para o
desenvolvimento sustentável e foi o início da ascensão das discussões sobre os
problemas ambientais.
A seguir, assinale a alternativa correta:
Mostrar opções de resposta
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é
uma justificativa correta da I.
Pergunta 8
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Leia o trecho a seguir:
“Embora não se tenha como objetivo aprofundar o debate sobre
as questões climáticas e suas complexas relações de causa e efeito, é
importante destacar que as opiniões sobre as mudanças do clima, considerando a
alta complexidade envolvida em suas pesquisas e análises, ainda não são uma
unanimidade no meio científico.”
Fonte: CARVALHO, J. L. R.; MACHADO, M. N. M.; MEIRELLES, A.
M. Mudanças climáticas e aquecimento global: implicações na gestão estratégica
de empresas do setor siderúrgico de Minas Gerais. Cadernos EBAPE.BR, v. 9, n.
2, p. 22-244, 2009.
As problemáticas relacionadas às mudanças climáticas
trouxeram a formação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas
(IPCC). Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre movimentos
mundiais, analise as afirmativas a seguir:
I. O IPCC visa a construção de relatórios sobre as mundas
climáticas.
II. Um dos objetivos do IPCC é a busca por possíveis ações
sobre impactos na alteração do clima.
III. A construção de um centro de pesquisas sobre mudanças
climáticas está nas metas do IPCC.
IV. A utilização de recursos para fomentos de projetos que
busquem compreender os aspectos fundamentais do clima é um dos principais
debates para o IPCC.
Está correto apenas o que se afirma em:
Mostrar opções de resposta
I e II.
Pergunta 9
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0
Leia o trecho a seguir:
“A busca por um conceito de qualidade de vida tem
possibilitado a discussão e o (re)conhecimento da importância de aspectos como:
subjetividade, identidade, valores culturais, uso de espaços públicos e
privados, bem estar coletivo e individual, relações sociais. Critérios como
satisfação das necessidades básicas, acesso aos bens de consumo e ausência de
doença têm sido questionados como indicadores de ‘boa’ qualidade de vida, a
qual está para além de indicadores quantitativos.”
Fonte: LEMOS, S. M.; HIGUCHI, M. I. G. Compromisso
socioambiental e vulnerabilidade. Ambiente & Sociedade, v. 14, n. 2, p.
123-138, 2011.
Os aspectos sociais passaram a ter importante destaque no
debate ambiental do século XXI. Considerando essas informações e os conteúdos
estudados sobre as fundamentações introdutórias da temática ambiental, analise
as afirmativas a seguir:
I. As análises ambientais se tornaram completas após o
debate social ser considerado relevante na temática ambiental.
II. Aspectos como preconceitos e discriminação social também
fazem partes dos debates ambientais.
III. O ambiente envolve a relação entre aspectos físicos e
sociais.
IV. A problemática relacionada às classes econômicas possui
pouca importância no discurso ambientalista.
Está correto o que se afirma apenas em:
Mostrar opções de resposta
I, II e III.
Pergunta 10
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Leia o trecho a seguir:
“O panorama mundial está mudando rapidamente, por motivos
ligados a três das grandes preocupações da humanidade nesse início de século:
meio ambiente, energia e economia global. Embora à primeira vista possam
parecer distintas, estas três áreas estão, na realidade, completamente
interligadas. As duas primeiras estão já há mais tempo na percepção do cidadão
comum, devido ao efeito estufa e ao aquecimento global associado ao uso de
combustíveis fósseis.”
Fonte: VICHI, F. M.; MANSOR, M. T. C. Energia, meio ambiente
e economia: o Brasil no contexto mundial. Química Nova, v. 32, n. 3, p.
757-767, 2009.
Considerando essas informações e os conteúdos estudados
sobre bioenergia, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre
elas:
I. A energias derivados do sol, vento e biomassa são fontes
de matéria-prima para produção de bioenergia.
II. A produção de bioenergia visa a substituição parcial
e/ou total do petróleo e carvão mineral.
III. A energia nuclear pode ser considerada uma fonte de
energia renovável e limpa.
IV. O Brasil é um dos países que possuem em sua legislação a
utilização obrigatória de bioenergia.
Está correto apenas o que se afirma em:
Mostrar opções de resposta
I, II, IV.
UNIDADE 2
Responsabilidade socioambiental
Seção 2 de 10
Faixa Divisão_cidade 02.png
Nos últimos séculos, o ser humano passou a interferir cada
vez mais nos processos naturais. Ao longo do século XX, inúmeros avanços
tecnológicos e crescimento econômico foram obtidos. Com o aprimoramento
tecnológico e inúmeras descobertas em todas as áreas do conhecimento, passamos
a con- trolar os elementos da natureza e a aumentar sua capacidade de produção.
Muitos desses avanços visaram à produção e o consumo sem avaliar questões de
risco ambiental e social.
O crescimento populacional no pós-guerra (com consequente
aumento pela demanda por combustíveis fósseis, alimentos e tecnologia) resultou
em um fluxo enérgico desequilibrado ecossistemicamente. Há muitos anos estamos
sendo alertados sobre a insustentabilidade dos hábitos de consumo resultantes
da economia capitalista.
Atualmente, as sociedades tornaram-se cada vez mais
complexas e conectadas. Desenvolveu-se o modo globalizado de vida, sendo que
padrões de consumo adotados em escala mundial resultam em perdas progressivas
de características geográficas, regionais e culturais, bem como na contaminação
ambiental, que resulta em perda de diversidade de fauna e flora.
Nesse mesmo contexto, surge o termo responsabilidade
socioambiental. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2020), a
responsabilidade socioambiental está ligada a ações que respeitam o meio
ambiente e políticas que tenham entre seus principais objetivos a sustentabilidade.
Responsabilidade socioambiental também pode ser compreendida como um
conjunto de práticas exercidas por
cidadãos, governos e empresas públicase privadas que têm por objetivo
providenciarem a inclusão social (responsabilidade social) e o cuidado com o
meio ambiente (responsabilidade ambiental).
Se de um lado temos observado diversas atividades que causam
degradação socioambiental e colocam em risco a qualidade de vida e a
sobrevivência das futuras gerações, do outro há diversas organizações se
mobilizando para nos conscientizar da necessidade de mudança para que o plane-
ta Terra e a humanidade possam coexistir (Figura 1).
Figura 1. Mobilização popular enfatizando a necessidade de
mudança para um perfil responsável socioambientalmente. Fonte: Shutterstock.
Acesso em: 30/09/2020.
Figura 1. Mobilização popular enfatizando a necessidade de
mudança para um perfil responsável socioambientalmente.
Fonte: Shutterstock. Acesso em: 30/09/2020.
O nascimento do mundo globalizado e a questão socioambiental
Nos últimos 250 anos, os impactos causados pelas diversas
mudanças decorrentes do desenvolvimento industrial ainda não estão totalmente
desenhados e são debatidos por diversas organizações e meios de comunicação.
Nos dias de hoje, podemos dizer que a máxima do desenvolvimento industrial é a
globalização.
Para chegarmos ao mundo como conhecemos hoje, o mundo
globalizado, alguns momentos históricos foram cruciais. A Revolução Industrial
intensificou o uso e a pressão sobre os recursos naturais renováveis e não
renováveis para atender à intensificação da produção industrial em escala. Com
a maior demanda por trabalhadores nas indústrias e em busca de “uma vida
melhor” – aos moldes capitalistas –, muitas pessoas saíram do campo para morar
nas cidades, processo que culminou na urbanização. A revolução verde levou ao
campo das tecnologias nunca vistas, permitindo incrementos anuais na
produtividade de vegetais e carnes, comercializados para atender a demanda
interna e externa das redes de mercado global.
EXEMPLIFICANDO.png
quebra cabeças.png
Recursos naturais renováveis são aqueles que possuem maior
capacidade de manutenção e não se esgotam facilmente, são exemplos: água, solo,
matéria orgânica e vento. Os recursos naturais não renováveis são aqueles que
se esgotam quando usados sem práticas sustentáveis e seu tempo de reposição não
é comparado à cronologia de vida humana, são exemplos: petróleo, carvão
mineral, gás natural, xisto betuminoso e energia nuclear. Com exceção à energia
nuclear, todos os exemplos citados são de origem fóssil.
Estas transformações foram e são acompanhadas pelos impactos
negativos ao meio ambiente e à perda de características sociais: há aumento das
áreas desmatadas, da poluição atmosférica, do solo e hídrica, perda de
biodiversidade, os produtos consumidos não são corretamente descartados, há
aumento da desigualdade social, entre outros (Figura 2).
Figura 2. Poluição ambiental resultante da produção
industrial. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 30/09/2020.
Figura 2. Poluição ambiental resultante da produção
industrial.
Fonte: Shutterstock. Acesso em: 30/09/2020.
Nos dias de hoje, uma vez que é indiscutível que diversas
fronteiras ecoló- gicas mundiais foram ultrapassadas, o mundo globalizado vem
exigindo con- tinuamente modelos de produção de bens e serviços obtidos por
meio de tec- nologias que repensem questões de competitividade e que considerem
formas de mitigação do impacto social e ambiental.
A importância da avaliação dos danos que a produção e os
processos têm sobre o ambiente e a sociedade toma forma neste contexto. Além da
avaliação, ações de gestão que contribuam para o desenvolvimento ambiental e
para o despertar da responsabilidade socioambiental devem ser propostas por
gover- nos, empresas e cidadãos.
A responsabilidade socioambiental como compromisso da
modernidade
Assistimos em noticiários, nas redes sociais e vivemos
diretamente as questões ambientais. Comumente, ouvimos falar sobre
responsabilidade socioambiental. Isso vem acontecendo porque o mundo moderno se
deu conta de que os impactos dos nossos hábitos de produção e consumo não estão
alinhados com o poder de resiliência do planeta, uma vez que seus recursos são
limitados. Por esse motivo, instituições públicas e privadas, organizações
governa- mentais e não governamentais têm se dedicado cada vez mais a programas
de implementação de práticas socioambientais e de conscientização da população.
A ideia consiste em identificar, eliminar ou, ao menos, reduzir o impacto
negativo que uma determinada atividade possa causar.
EXEMPLIFICANDO.png
quebra cabeças.png
Diversas organizações governamentais e não governamentais se
dedicam à causa socioambiental. Veja alguns exemplos a seguir:
- Plano nacional de juventude e meio ambiente (PNJMA);
- Agenda ambiental na administração pública;
- Instituto de pesquisas socioambientais (IPESA);
- Instituto socioambiental (ISA);
- Fundo casa socioambiental;
- Verdejar
socioambiental;
- Instituto Ethos.
Uma vez que elas já existem e não se mostraram totalmente
efetivas, as práticas de responsabilidade socioambiental vão além de Leis.
Atualmente, os programas devem fomentar e inserir a responsabilidade
socioambiental como um compromisso diário a ser adotado pela sociedade, de
forma a garantir a existência de um mundo melhor para as futuras gerações.
Lembrando que se trata de uma vertente global, diversas
ações podem ser adotadas a fim de
inserir as práticas de
responsabilidade socioambiental
no dia a dia pessoal e profissional. Hoje, a sociedade sabe identificar
cidadãos, instituições, organizações e empresas que investem em políticas e na
cultura organizacional sustentável, posicionando-se de
forma ética e responsável.
A responsabilidade
socioambiental governamental, cidadã e empresarial
Todos são responsáveis pela elaboração, difusão e aplicação
das práticas de responsabilidade socioambiental; entre seus agentes, estão os
governos, as cidades e as empresas.
O governo atua na pauta socioambiental, formulando leis e
ações de conscientização que atingem a sociedade civil e empresarial. Para que
os cidadãos se tornem cientes, possam exigir e exercer a responsabilidade
socioambiental, o governo deve encontrar meios para que as políticas públicas
estejam próximas dos cidadãos, divulgando-as nos meios de comunicação e redes
sociais, adequando currículos escolares e financiando instituições de pesquisa.
Além disso, a gestão socioambiental deve ouvir os cidadãos por meio de seus
representantes municipais e estaduais, bem como a iniciativa privada e as
organizações não governamentais. No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente (MMA)
e suas esferas são responsáveis pelo desenvolvimento de políticas públicas que
tenham como objetivo promover a produção e o consumo sustentáveis. Além disso,
também é responsabilidade do governo promover o crescimento do País adotando
práticas de desenvolvimento sustentável, ou seja, grandes obras de interesse
social devem fazer uso de práticas sustentáveis e serem baseadas em estudos de
impacto ambiental.
As cidades e seus cidadãos têm o compromisso de exercer as
práticas de responsabilidade socioambiental. Para isso, como mostra o Quadro 1,
existem diversas ações que podem ser adotadas no nosso dia a dia. Devemos
exigir dos governantes, políticas que fomentem tal temática e dar preferência
ao consumo de produtos e serviços de empresas atuantes na causa socioambiental.
Quando nos colocamos como agentes ativos das práticas de
responsabilidade socioambiental, estamos indiretamente praticando
assistencialismo, inclusão social, inclusão digital e educação ambiental!
Envolver-se nessas ações nos torna cidadãos participativos e responsáveis, além
disso, as questões socioambientais vêm se tornando cada vez mais importantes e
moldando-se como um dever de todos.
Captura de tela 2022-01-14 150409.png
Os cidadãos exercem a responsabilidade socioambiental
individual. Ela consiste em atitudes individuais reiteradas para uma maior
preservação do ambiente a nossa volta. Devemos pensar que ela deve ser
praticada individual- mente, mas por todos nós, resultando em uma ação coletiva
e de grande poder ambiental. São exemplos de responsabilidade socioambiental
individual:
Evitar usar sacolas e embalagens plásticas;
Não desperdiçar alimentos;
Separar e reciclar o lixo;
Armazenar e destinar corretamente o óleo de cozinha;
Economizar água e energia elétrica, usando de forma
racional;
Adquirir eletrodomésticos com baixo consumo de energia.
As empresas que aderem à responsabilidade socioambiental
buscam conhecer as características regionais, ouvir seus colaboradores e
possuem processos e/ou serviços ambientalmente corretos. Elas reconhecem a sua
responsabilidade socioambiental e assumem voluntariamente compromissos que vão para além dos requisitos reguladores
convencionais, aos quais estão necessariamente vinculadas. Procuram elevar o
grau de exigência das normas relacionadas com a proteção ambiental, com o
desenvolvimento social e com o respeito aos direitos fundamentais, adotando uma
cultura organizacional aberta em que interesses de todas as esferas se
conciliam em direção a uma abordagem global da qualidade de vida e do
desenvolvimento sustentável.
Como podemos observar na Figura 3, adotando as práticas de
responsabilidade socioambiental e estratégias de marketing, além dos benefícios
sociais e ao meio ambiente, as empresas também melhoram sua imagem corporativa
e aumentam seus lucros. Ocorre ainda a valorização da marca, maior fidelização
dos clientes, redução dos custos, aprimoramento da comunicação externa e o
melhor desempenho dos empregados.
Figura 3. Ao adotar as práticas de responsabilidade
socioambiental há geração de lucro. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 30/09/2020.
Figura 3. Ao adotar as práticas de responsabilidade
socioambiental há geração de lucro.
Fonte: Shutterstock. Acesso em: 30/09/2020.
Empresas podem adotar práticas de responsabilidade
socioambiental por meio da adoção de programas e projetos de inclusão social ou
digital, de direitos das mulheres e inserção no mercado do trabalho de maneira
igualitária, por programas de alfabetização, reciclagem, reflorestamento e
recuperação de áreas degradadas e destinação e/ou liberação correta de resíduos
industriais (efluentes ou gasosos).
Aspectos legais
Seção 3 de 10
Faixa Divisão_Direito 01.png
No que diz respeito
às leis de responsabilidade socioambiental, pode-se dizer que o Brasil possui
uma das legislações mais complexas e avançadas do mundo. O cumprimento das leis
socioambientais nacionais é, em sua grande parte, de aspecto jurídico, mas também podem ser aplicáveis às
pessoas físicas.
A Constituição Federal de 1988 prevê que toda pessoa, física
ou jurídica, que apresentar conduta ou atividade que cause dano ao meio
ambiente estará passível de sanções penais administrativas, que serão aplicadas
independentemente da obrigatoriedade de recuperar o dano causado. O poluidor é
a pessoa jurídica ou física responsável, direta ou indiretamente, pelo dano
causado. O sujeito se responsabilizará pelo dano ambiental real e potencial,
que será estipulado por entidades da área. Uma vez que o meio ambiente é um
direito da atualidade e das gerações futuras, os prejuízos e dimensões do dano
são de interesse mundial, o que torna a ação jurídica de extrema relevância.
Contudo, há grande dificuldade na comprovação da escala do dano causado, devido
à complexidade de mensuração, assim, a responsabilidade deverá ser objetiva.
O Estado, uma vez que é o responsável pela saúde pública,
também pode ser responsabilizado pelo dano causado ao meio ambiente quando há
omissão de sua responsabilidade legal.
A Constituição Federal, alicerçada nos valores da
solidariedade, dignidade humana e justiça social, instituiu o “estado social”,
que deve orientar as relações sociais e econômicas. Para que cidadãos, governos
e empresas exerçam práticas de responsabilidade socioambiental, devemos ter em
mente que, antes de qualquer coisa, há necessidade da regulação das políticas e
dos direitos sociais, entre eles, educação, saúde, habitação e assistência
social.
Uma vez que há uma forte tendência de mudança com relação à
adoção de uma postura ambientalmente correta, a responsabilidade socioambiental
associada às penalidades legais e exercida pelas leis, normas e infrações devem
ser conhecidas e praticadas pela sociedade civil, governos e empresas.
Nas empresas, há a responsabilidade socioambiental
empresarial, que tem natureza de responsabilidade jurídica caracterizada como
encargos sociais que, quando não cumpridos, resultam em multas e/ou
penalidades. Os encargos sociais têm origem na Consolidação das Leis de Trabalho
(CLT). Eles são os custos pagos pelo empregador sobre a folha de pagamento de
salário dos colaboradores.
Leis socioambientais
brasileiras
O Quadro 2 lista algumas das leis ambientais mais
importantes no País. Existem também as leis estudais e municipais, bem como os
órgãos que se certificam de que elas estão sendo cumpridas, como o Conselho
Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) e o
Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Fonte: BRASIL. Acesso em: 01/10/2020.
Fonte: BRASIL. Acesso em: 01/10/2020.
A Lei 5.452 é uma das principais leis sociais brasileiras;
ela rege os direitos dos trabalhadores. Nela, são discutidas questões sobre
registro em carteira de trabalho e rescisão contratual, vale-transporte,
descanso semanal remunera- do, pagamento de salário, férias, fundo de garantia
do tempo de serviço (FGTS), décimo terceiro salário, hora extra, adicional
noturno, aviso prévio, licença maternidade e paternidade.
A responsabilidade social empresarial aborda questões que
vão além das regulamentadas por lei. Ela trabalha a igualdade de oportunidades.
Deve considerar os critérios de promoção dos funcionários, igualdade de gênero
e pessoas com deficiência, acidentes de trabalho, capacitação continuada para o
aprimoramento do nível do conhecimento do colaborador, além da relação ética
entre os colaboradores.
A responsabilidade socioambiental além das exigências legais
Quando uma empresa ou organização segue leis de cunho
socioambiental ou normas determinadas por lei, ela está exercendo seu papel
como pessoa jurídica, ou seja, a empresa está somente seguindo os aspectos
jurídicos inerentes ao seu setor. Ser uma empresa social e ambientalmente
responsável vai além das obrigações legais e econômicas: significa que ela se
posiciona e atua no combate aos problemas, buscando o desenvolvimento
socioambiental sustentável.
A série ISO (International Organization for Standardization
– organização internacional para padronização) estabelece sistemas de gestão na
cultura organizacional de empresas. As séries ISO são compostas por normas que
vão além das exigências legais e algumas podem se tornar tão importantes que
passam a ser exigidas em lei. As normas ISO no Brasil são controladas pela ABNT
NBR (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
A série ISO 14001 possui normas de gestão ambiental que
permitem que a empresa pratique ideias de mitigação dos possíveis danos
ambientais decor- rentes de sua atividade, objetivando tornar-se sustentável no
curto e no longo prazo. A norma estabelece algumas práticas:
Implementação de um sistema de gestão ambiental;
Rotulagem ambiental;
Análise de desempenho ambiental;
Análise de ciclo de vida;
Integração de aspectos ambientais no projeto e
desenvolvimento de produtos;
Comunicação ambiental;
Mitigação das mudanças climáticas.
A adoção das normas também pode trazer benefícios, como:
Redução de custos devido ao uso de matéria-prima, água e
energia de forma consciente;
Captação de novos clientes, devido à inserção no mercado
ambiental;
Melhoria dos processos inter e intra setoriais, bem como, da
cultura organizacional;
Menor risco de falência;
Abertura a patrocínios e boa visão internacional;
Possível diversificação setorial;
Adesão de novos grupos de clientes;
Maior qualidade e controle dos produtos, serviços e
processos.
A série ISO 9000 fornece meios para implementação e
monitoramento con- tínuo de técnicas para otimização de processos pela
implementação de um sistema de gestão da qualidade. As normas que compõem a
série ISO 9000 estão sempre sendo atualizadas e são conhecidas e desejadas por
empresas do mundo todo. Aderir às normas ISO 9000 traz uma série de benefícios:
Aumento da produtividade;
Redução de custos;
Produtos e serviços de maior qualidade;
Credibilidade e reconhecimento interno e externo;
Visão mais ampla do fluxo de trabalho;
Segurança nos procedimentos internos;
Colaboradores engajados e integrados.
A série ISO 45001 implementa um sistema de gestão de saúde e
segurança ocupacional com foco na melhoria do desempenho das empresas em termos
de saúde e segurança do trabalho. Segundo a própria norma, uma organização é
responsável pela saúde e segurança ocupacional dos trabalhadores e outros que
podem ser afetados por suas atividades. Esta responsabilidade inclui pro- mover
e proteger sua saúde física e mental.
Podem ser citadas como benefícios da implementação da norma
ISO 45001 em uma empresa:
Gerenciamento de risco e acidentes de trabalho;
Redução de afastamentos por acidente de trabalho;
Maior qualidade de vida e melhor relacionamento empregador x
empregado;
Redução dos prejuízos financeiros devido a processos
trabalhistas.
A ISO 50001 tem objetivo de melhorar a eficiência enérgica
das empresas. Implementando um sistema de gestão de energética, a empresa tem
como benefícios:
Uso de tecnologias modernas e eficientes;
Redução dos custos com energia;
Redução da emissão de gases de efeito estufa e das mudanças
climáticas.
A adoção das normas ISO atesta a responsabilidade no
desenvolvimento das atividades de uma empresa. Para sua obtenção e manutenção,
são realizadas auditorias periódicas por uma empresa certificadora, que deve
ser credenciada e reconhecida por órgãos nacionais e internacionais.
Organizações que aderem às normas ISO possuem sistema de manejo integrado e se
colocam no mercado como responsáveis socioambientalmente.
Desenvolvimento sustentável
Seção 4 de 10
meio ambientw.jpg
O crescimento econômico no século XX se desenvolveu nos
moldes capitalistas, passando a depender do consumo cada vez maior de energia e
recursos naturais (recursos renováveis e não renováveis). Atrelado a isto, da
década de 1950 em diante, a preocupação com uma eminente explosão demográfica
global resultante do crescimento dos países pobres causou um interesse global
pelos temas populacionais. Iniciaram-se diversos movimentos para controlar a fecundidade dos países pobres. Na
Conferência Mundial de População, realizada pela ONU em Bucareste, 1974, de um
lado, os países desenvolvidos articulavam que, para reduzir a pobreza, deveriam
haver programas de estímulo à redução do crescimento da população por meio de
redução da taxa de natalidade, do outro, os países pobres e em desenvolvimento
defendiam que políticas de desenvolvimento eram necessárias.
Após longos períodos de debates, constatou-se que os moldes
de desenvolvimento até então adotados poderiam ser insustentáveis, e novos
meios de produção e consumo deveriam ser
adotados uma vez que a disponibilidade dos recursos era finita.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a produção
sustentável baseia-se na incorporação, ao longo do ciclo de vida de bens e
serviços, de medidas que minimizem os custos ambientais e sociais resultantes
da ação humana. Sobre consumo sustentável, entende-se como o uso de bens e
serviços suficientes para atender às necessidades básicas, proporcionando
melhor qualidade de vida, enquanto reduz o uso de recursos naturais e materiais
tóxicos, a geração de resíduos e a emissão de poluentes.
De acordo com o Relatório de Brundtland, os principais
objetivos das políticas de desenvolvimento sustentável seriam os seguintes:
Retomar o crescimento;
Alterar a qualidade do desenvolvimento;
Atender às necessidades essenciais do emprego, educação,
alimentação, saúde, energia, água e saneamento;
Manter um nível populacional sustentável;
Conservar e melhorar, por meio da tecnologia, as bases dos
recursos;
Incluir o meio ambiente e a economia nas decisões que afetem
a sociedade. Para atingir tais objetivos de produção e consumo, a modificação
das organizações deveria ser contínua, contar com o apoio da ciência e
manter-se dinamicamente equilibrada. Práticas produtivas exploratórias,
predatórias e que visassem o lucro deveriam dar espaço para relações sociais
justas e para bem-estar dos seres vivos.
Em um primeiro momento, a busca pelo desenvolvimento
sustentável das nações parece limitar seu potencial de desenvolvimento. Na
realidade, deve-se entender o desenvolvimento sustentável como um conjunto de
práticas que não limite o desenvolvimento econômico, mas que considere que os
recursos naturais são finitos e devem ser usados sob um viés conservacionista.
Assim, se estabelece um paradigma que consiste em diminuir o consumo e a
exploração dos recursos renováveis e não renováveis pelos países desenvolvidos,
garantindo que países industrializados– em desenvolvimento – possam se modernizar,
proporcionando qualidade de vida às suas populações em sinergia com o meio
ambiente.
Muito se discute sobre desenvolvimento sustentável; às
vezes, há consenso entre as atitudes a serem adotadas, às vezes, não há. De
fato, diversas ações foram tomadas e cada vez fica mais evidente que ainda há
muito a ser feito.
A Organização das Nações Unidas vem se posicionando como uma
grande difusora das ideias de desenvolvimento sustentável no mundo todo.
Assista ao vídeo da Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento
Sustentável, realizada em 2015.
A Organização das Nações Unidas vem se posicionando como uma
grande difusora das ideias de desenvolvimento sustentável no mundo todo.
Assista ao vídeo da Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável,
realizada em 2015.
Ações globais rumo ao desenvolvimento sustentável
Chegamos a um ponto em que assuntos relacionados aos
impactos da ação humana, bem como sobre a necessidade das práticas de
responsabilidade social são vistos diariamente nos meios de comunicação. Cada
dia mais é exigido que a sociedade adote uma postura de mudança diante de seus
meios de produção e de suas opções de consumo.
As consequências do desenvolvimento em condições de
insustentabilidade fizeram com que diversos cientistas discutissem a
transgressão das fronteiras planetárias. As fronteiras planetárias se referem
ao poder de fornecimento de recursos e da resiliência do planeta diante dos
hábitos e moldes de produção e consumo. O conceito pode ajudar a sociedade
civil e o poder público na definição de modelos de produção seguros para a
humanidade e a vida na Terra. As nove fronteiras planetárias, segundo Martine e
Alves, são:
[...] mudanças climáticas; mudança na integridade da
biosfera (perda de biodiversidade e extinção de espécies); depleção da camada
de ozônio estratosférico; acidificação dos oceanos; fluxos biogeoquímicos
(ciclos de fósforo e nitrogênio); mudança no uso da terra; uso global de água
doce; concentração de aerossóis atmosféricos; e introdução de poluentes
orgânicos, materiais radioativos, nano materiais e micro plásticos. Das nove, quatro
já foram ultrapassadas: mudanças climáticas, perda da integridade da biosfera,
mudança no uso da terra e fluxos bi0geoquímicos.
MARTINE; ALVES, 2015, p. 445
[...] mudanças climáticas; mudança na integridade da
biosfera (perda de biodiversidade e extinção de espécies); depleção da camada
de ozônio estratosférico; acidificação dos oceanos; fluxos biogeoquímicos
(ciclos de fósforo e nitrogênio); mudança no uso da terra; uso global de água
doce; concentração de aerossóis atmosféricos; e introdução de poluentes
orgânicos, materiais radioativos, nano materiais e micro plásticos. Das nove,
quatro já foram ultrapassadas: mudanças climáticas, perda da integridade da
biosfera, mudança no uso da terra e fluxos bi0geoquímicos.
MARTINE; ALVES, 2015, p. 445
Sobre o aquecimento global e mudanças climáticas, devemos
considerar duas situações. A primeira trata do efeito estufa natural, que
consiste na absorção, pelos gases do efeito estufa, dos raios infravermelhos
emitidos pela superfície terrestre. Este processo permite que a superfície
terrestre se mantenha em temperaturas ideais para os seres vivos. A segunda
situação aborda o efeito estufa antrópico, no qual o aumento da concentração
atmosférica dos gases do efeito estufa, causados pelo uso excessivo de recursos
não renováveis – como os combustíveis fósseis –, resulta no aumento da
temperatura da superfície terrestre, chamado de aquecimento global (Figura 4).
Figura 4. À esquerda, efeito estufa natural e, à direita,
efeito estufa causado pela atividade humana que resulta em aumento da
concentração dos gases do efeito estufa na atmosfera, entre eles o dióxido de
carbono (CO2), metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Fonte: Adobe Stock. Acesso
em: 30/09/2020.
Figura 4. À esquerda, efeito estufa natural e, à direita, efeito
estufa causado pela atividade humana que resulta em aumento da concentração dos
gases do efeito estufa na atmosfera, entre eles o dióxido de carbono (CO2),
metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O).
Fonte: Adobe Stock. Acesso em: 30/09/2020.
A sociedade vem discutindo ativamente as consequências do
segundo caso, bem como as formas de mitigar as emissões reduzindo a velocidade
das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global.
Os cientistas relatam que, caso nenhuma ação seja tomada,
eventos extremos podem começar a acontecer, como: aumento da temperatura dos
oceanos, ondas de calor, alteração dos regimes pluviométricos, desertificação,
derretimento das calotas polares, redução da diversidade de fauna e flora,
entre outros.
O termo “pegada de carbono” refere-se ao consumo individual
diante das práticas de responsabilidade ambiental, ou seja, o quanto os hábitos
de uma pessoa podem impactar o desenvolvimento sustentável do planeta. A pegada
de carbono pode ser calculada, tornando-se um índice, geralmente, expresso em
emissão de dióxido de carbono – um dos principais gases do efeito estufa
causado pelo homem – que quantifica o efeito da utilização dos recursos sobre a
bioesfera. Estes dados individuais podem ser extrapolados para medir os efeitos
da atividade humana, servindo como base para elaboração de políticas públicas e
desenvolvimento de novos produtos.
faixa-menor.png
Você pode calcular a sua pegada de carbono pessoal ou
simplesmente saber mais sobre a pegada de carbono na sua região. Fornecendo
informações sobre sua dieta, seus hábitos de transporte e consumo de energia,
uma calculadora especializada fará os cálculos e você poderá comparar sua
pegada com a de pessoas de outros países.
5883094.png
Sem dúvida, não podemos conceber um mundo sem uso de fontes
energéticas. Porém, existem diversas alternativas sendo disponibilizadas e
aprimoradas pela ciência. Diante desse contexto, abordamos a ideia de energia
limpa.
Ela vem de fontes de energia renováveis (Figura 5), quando
optamos por utilizá-las, estamos
reduzindo a emissão de gases do
efeito estufa para a atmosfera. São
exemplos de energia limpa aquelas provenientes de fontes solares, eólicas,
geotérmicas, hidráulicas e maremotrizes.
Figura 5. Energia derivada de recursos não renováveis e a
energia limpa proveniente de fonte de energia renováveis.Fonte: Shutterstock.
Acesso em: 01/10/2020.
Figura 5. Energia derivada de recursos não renováveis e a
energia limpa proveniente de fonte de energia renováveis.
Fonte: Shutterstock. Acesso em: 01/10/2020.
Empresas que reduzem as emissões de gases do efeito estufa
em seus pro- cessos produtivos podem comercializar créditos de carbono. Esse
mercado internacional cresce anualmente. Os créditos baseiam-se na quantidade
de gás não emitido para a atmosfera, sendo que cada crédito se refere a uma
tonelada de dióxido de carbono equivalente (t CO2e). Não somente o dióxido de
carbono é contabilizado, outros gases causadores do aquecimento global também,
mas seus valores são calculados considerando sua equivalência em moléculas de
dióxido de carbono.
Os consumidores estão se tornando cada vez mais exigentes e
conscientes em relação à produção e à origem dos alimentos. Nesse sentido, a
agricultura intensiva vem avançando lentamente na busca de tecnologias e
processos que minimizem problemas de poluição e degradação dos recursos
naturais e que ofereçam produtos seguros ao consumidor final. Podemos citar o
zoneamento econômico-ecológico, a agricultura de precisão, a fixação biológica
de nitrogênio, as práticas de controle da erosão do solo, os sistemas de
plantio direto e o manejo integrado de pragas. Além disso, a produção orgânica
será decisiva como a agricultura do futuro, assim como os sistemas
agroflorestais, a agricultura sintrópica e o consumo local. Cada vez mais, os
consumidores buscam opções de produtos originários do modelo orgânico de
produção. Tais sistemas resultam em sustentabilidade no curto e no longo prazo,
uma vez que são baseados em práticas de responsabilidade socioambientais com
abordagens integradas. Os processos produtivos nesses sistemas são baseados nos
mecanismos e processos naturais que eliminam o uso dos agrotóxicos e
fertilizantes sintéticos.
As três dimensões da sustentabilidade
A responsabilidade socioambiental é alcançada por meio da
adoção de práticas de desenvolvimento sustentável por empresas, por políticas
governamentais e pela atuação do cidadão. Ela se concretiza sob o emprego das
três dimensões da sustentabilidade, como mostrado na Figura 6.
A esfera social, sob uma perspectiva sustentável de produção
e consumo, deve considerar a qualidade de vida dos seres humanos tendo em vista
a diversidade cultural, étnica, religiosa e de gênero, bem como questões
regionais da comunidade.
Do ponto de vista econômico, deve-se considerar o papel da
sociedade na rentabilidade e a viabilidade empresarial por meio de ações
ganha-ganha, de forma que haja retorno, na forma de lucro, ao investimento
realizado pelo capital privado e qualidade de vida aos colaboradores.
Figura 6. Tripé da sustentabilidade.Fonte: BERLATO; MERINO;
FIGUEIREDO, 2018. (Adaptado).
Figura 6. Tripé da sustentabilidade.
Fonte: BERLATO; MERINO; FIGUEIREDO, 2018. (Adaptado).
Na esfera ambiental da sustentabilidade, os processos de
produção e consumo deverão considerar a adoção de práticas ambientalmente
corretas. Termos como ecoeficiência, pegada de carbono, energia limpa e sete
R’s proporcionarão uma cultura organizacional ambiental nas empresas,
residências e espaços públicos, uma vez que conduzem ao desenvolvimento do
perfil de responsabilidade socioambiental.
Debates mundiais
Seção 5 de 10
Faixa Divisão_mundial.png
Em 1972, a ONU convoca a Conferência das Nações Unidas para
o Meio Ambiente, em Estocolmo, e a pauta ambiental começa a ser debatida
oficialmente, resultando no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Após alguns anos depois da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente
de1983, nasce um grande marco da pauta ambiental elaborado pela Comissão de
Brundtland, o relatório nomeado como Nosso futuro comum.
Após a Conferência, diversos outros eventos discutiram os
ideais e os meios de conduzir o desenvolvimento mundial para os moldes do
desenvolvimento sustentável. Em 1988, uma união entre a ONU Meio Ambiente e a
Organização Meteorológica Mundial (OMM) resultou na criação do Painel
Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC), sendo que os resultados
de pesquisas sobre mudanças climáticas realizadas no mundo todo são reunida se
relatórios e planos de ação são publicados periodicamente. A famosa Cúpula da
Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992, foi um marco de sua década, pois
discutiu a importância de se agregar os componentes sociais, econômico se
ambientais nas buscas pelo desenvolvimento sustentável e finalizou a Agenda 21.
O Protocolo de Kyoto, de 1997, estabeleceu metas obrigatórias de redução das emissões
de gases de efeito estufa nos 37 países signatários.
Em 2000, a Cúpula do Milênio das Nações Unidas definiu oito
objetivos concreto se mensuráveis, que foram acompanhados em escala nacional,
regional e global. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram
resultado de uma série de cúpulas multilaterais realizadas na década de 90
sobre as condições do desenvolvimento humano. A formulação dos ODM contou com
especialistas renomados de diversas áreas que estiveram focados na redução da
pobreza extrema observada, principalmente, nos países pobres e em
desenvolvimento.
Todos os países signatários da época aderiram ao acordo,
comprometendo-se em inserir em suas políticas, ações para alcançar os
objetivos. Os oito objetivos do milênio foram definidos conforme o Quadro 3.
Eles deveriam ser atingidos até 2015, quando seriam então discutidos novamente.
Fonte: ROMA, 2019.
Fonte: ROMA, 2019.
Em 2002, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável,
realizada na África do Sul, discutiu os compromissos e metas da Agenda 21 e
analisou suas conquistas, para então conceber uma Agenda 21 reformulada, com
ações concretas e tangíveis em relação àquelas estabelecidas em 1992.Em 2015,
foi definida uma nova agenda, a Agenda 2030. Ela foi desenvolvida em um
trabalho conjunto entre governos, entidades e sociedade civil. Entre outros, foram
definidos os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável(ODS’s), que tiveram
como base os ODM’s. Os ODS’s são o que se tem de mais atual com relação às
metas em direção a um mundo mais sustentável.
Agenda 21
A Cúpula da Terra, também conhecida como Eco-92 ou Rio 92,
realizou-se no Rio de Janeiro, em 1992, e finalizou a Agenda 21. Nela,
determinou-se a relevância dos países em parceria com empresas, organizações
governamentais e não governamentais em se comprometerem com estudos para
avaliar e com bater os problemas socioambientais. Desde a sua finalização, a
Agenda 21foi aprimorada e adaptada a condições mais palpáveis para os níveis de
desenvolvimento de cada País. É importante lembrar que cada País desenvolveu
sua Agenda 21, inclusive o Brasil. Ela discutiu assuntos de extrema relevância
socioambiental, como: combate à pobreza, mudança nos padrões de consumo,
cooperação internacional, proteção e promoção da saúde humana, proteção da
atmosfera e de ecossistemas, proteção da biodiversidade, proteção da infância,
desenvolvimento rural, Dia da Mulher, fortalecimento das populações indígenas,
dos trabalhadores, dos agricultores, do comércio e da indústria etc.
Contextualizando.png
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o
Desenvolvimento(CNUMAD) finalizou a Agenda 21, um documento dividido em 40
capítulos que aborda os meios para que seja adotado em escala planetária um
padrão de desenvolvimento sustentável. No total, 192 países acordaram e
assinaram a Agenda 21.
Mulher lendo livro.png
partir da Agenda 21, pôde-se refletir sobre a ação humana
segundo os moldes industriais e capitalistas. De forma sinérgica, buscou-se (e
busca-se até os dias atuais) promover a qualidade de vida e não apenas o
crescimento individual estimulado pela produção e consumo injustificado.
Agenda 2030
Em 2015, durante uma Assembleia Geral da ONU que ocorreu nos
Estados Unidos, elaborou-se um plano guia para a ação da comunidade
internacional, que elencava os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) e 169metas para erradicar a pobreza e promover vida digna a todos,
considerando os parâmetros sustentáveis de uso dos recursos naturais.
O documento Transformando o mundo: a Agenda 2030 para o
desenvolvimento sustentável, que deve ser cumprido até 2030, traz um plano de
ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade.
Os 17 ODS’s são:
Fonte: Plataforma Agenda 2030. (Adaptado). Acesso em:
01/10/2020.
Fonte: Plataforma Agenda 2030. (Adaptado). Acesso em:
01/10/2020.
Os objetivos e metas definidos na reunião devem ser
inseridos na realidade de cada País signatário, considerando suas prioridades
internas, mas voltando--se para um desenvolvimento global. Eles são integrados
e indivisíveis, e mesclam, de forma equilibrada, as três dimensões do
desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.
Contexto atual
Seção 6 de 10
Faixa Divisão_marketing 02.png
Captura de tela 2022-01-14 150409.png
Atualmente, a população brasileira é de, aproximadamente,
212 milhões de pessoas distribuídas ao longo das 27 unidades federativas que
compõem nosso País. Um dos principais indicadores que revela a riqueza de um
País é o seu Produto Interno Bruto (PIB), que calcula o valor de toda a riqueza
produzida por um País considerando o desempenho dos três setores que compõem a
economia. Em 2019, o PIB do Brasil foi de R$ 7,3trilhões e a ordem de
participação dos setores neste resultado foi: serviços, indústria e agropecuária
(IBGE, 2020). Com este resultado, o País ficou entre as dez maiores economias
do mundo (FUNAG, 2020).
Em contraponto, é o segundo País em área florestal no mundo
com, aproximadamente,12% do território coberto por florestas. Apesar de usarmos
mais fontes de energia não renováveis do que renováveis (56,5%), usamos mais
fontes renováveis do que o resto do mundo. Além disso, há riqueza de fauna e
flora, biomas diversificados e uma imensa diversidade étnico-cultural.
Uma vez que possui relevância econômica e ambiental e que há
contínuo fortalecimento de um perfil mundial voltado à questão da
responsabilidade socioambiental, o País posiciona-se em um contexto
estratégico, no sentido deque as organizações brasileiras podem se destacar
mundialmente de maneira positiva na geração de ambientes sustentáveis de
produção e consumo.
Nesse sentido, há destaque para organizações alicerçadas em
atitudes concretas, que adotam não somente ideologias, mas que praticam
rotineiramente as pautas mais atuais do desenvolvimento sustentável, como eco
eficiência e os7’Rs. Para isso, elas aprimoram-se e se reposicionam, utilizando
a tecnologia, a diversidade e os recursos sociais e ambientais do nosso País,
garantindo credibilidade nacional e internacional.
Ecoeficiência
O termo ecoeficiência refere-se ao uso consciente dos
recursos naturais nos processos produtivos e de consumo, de forma que não deixe
de atender às necessidades das pessoas. Produtos ecoeficientes devem focar no
uso consciente de matéria-prima renovável em processos produtivos que minimizem
a geração de resíduos, além disso, devem apresentar elevada produtividade sem
deixar de lado a qualidade. Basicamente, significa produzir mais com menos.
O conceito envolve a sociedade como um todo, uma vez que o
governo deve incentivar esse tipo de produção (fomentando pesquisas,
subsidiando e divulgando) e as empresas devem adaptar seus processos e
procedimentos operacionais.
Um sistema pode ser chamado de ecoeficiente se conseguir
produzir de
acordo com oito elementos
fundamentais:
Minimizando o uso de materiais dos bens e serviços;
Minimizando o uso de energia na produção de bens e serviços;
Minimizando a dispersão de
tóxicos;
Fomentando a reciclabilidade dos materiais;
Maximizando a utilização sustentável de recursos renováveis;
Estendendo a durabilidade dos produtos;
Promovendo a educação dos consumidores para um uso mais
racional dos recursos naturais e energéticos.
Algumas perguntas podem ser feitas pelos consumidores para
analisar a ecoeficiência do produto:
Ele minimiza o uso de fontes energéticas e maximiza a
utilização sustentável de recursos renováveis?
Ele utiliza em sua composição materiais tóxicos?
Ele descarta materiais tóxicos em seu processo produtivo?
Os materiais utilizados são recicláveis ou biodegradáveis?
O produto promove seu uso racional?
A marca adota a ideia de desenvolvimento sustentável?
Os 7 R’s da sustentabilidade
Os 7 R’s são um conjunto de práticas de educação ambiental
para garantir a mudança de hábitos em prol do desenvolvimento sustentável. A
questão central é a de repensar costumes e hábitos, reduzindo o consumo e o
desperdício. Os 7 R’s são verbos que nos passam a sensação de ação. Observe a
Figura 7.
Figura 7. Os sete R’s.
Figura 7. Os sete R’s.
Repense seus hábitos, consuma o que é realmente necessário.
Recuse produtos e serviços de origem insustentável, conheça a origem da
matéria-prima. Reduza o lixo gerado e, assim, o gasto energético no processo.
Repare seus produtos quebrados em vez de comprar novos. Reintegre, por exemplo,
compostando o lixo orgânico. Recicle o lixo, separe-o e leve para reciclagem.
Se não pode reciclar, reutilize, dando funções novas e sustentáveis aos
produtos. O foco está em pensar que não existe jogar fora!
Responsabilidade socioambiental como estratégia de gestão
Seção 7 de 10
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No mundo globalizado, as empresas têm se mostrado
responsáveis pelo direcionamento da economia dos países ou de conjuntos de
países. Entretanto, por muitos anos, o setor empresarial viveu uma realidade
própria, em geral, desvinculada das questões sociais e ecológicas. Os modelos
de produção não estavam em sintonia com as necessidades sociais e ambientais.
No passado, uma das maiores dificuldades para que as
empresas adotassem a gestão ambiental se baseava em uma ideia distorcida de que
o investimento em meio ambiente não atraía lucros, fazendo com que os custos
fossem repassados aos consumidores, resultando no aumento dos preços (COMINI et
al., 2013).
Em um contexto de intensas discussões sobre moral, ética e
justiça, diversos paradigmas vêm sendo quebrados. Se a situação vem mudando, os
resultados positivos podem ser entendidos, em grande parte, como consequência
da intensa atuação das políticas sociais e ambientais formuladas a partir de
dados científicos e apoiadas pela população.
A aderência aos pressupostos das ações de responsabilidade
socioambiental também resulta da percepção de que, ao investir no compromisso
voluntário de um futuro sustentável, está-se agindo coerentemente com o mercado
que migra em direção ao desenvolvimento sustentável e ao contínuo aumento de
sua rentabilidade.
Atualmente, sabe-se que as empresas que adotam práticas de
responsabilidade socioambiental possuem benefícios como: redução dos custos,
valorização da marca, transparência nas atividades, mais fidelização de
clientes, melhor comunicação externa, melhor desempenho dos processos e dos
empregados.
A responsabilidade socioambiental empresarial se refere às
ferramentas de gestão que analisam o cumprimento dos temas e que conduzem a
empresa ao desenvolvimento sustentável. Empresas comprometidas com essa questão
atendem a itens como:
Transformação em desempenho positivo das leis, regulamentos
e normas de adesão voluntária às quais está sujeita;
Conhecimento e promoção voluntária e proativa de ações de
desenvolvimento sustentável regional, nacional e internacional;
Possíveis danos ao meio ambiente e os impactos sociais
causados por seus produtos, processos e instalações são previamente
identificados;
Conhecimento antecipado de treinamentos e planos de
evacuação em casos de emergência ambiental;
Conhecimento dos métodos de resposta em casos de prevenção
ou mitigação dos impactos adversos;
Ciência, por parte da população local, do segmento da
empresa e dos impactos, positivos e negativos, decorrentes da sua atuação na
região;
Acessibilidade aos produtos e instalações.
Paradigma econômico, social e ambiental
As instituições públicas zelam pelo que é de interesse
coletivo da população por meio de normas, valores e regras. As instituições
particulares possuem caráter privado uma vez que guardam os interesses
individuais.
Apesar das distinções entre instituições públicas e
privadas, o meio ambiente, pelo fornecimento de recursos, e a sociedade, por
meio da sua força de trabalho, além de estarem intimamente relacionados e
possuírem caráter público, são as bases para a existência empresarial. Assim,
pode-se dizer que as empresas se colocam como instituições públicas com função
social, pois lidam subjetiva e materialmente com a sociedade e com o meio
ambiente, que são de extrema importância para a humanidade e pauta
internacional.
Consequentemente, espera-se que as empresas possuam uma
postura compromissada, que deve se espelhar nas questões econômicas, sociais e
ambientais. Desse modo, devem exercer suas atividades com base nas três
dimensões da sustentabilidade para que trabalhem em equilíbrio com as questões
econômicas, sociais e ambientais.
Por muitos anos, na economia capitalista, a obtenção de
lucro se mostrou um dos principais meios para se estimar o sucesso empresarial.
Decorre disso o fato de que, muitas vezes, as empresas se esquecem da ética e
agem a partir de atos oportunistas. Os países se diferem quanto às leis sociais
e ambientais que possuem, geralmente, refletindo seu grau de desenvolvimento.
Um país em desenvolvimento pode se tornar menos atrativo para a permanência de
empresas devido às leis sociais, fiscais ou ambientais que venham a promulgar.
Diversas vezes é possível constatar que agir de acordo com o que as leis
preconizam pode não ser suficiente para atender às expectativas da sociedade em
relação às empresas. As relações entre países e instituições públicas e
privadas devem ser fortalecidas para garantir a transparência das atividades
empresariais.
Diversas são as partes interessadas (stakeholders) que
afetam e são afetadas, influenciam e são influenciadas pelas empresas e que,
muitas vezes, possuem interesses conflitantes entre si e em relação à empresa
(Diagrama 1). É importante entender que buscar o melhor para si não resulta em
atingir o melhor para todos, então, as partes interessadas devem atuar de modo
que se equilibrem, considerando os três pilares da sustentabilidade.
Fonte: BARBIERI; CAJAZEIRA, 2016, p. 22. (Adaptado).
Fonte: BARBIERI; CAJAZEIRA, 2016, p. 22. (Adaptado).
Atualmente, sabe-se a importância do desenvolvimento
sustentável para garantir melhor qualidade de vida para a população e um futuro
sustentável para as gerações seguintes. A atuação empresarial, nesse contexto,
deve agir ativamente e em articulação com projetos que evitem a crise social e
ética de paradigmas econômicos, sociais e ambientais.
Empresa sustentável
Segundo Carroll (1979), a responsabilidade social das
empresas compreende as expectativas econômicas, legais, éticas e
discricionárias que a sociedade tem em relação às organizações em um
determinado período. Uma empresa responsável socioambientalmente deve ter como
objetivo o desenvolvimento sustentável e, por meio dele, exercer, em suas
relações internas e externas, o cumprimento das questões legais e o
posicionamento ético de modo integrado, considerando todas as expectativas das
partes interessadas.
Sempre haverá dificuldades para implantar as práticas de
responsabilidade socioambiental, já que envolvem uma diversidade de questões
que se traduzem em direitos, obrigações e expectativas de diferentes públicos,
internos e externos à empresa (BARBIERI; CAJAZEIRA, 2016).
Todavia, no Brasil, a Constituição Federal definiu que as
empresas devem observar os seguintes princípios:
Soberania nacional;
Propriedade privada;
Função social da propriedade;
Livre concorrência;
Defesa do consumidor;
Defesa do meio ambiente;
Redução das desigualdades regionais e sociais;
Busca do pleno emprego;
Tratamento favorecido para empresas de pequeno porte que
tenham sua sede e administração no País.
Desse modo, a Constituição Federal brasileira traz à tona a
ideia de desenvolvimento sustentável, colocando-o como uma das razões para a
limitação da atuação de uma empresa quando ameaça o uso racional dos recursos.
Empresas sustentáveis não esperam que leis ambientais sejam
elabora- das pelos países, e sim pensam globalmente e agem localmente,
adotando as três dimensões da
sustentabilidade em suas atividades (Diagrama 2). Essas três dimensões abrangem
a sustentabilidade econômica, social e ambiental, mas também abarca questões
de:
Sustentabilidade espacial
+
Sustentabilidade cultural
+
Sustentabilidade política
+
Sustentabilidade institucional
+
Fonte: BERLATO; MERINO; FIGUEIREDO, 2018, p. 4. (Adaptado).
Fonte: BERLATO; MERINO; FIGUEIREDO, 2018, p. 4. (Adaptado).
Modelos de gestão ambiental
O triple bottom line (resultado triplo) é um modelo de
gestão empresarial criado a partir das dimensões da sustentabilidade, e possui
como pressuposto básico que a responsabilidade social das empresas deve
contribuir para a superação das crises socioambientais.
Esse modelo propõe uma abordagem em que todas as formas de
capital sejam favorecidas ao longo do tempo por meio de uma gestão econômica,
social e ambiental responsável.
No modelo tradicional, as empresas obtêm aumento de valor de
mercado com geração de lucro líquido e consequente aumento da riqueza dos
acionistas. Na esfera econômica do tripé da sustentabilidade, as empresas
também obtêm desempenho financeiro positivo, mas consideram os custos sociais e
ambientais envolvidos em seus processos. Na esfera social, o capital social que
estão construindo deve ser considerado e seu conhecimento vislumbrado como
fator de competitividade. Na esfera ambiental, o diferencial desse modelo está
na obtenção de lucro líquido ambiental por meio da adoção do conceito de
capital natural baseado no modo como a empresa lida com a manutenção dos
recursos naturais e os serviços ambientais.
A partir do modelo triple bottom line, desenvolveram-se os 3
Ps – profit, peoplee planet (lucro, pessoas e planeta), cuja aplicação está
restrita às empresas, à medida que se associa a dimensão econômica ao lucro,
conforme ilustra a Figura 1 (BARBIERI; CAJAZEIRA, 2016).
Figura 1. O modelo 3 Ps. Fonte: BARBIERI; CAJAZEIRA, 2016,
p. 61. (Adaptado).
Figura 1. O modelo 3 Ps.
Indicadores, certificações, tecnologias e instrumentos de
gestão
Seção 8 de 10
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A sobrevivência e o sucesso de uma organização estão
diretamente relacionados à sua capacidade de atender às necessidades e
expectativas dos proprietários, dos clientes e da sociedade.
De acordo com a ABNT (2012), uma vez que as decisões e
atividades têm impacto ambiental, ações entre organizações públicas ou privadas
e o meio ambiente devem atuar no sentido de reduzi-los, sendo conveniente que a
organização adote uma abordagem integrada que considere as implicações
econômicas, sociais, na saúde e no meio ambiente de suas decisões e atividades,
direta e indiretamente.
Muito se tem trabalhado ao longo das últimas décadas para
garantir que as práticas de responsabilidade socioambiental sejam exercidas
pelas empresas e para que estejam alinhadas ao conceito de desenvolvimento
sustentável.
As práticas de responsabilidade socioambiental reestruturam
a cultura organizacional das empresas, influenciando as diversas instâncias da
gestão empresarial, tais como: a gestão financeira, o marketing, a produção, a
gestão de pessoas, a logística e o desenvolvimento de produtos.
Desse modo, é importante entender melhor os indicadores,
certificações, tecnologias e instrumentos de gestão que podem ser adotados
pelas empresas em busca de um desempenho ambiental eficiente.
Fontes de orientação estratégica
O ciclo PDCA (plan, do, check, act, ou seja, planejar,
fazer, verifi car e agir) busca a melhoria contínua dos processos das
organizações (Diagrama 3). Questões sobre como adotar novos ou como fazer a
melhoria de processos já existentes buscando um melhor desempenho
socioambiental podem ser resolvidas a partir dessa técnica.
Fonte: PATEL; DESHPANDE, 2017, p. 197. (Adaptado).
Fonte: PATEL; DESHPANDE, 2017, p. 197. (Adaptado).
Esse ciclo garante dois tipos de ações corretivas:
Ação corretiva temporária: busca a resolução do problema já
instaurado;
Ação corretiva permanente: consiste na investigação e
eliminação das causas e, portanto, visa a sustentabilidade do processo.
A ideia do ciclo PDCA é realizar o planejamento,
estabelecendo claramente os objetivos e as metas para que as ações sejam
programadas com embasamento. Além disso, descreve os processos que envolvem o
problema para entendê-lo e para identificar as áreas para melhorias. Para isso,
a utilização de fluxogramas e mapas dos processos é importante. Muitas
ferramentas estão disponíveis para coletar e interpretar dados, como
histogramas, gráficos de execução, de dispersão e de controle.
Compreendido o cenário atual, deve-se implementar o programa
estabelecido, promovendo a organização e o treinamento de funcionários e/ou
parceiros. As soluções decididas devem ser implementadas individualmente. É
importante que os responsáveis se certifiquem de que todas as etapas foram
totalmente compreendidas.
A fase de verificação é caracterizada por uma aprendizagem
significativa. Há a oportunidade de desenvolver planos atualizados, elevando o
processo a novos patamares, em vez de simplesmente consertar o que deu errado
na fase anterior. Se os resultados forem negativos, o trabalho de melhoria deve
recomeçar na fase de planejamento, pois, caso contrário, as soluções testadas
passam para a fase de ação. A verificação deve ser feita continuamente pelo
monitoramento e elaboração de relatórios que evidenciem com clareza os
resultados alcançados.
A atuação deve promover a melhoria contínua. Uma vez que o
ciclo atingiu essa etapa, as soluções são preparadas para implementação final
e, possivelmente, para adoção por outros setores da organização. Nessa etapa,
deve-se adotar normas e certificações para reconhecimento nacional e
internacional das melhorias realizadas, e, para manter a melhoria, é preciso
repetir o ciclo continuamente.
A Norma ISO 26000
A obtenção de certificados pelo atendimento de padrões
técnicos sobre produtos, processos produtivos, métodos e ensaios é um grande
diferencial para as empresas. Em alguns casos, a norma que fornece o
certificado é tão importante que se torna uma lei. Criada em 1947 e mais
conhecida por sua sigla ISO, a principal organização de normalização é a
International Organization for Standardization.
O objetivo da ISO é desenvolver padrões e atividades para
facilitar as trocas de bens e serviços no mercado internacional e promover a
cooperação entre os países nas esferas científicas, tecnológicas e produtivas
(BARBIERI; CAJAZEIRA, 2016).
As normas de gestão da ISO se aplicam a qualquer
organização, pois não são normas de conteúdo, mas de procedimentos que podem se
adequar ao segmento da empresa que a adota. Todas elas adotam o ciclo PDCA para
melhoria contínua dos processos. A certificação requer auditorias periódicas de
avaliação.
A ISO possui normas adotadas mundialmente, entre as mais
importantes estão as séries ISO 9000, de gestão da qualidade, e a ISO 14000,
sobre sistemas de gestão ambiental.
A norma ISO 26000 foi desenvolvida para organizações que
querem adotar um sistema de gestão focado em responsabilidade social e
desenvolvimento sustentável. Por fazer uso de termos como “pode” ou “convém
que” em seu texto, pode-se dizer que é uma norma-guia não certificável que
busca, por meio de suas diretrizes, mais fazer indicações e recomendações do
que exigir ou tornar algo obrigatório.
A norma ISO 26000 aborda sete temas centrais voltados para a
responsabilidade social das organizações:
Governança organizacional;
Direitos humanos;
Práticas de trabalho;
Meio ambiente;
Práticas leais de operação;
Questões relativas aos consumidores;
Envolvimento e desenvolvimento da comunidade.
Essa norma elenca princípios específicos associados ao meio
ambiente, que discutem quatro questões centrais definidas por uma descrição de
expectativas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, sendo eles:
Princípio da responsabilidade ambiental
+
Princípio da precaução
+
Gestão de risco ambiental
+
Poluidor pagador
+
Desse modo, as empresas devem considerar o emprego da gestão
ambiental seguindo abordagens estratégicas, como: ciclo de vida de produtos,
avaliação de impacto ambiental, produção mais limpa e ecoeficiência, abordagem
por sistemas de produto-serviço, uso de tecnologias e práticas ambientalmente
saudáveis, práticas de compras sustentáveis (priorizar produtos ou serviços com
impactos minimizados e fazer uso de sistemas de rotulagem confiáveis) e
aprendizagem e conscientização.
O Quadro 2 destaca as principais questões abordadas pela ISO
26000.
n.jpg
Se a organização elaborou e mantém um sistema de gestão
ambiental seguindo os requisitos da norma ISO 14001, deve haver grandes chances
dos princípios da norma ISO 26000 terem sido atendidos, principalmente o
princípio da gestão do risco ambiental. A série ISO 14001 possui normas de
gestão ambiental que permitem que a empresa pratique ideias de mitigação dos
possíveis danos ambientais decorrentes de sua atividade, objetivando se tornar
sustentável no curto e no longo prazo. A norma ISO 14001 estabelece práticas de
responsabilidade ambiental, como:
Implementação de um sistema de gestão ambiental;
Rotulagem ambiental;
Análise de desempenho
ambiental;
Análise de ciclo de
vida;
Integração de aspectos ambientais no projeto e
desenvolvimento de produtos;
Comunicação ambiental;
Mitigação das mudanças climáticas.
Indicadores e índices de sustentabilidade
Os indicadores e índices podem ser usados para avaliar o
desempenho em relação aos objetivos do desenvolvimento sustentável e compará-lo
entre cidades, países, blocos econômicos e organizações públicas e privadas;
estimam se as instituições estão crescendo econômica e ambientalmente de acordo
com o objetivo proposto.
Os indicadores são compostos por parâmetros ou valores,
analisados em grupos ou isoladamente a partir de estratégias de gestão
definidas antecipadamente. A partir dos indicadores são avaliadas as condições
do sistema de gestão e se a estratégia adotada previamente está gerando
resultados. Desse modo, são importantes por informarem às partes interessadas
sobre o desempenho positivo ou negativo em uma determinada questão.
Nesse sentido, indicadores que avaliam os resultados das
ações de responsabilidade socioambiental empresarial capturam e antecipam
tendências para informar os tomadores de decisão, assim como orientam o
desenvolvimento e o monitoramento de políticas e estratégias. Os indicadores do
desenvolvimento sustentável (indicadores de sustentabilidade) informam se o
desempenho da empresa está ocorrendo em harmonia com o meio ambiente e têm
papel importante no monitoramento, na avaliação e na efetivação do desenvolvimento
sustentável. Os indicadores de sustentabilidade analisam se o impacto ambiental
gerado por uma empresa permite que o planeta seja resiliente.
Os indicadores ambientais devem ser:
Comparáveis: devem permitir comparações e mostrar as
mudanças ocorridas;
Equilibrados: devem distinguir o mau e o bom desempenho;
Contínuos: devem ser formulados a partir de critérios
similares e considerar períodos comparáveis;
Temporais: devem ser revistos regularmente para permitir o
uso de medidas atualizadas;
Claros: devem ser de fácil compreensão.
Os indicadores de desenvolvimento sustentável do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são exemplos importantes para
mostrar o grau de desenvolvimento sustentável no Brasil. O IBGE analisa
indicadores de sustentabilidade considerando as três dimensões da
sustentabilidade, dos quais destacam-se:
Concentrações de poluentes no ar e em áreas urbanas;
Queimadas e incêndios florestais;
População residente em áreas costeiras;
Acesso a tratamento de esgoto;
Espécies extintas ou em risco;
Crescimento populacional;
Mortalidade infantil;
Consumo de energia per capita.
dica.png
5933811.png
No Brasil, a construção de indicadores de desenvolvimento
sustentável se integra ao conjunto de esforços para concretização das ideias e
princípios formulados na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, de 1992.É importante conhecer as diversas informações sobre
como estamos trabalhando rumo ao desenvolvimento sustentável. O documento é
interativo e de acesso gratuito.
https://bit.ly/3gXnp2R
Para a formulação de indicadores de desenvolvimento
sustentável empresarial, pode-se citar os Indicadores Ethos para Negócios
Sustentáveis e Responsáveis, criados pelo Instituto Ethos. A ferramenta elabora
indicadores a partir de um questionário e tem como foco avaliar o grau de
incorporação da sustentabilidade e da responsabilidade social aos negócios,
auxiliando na definição de estratégias, políticas e processos. Trata-se de uma
ferramenta gratuita de aprendizagem, avaliação e monitoramento das ações de
responsabilidade socioambiental, estruturada em temas e subtemas com um
questionário agrupado em dimensões baseadas na norma ISO 26000.
Os indicadores são diferentes dos índices. Os índices são
feitos da junção de um conjunto de indicadores e são instrumentos de tomada de
decisão e previsão, pois permitem conhecer o endividamento e os riscos
associados para os investimento e funcionam como um retrato das condições da
empresa, refletindo sua saúde econômica, social e ambiental.
Como exemplo, pode-se citar o Índice de Sustentabilidade
Empresarial (ISEB3), que é uma ferramenta de análise comparativa do desempenho
das ações de sustentabilidade das empresas constantes nas listas da B3 (Brasil
Bolsa Balcão) sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em
eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança
corporativa. O ISE B3 está fundamentado na eficiência econômica e na equidade
ambiental, além de possuir transparência em seus processos, uma vez que também
possui fundamentos na governança coorporativa e na promoção da justiça social.
Atualmente, o ISE B3 se caracteriza como um norteador para os fundos de
investimento e valoriza as empresas de capital aberto ao lidar com uma questão
tão demandada pela sociedade atual.
dica.png
5933811.png
Entenda o que é, conheça sua missão, fundamentos, objetivos
estratégicos e a versão atual do Questionário ISE B3.
https://bit.ly/3sJfJa9
Muitas empresas prestadoras de serviços estratégicos fazem a
análise dos índices de sustentabilidade por meio de softwares de gestão de
indicadores ambientais, por plataformas de análise de vulnerabilidade e
licenciamento ambiental, auxiliando na adoção de programas e selos ambientais.
Infelizmente, na maioria das vezes, tais serviços estão disponíveis somente
para empresas de grande porte devido ao seu alto custo.
Tecnologias resultantes da gestão ambiental
A adoção de práticas de responsabilidade socioambiental nas
estratégias de gestão empresarial tem permitido, se não exigido, o
desenvolvimento de tecnologias inovadoras, tanto na produção de bens quanto na
prevenção de impactos negativos ao meio ambiente. Tais tecnologias estão
disponíveis em diversos segmentos empresariais e, em geral, são resultado de
demandas dos clientes. Pode-se afirmar que, na atualidade, para ser considerado
um bom processo ou produto não basta ser eficiente industrialmente, também há a
necessidade de ser eficiente ambientalmente.
Algumas tecnologias com melhor desempenho ambiental já devem
estar presentes no seu dia a dia. O Quadro 3 destaca alguns exemplos.
Captura de tela 2022-01-14 150409.png
Tecnologias industriais que resultam na redução do consumo
de água ou da queima de biomassa, que reduzam a geração de resíduos ou que
aumentem a eficiência dos processos de tratamento de efluentes, bem como que
resultam em produtos com menor utilização de elementos tóxicos ou de fontes não
renováveis têm sido foco dos setores de pesquisa e desenvolvimento de empresas
e de instituições de pesquisa, pois trazem benefícios econômicos e ambientais.
Marketing ambiental
Seção 9 de 10
meio ambientw.jpg
O marketing ambiental ou marketing verde é uma estratégia
adotada para promover a divulgação e aumentar as vendas de produtos e serviços
que tenham bases ambientalmente corretas. Por meio dele é possível vincular uma
marca, produto ou serviço a uma imagem ecologicamente correta.
Os produtos e serviços passíveis do marketing ambiental
devem ser resultado de um impacto ambiental mínimo, tanto ao se considerar os
elementos que com põem o produto quanto os que estão relacionados ao seu
processo produtivo.
Diante da crescente demanda por práticas de
sustentabilidade, o marketing ambiental pode trazer às empresas vantagens
competitivas, o recrutamento de novos clientes e a garantia de sua
sobrevivência no mercado.
Existem quatro pilares elaborados para que as empresas
possam aplicar o marketing ambiental em seus produtos ou serviços de modo
sustentável:
Ser ecologicamente correto;
Ser economicamente viável;
Ser socialmente justo;
Ser culturalmente aceito.
Tendências mundiais sobre o perfil do consumidor
Na maioria dos países, a preocupação com o meio ambiente
cresceu. Questões sobre o uso de fontes de energia renováveis, sobre o
desmatamento, as mudanças climáticas e a poluição atmosférica são apontadas como
os maiores problemas ambientais da atualidade.
Os consumidores, de modo geral, consideram importante
comprar produtos e serviços de empresas que respeitam o meio ambiente, mas
quando são questionadas sobre o que é importante para decidir consumir de uma
empresa, preocupações básicas relacionadas a custo-benefício são listadas antes
de questões sobre responsabilidade socioambiental e produtos ambientalmente
corretos. Preço bom, qualidade, confiabilidade e atendimento ao cliente estão
entre os atributos empresariais mais importantes entre os consumidores. Essas
respostas indicam que, de acordo com o posicionamento dos clientes, as empresas
não devem sacrificar os fundamentos da marca para as questões ambientais,
entretanto, devem manter um equilíbrio entre os atributos desejados e o
compromisso com o desenvolvimento sustentável.
Em geral, consumidores estão dispostos a comprar mais
produtos ambientalmente corretos e a pagar até 10% a mais para produtos
ecológicos, mas muitos relatam problemas que prejudicam a compra, como a
rotulagem confusa ou não confiável, preço muito discrepante em comparação aos
produtos não verdes, falta de disponibilidade e pouca variedade.
Os consumidores de produtos ambientalmente corretos procuram
produtos que usem menos embalagens plásticas, e sim biodegradáveis ou
recicláveis; além disso, apoiam-se nas informações presentes nas embalagens e
em certificações para decidir sobre qual produto comprar.
Iniciativas de marketing ambiental
É necessário que as empresas realizem a divulgação de ações
de marketing ambiental aos seus clientes somente depois de realmente adotarem
uma postura ambientalmente correta em sua cultura organizacional, por meio de
ações de responsabilidade socioambiental. Para fazer propagandas sobre essa
postura ambientalmente correta, as pequenas e grandes empresas podem:
Adotar os 3 Rs da sustentabilidade: reduzir, reutilizar e
reciclar;
Incorporar os 4 Ss: aceitação social, satisfação do
consumidor, segurança e sustentabilidade;
Usar selos verdes (certificação ambiental) para legitimar o
posicionamento da empresa;
Participar de programas de promoção dos três pilares da
sustentabilidade;
Escolher fornecedores e parceiros ecologicamente corretos.
Empresas conhecidas no mundo todo têm adotado iniciativas
ambientais e divulgado suas ações em todos os meios de comunicação disponíveis,
sendo exemplos de destaque:
Microsoft
–
já foi eleita a empresa mais sustentável do mundo.
Desenvolveu, por exemplo, um sistema de inteligência artificial para combater o
aquecimento global;
Coca-cola
–
em 2012, mudou a cor das latas e rótulos para conscientizar
a sociedade sobre a necessidade proteção dos ursos polares, um dos personagens
símbolos da marca;
Nike
–
criou o Making App para inspirar designers de moda a
trabalhar com materiais ecológicos a partir de seus produtos;
Toyota
–
desenvolveu o Prius, o primeiro veículo híbrido do mundo.
Cooperação, articulações intersetoriais e promoção do
desenvolvimento
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Captura de tela 2022-01-14 150409.png
A criação de grupos de trabalho pode auxiliar na construção
de uma importante ferramenta de coordenação e efetivação das práticas de
responsabilidade socioambiental, ao possibilitarem a construção compartilhada
de projetos de cooperação, articulação e promoção do desenvolvimento
sustentável, que dão direção comum e estratégica às questões econômicas,
sociais e ambientais. Tais ferramentas são os meios para superar as hierarquias
institucionais e as relações de poder entre setores, políticas e segmentos sociais.
Dentro dos pressupostos do desenvolvimento sustentável de
propor, estimular, promover e monitorar as ações de responsabilidade
socioambiental e a minimização dos impactos negativos sociais e ambientais, a
adoção destas ferramentas acabará por:
bullet
Estimular discussões sobre responsabilidade socioambiental
nas organizações e divulgar legislações e normas;
bullet
Potencializar o resultado de ações de capacitação;
bullet
Construir e organizar conhecimento e objetivos de
aprendizagem;
bullet
Propiciar o uso racional de matéria-prima, equipamento,
força de trabalho, imóveis, infraestrutura e contratos;
bullet
Aperfeiçoar o uso de recursos orçamentários;
bullet
Aumentar as colaborações entre as instituições de ensino e
pesquisa e as organizações públicas e privadas;
bullet
Realizar o intercâmbio de experiências entre os signatários.
A construção de espaços para comunicação e troca de
experiências permite o estabelecimento de conceitos, objetivos e direções
comuns, propiciando condições para o planejamento participativo de ações que
exijam contribuições de diferentes setores.
Apesar de ser uma importante estratégia na busca pelo
desenvolvimento sustentável, o diálogo intersetorial não é simples. Ao
praticá-lo será preciso lidar com diferentes pontos de vista e culturas
organizacionais para a tomada de decisão e para encontrar a solução de
problemas.
O trabalho cooperado e intersetorial é um instrumento
relevante para a operacionalização do conceito e de ações de responsabilidade
socioambiental, com base nos pressupostos teóricos e metodológicos da promoção
da sustentabilidade.
Atualmente, a promoção da cooperação e da articulação
intersetorial pode ser considerada componente central das políticas de
responsabilidade socioambiental. Elas objetivam a mudança de postura e a quebra
de paradigmas, representando uma nova forma de gerenciamento que transcende a
fragmentação das políticas públicas e promove a gestão participativa.
O sistema cooperativista e a responsabilidade socioambiental
Podemos estabelecer algumas conexões entre a gestão das
cooperativas e as ações de responsabilidade socioambiental, seguindo o conceito
dos três pilares da sustentabilidade. O (I) contexto econômico permite a
dinamização da economia em micro e macro escala, seja por meio da interação com
o mercado, ou pela política equitativa distribuição de renda baseada na
produção do cooperado. O (II) contexto social das cooperativas propicia a
distribuição regional da renda em termos equitativos, levando em consideração a
geração de emprego e desenvolvimento de pequenas localidades, o que permite a
distribuição docapital fi nanceiro regionalmente e homogeneamente. O (III)
contexto ambientalfundamenta-se na ideia de que as bases cooperativistas
estruturam-se considerandoo estabelecimento de relações de equilíbrio com o
meio ambiente. Oconceito de unidade e trabalho em equipe das cooperativas
permeiam as ideias de parceria, cooperação e colaboração de trabalho.
O cooperativismo está apoiado em cinco valores, sendo eles:
equidade, solidariedade, justiça social, liberdade e democracia (CHAVES et al.,
2009). Ao preocupar-se com o bem-estar social, o cooperativismo contempla ações
de gestão voltadas para a responsabilidade socioambiental. Nesse sentido,
responsabilidade socioambiental e cooperativismo alinham-se, pois ambos são
formados por indivíduos que além de trabalharem seguindo as mesmas pautas
econômicas, sociais e ambientais, atuam em prol de uma sociedade mais justa
hoje e no futuro. A atuação responsável socioambientalmente nas comunidades não
é algo novo para as cooperativas, na realidade, elas foram criadas com o objetivo
de resolver reclamações e problemas comuns de um grupo de pessoas. Assim,
sempre estiveram fundamentadas na comunidade que as criou. Pode-se dizer que a
responsabilidade socioambiental compõe a essência do cooperativismo.
Analisando os princípios cooperativistas, ficam claras as
relações entre cooperativismo e responsabilidade socioambiental:
Adesão livre: as cooperativas são organizações voluntárias,
abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as
responsabilidades como cooperadas, sem discriminações sociais, raciais,
políticas, religiosas ou de gênero;
Gestão democrática livre: as cooperativas são organizações
democráticas, controladas por seus cooperados, que participamativamente na
formulação das suas políticas e nas tomadas de decisões;
Distribuição dos lucros: os cooperados contribuem
equitativamente e controlam democraticamente o capital de suas cooperativas;
Autonomia e independência: as cooperativas são organizações
autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos cooperados;
Promoção da educação, formação dos membros e aprimoramento
social: as cooperativas promovem a educação e a formação de seus cooperados,
dos representantes eleitos, dos gerentes e de seus funcionários, de forma que
estes possam contribuir eficazmente para o desenvolvimento da cooperativa;
Promoção do capital social: as cooperativas trabalham para o
desenvolvimento sustentado das suas comunidades, através de políticas aprovadas
pelos cooperados;
Cooperação entre as cooperativas: para as cooperativas prestarem
melhores serviços a seus cooperados e agregarem força ao movimento cooperativo,
devem trabalhar em conjunto comas estruturas locais, regionais, nacionais e
internacionais.
OCEPAR,2016 apud OLIVEIRA, 2017, p. 83
Adesão livre: as cooperativas são organizações voluntárias,
abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as
responsabilidades como cooperadas, sem discriminações sociais, raciais,
políticas, religiosas ou de gênero;
Gestão democrática livre: as cooperativas são organizações
democráticas, controladas por seus cooperados, que participamativamente na
formulação das suas políticas e nas tomadas de decisões;
Distribuição dos lucros: os cooperados contribuem
equitativamente e controlam democraticamente o capital de suas cooperativas;
Autonomia e independência: as cooperativas são organizações
autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos cooperados;
Promoção da educação, formação dos membros e aprimoramento
social: as cooperativas promovem a educação e a formação de seus cooperados,
dos representantes eleitos, dos gerentes e de seus funcionários, de forma que
estes possam contribuir eficazmente para o desenvolvimento da cooperativa;
Promoção do capital social: as cooperativas trabalham para o
desenvolvimento sustentado das suas comunidades, através de políticas aprovadas
pelos cooperados;
Cooperação entre as cooperativas: para as cooperativas
prestarem melhores serviços a seus cooperados e agregarem força ao movimento
cooperativo, devem trabalhar em conjunto comas estruturas locais, regionais,
nacionais e internacionais.
OCEPAR,2016 apud OLIVEIRA, 2017, p. 83
A cultura organizacional que adota os sete princípios
cooperativistas está focada no capital social, se diferindo, assim, da cultura
organizacional empresarial tradicional, que é fundamentada na geração de
capital financeiro (Quadro 1).
Fonte: GIESE; BÜTTENBENDER, 2015, p. 10.
Fonte: GIESE; BÜTTENBENDER, 2015, p. 10.
O cooperativismo é gerido pela vontade coletiva e
concretizado após a conivência de todos os sócios cooperados. Ainda assim, as
cooperativas necessitam de uma gestão flexível para que possam se adaptar às
tendências e exigências do mercado globalizado, sem deixar de conservar seus
valores e princípios como organização social.
MicrosoftTeams-image (4).png
Os cooperados possuem responsabilidades perante a sociedade,
a comunidade e, principalmente, os próprios cooperados. Quando adequadamente
implementada, a cooperativa pode melhorar a imagem da organização e consolidar
uma identidade organizacional positiva economicamente, socialmente e
ambientalmente.
Existem diversas organizações cooperativistas que exercem
práticas de responsabilidade socioambiental. Vamos conhecer alguns exemplos no
Quadro 2.
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dica.png
5933811.png
Acesse os sites oficiais das cooperativas COPACOL,
COPERCICLA e CAISP para saber um pouco mais sobre suas histórias e trajetórias.
Promoção do desenvolvimento: o papel da educação ambiental
A educação ambiental está presente na Constituição Federal,
em seu artigo225, inciso VI, que estabelece que promover a educação ambiental
em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do
meio ambiente é dever do Estado e de todos.
Sobre educação ambiental entendem-se os processos por meio
dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação
do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida
e sua sustentabilidade.
BRASIL, 2018, p. 43
Sobre educação ambiental entendem-se os processos por meio
dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação
do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida
e sua sustentabilidade.
BRASIL, 2018, p. 43
Tal conceito nos faz refletir sobre o fato de que a educação
ambiental não exclui o desenvolvimento, mas o realiza levando em consideração a
capacidade de resiliência do planeta.
Podemos inferir que a educação ambiental abarca o direito
jurídico, pois é instrumento de efetivação do direito e da necessidade dos
seres humanos ao desenvolvimento ambiental equilibrado, condição indispensável
à dignidade de vida das gerações viventes e das futuras. Somente por intermédio
da educação, a humanidade será capaz de compreender a relevância das questões
ambientais e sua inter-relação com o meio ambiente.
MicrosoftTeams-image (4).png
As discussões sobre educação ambiental remetem a um antigo e
amplo histórico nacional e internacional. Durante a Rio-92, um evento realizado
no Rio de Janeiro que foi marco das discussões sobre meio ambiente, foi
elaborado o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e
Responsabilidade Global. Nele, foram estabelecidos princípios, diretrizes e
planos de ação fundamentais para a promoção da educação para as sociedades
sustentáveis. Eles enfatizaram a importância do pensamento e das atitudes
críticas, coletivas e solidárias, da interdisciplinaridade, da multiplicidade e
da valorização da diversidade.
No Quadro 5, vamos conhecer os dezesseis princípios da
educação para sociedades sustentáveis e responsabilidade global.
A partir daí, diversos programas foram emoldurados na busca
do desenvolvimento de uma sociedade que compreenda a importância do meio
ambiente. Não obstante, quando se trata dos meios para a implementação da
educação ambiental, é possível identificar uma grande diversidade de
concepções.
Existem diversas correntes sobre a concepção de meio
ambiente que se encaixam em diferentes perspectivas teóricas. Porém, é
importante que, apesar das diferenças, se mantenha o foco na problemática do
assunto e na busca por soluções condizentes com a realidade e a aplicabilidade
dos grupos sociais.
Existem quinze correntes de educação ambiental divididas em
dois grupos, que apresentam uma pluralidade de proposições inerentes a cada
contexto (Quadro6). Todas possuem em comum a preocupação com o meio ambiente e
o reconhecimento da importância da educação para promover o equilibro
ambiental.
Fonte: SAUVÉ, 2005. (Adaptado).
Fonte: SAUVÉ, 2005. (Adaptado).
Todas as correntes citadas possuem em comum a preocupação
com o meio ambiente e o reconhecimento da importância da educação para promover
o equilibro ambiental. Independentemente da corrente, a educação ambiental deve
promover um ambiente de transformação individual e coletiva das atuações
humanas que causam a crise socioambiental.
O objetivo é que, por meio da educação ambiental, entenda-se
que o ambiente pode ser utilizado para benefício econômico e social da
humanidade, desde que ela seja capaz de usufruir dos recursos naturais sem
causar impactos negativos significantes (ALENCASTRO; SOUZA-LIMA, 2015).
Até aqui a educação ambiental foi abordada como meio de
promover o desenvolvimento a partir de um viés ambiental. Discutimos seus
conceitos, sua importância e suas diversas correntes. Agora, vamos conhecer um
pouco sobre as políticas, os programas, as ações e os projetos governamentais
que estão em vigor no Brasil e são voltados para essa pauta.
No Brasil, existe a Política Nacional de Educação Ambiental
(PNEA) que é coordenada por um órgão gestor que atua em articulação com o Ministério
da Educação e o Ministério do Meio Ambiente. O PNEA subsidia e qualifica ações
capazes de promover a educação ambiental em todos os níveis e modalidades de
ensino, seja em caráter formal ou não formal. A partir das políticas do PNEA,
foi lançado o Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA), em 2003. O
ProNEA apresenta diretrizes, princípios, visão, missão, objetivos, público e
linhas de ação que orientam a educação ambiental no Brasil, assegurando, de
forma integrada e articulada, o estímulo aos processos de mobilização,
formação, participação e controle social das políticas públicas ambientais.
Como podemos observar, o ProNEA atua em articulação intersetorial com as demais
políticas federais, estaduais e municipais, incluindo IBAMA, SISNAMA, PNUMA
etc.
A missão do ProNEA é:
promover educação que contribua para um projeto de sociedade
que integre os saberes nas dimensões ambiental, ética, cultural, espiritual,
social, política e econômica, impulsionando a dignidade, o cuidado, o bem viver
e a valoração de toda forma de vida no planeta.
BRASIL, 2018, p. 26
promover educação que contribua para um projeto de sociedade
que integre os saberes nas dimensões ambiental, ética, cultural, espiritual,
social, política e econômica, impulsionando a dignidade, o cuidado, o bem viver
e a valoração de toda forma de vida no planeta.
BRASIL, 2018, p. 26
Assim,
o ProNEA tem como eixo orientador a perspectiva da
sustentabilidade com base no Tratado de Educação Ambiental para Sociedades
Sustentáveis e Responsabilidade Global e define como diretrizes do programa:
• Transversalidade, transdisciplinaridade e complexidade;
• Descentralização e articulação espacial e institucional,
com base na perspectiva territorial;
• Sustentabilidade socioambiental;
• Democracia, mobilização e participação social;
• Aperfeiçoamento e Fortalecimento dos Sistemas de
Educação(formal, não formal e informal), Meio Ambiente e outros que tenham
interface com a educação ambiental;
• Planejamento e atuação integrada entre os diversos atores no
território.
BRASIL, 2018, p. 23
o ProNEA tem como eixo orientador a perspectiva da
sustentabilidade com base no Tratado de Educação Ambiental para Sociedades
Sustentáveis e Responsabilidade Global e define como diretrizes do programa:
• Transversalidade, transdisciplinaridade e complexidade;
• Descentralização e articulação espacial e institucional,
com base na perspectiva territorial;
• Sustentabilidade socioambiental;
• Democracia, mobilização e participação social;
• Aperfeiçoamento e Fortalecimento dos Sistemas de
Educação(formal, não formal e informal), Meio Ambiente e outros que tenham
interface com a educação ambiental;
• Planejamento e atuação integrada entre os diversos atores
no território.
BRASIL, 2018, p. 23
A partir do ProNEA o governo vem desenvolvendo diversas
linhas de ações estratégicas, como as observadas no Quadro 7.
U2
Pergunta 1
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Leia o excerto a seguir:
“[…] as indústrias deverão planejar adequadamente essas
ações visando a prevenção e controle dos impactos ambientais significativos, a
gestão eficaz dos seus riscos e a melhoria do desempenho ambiental e da
produtividade. Outro aspecto importante a ser observado é a avaliação e
monitoramento das conformidades, visando o atendimento aos requisitos legais
aplicáveis à organização.”
Fonte: TERRA NOTÍCIAS. Certificação ISO 14001: o que é e
para que serve. Disponível em:
<https://www.terra.com.br/noticias/dino/certificacao-iso-14001-o-que-e-e-para-que-serve,ccdc5cf42bb17549d363df629ca29e01ran0a7ns.html>.
Acesso em: 25 set. 2020. (Adaptado).
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
responsabilidade socioambiental e seus aspectos legais, pode-se afirmar que a
adoção das normas ISO atesta a responsabilidade no desenvolvimento das
atividades de uma empresa e é vantajosa, porque:
Ocultar opções de resposta
resulta em maior credibilidade e reconhecimento do
mercado interno e externo.
Pergunta 2
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Leia o excerto a seguir:
“A ecoeficiência pode ser obtida através da união entre o
fornecimento de bens e serviços sustentáveis a preços competitivos que
satisfaçam as necessidades humanas e, assim, promove a redução dos impactos
ambientais e de consumo de recursos naturais.”
Fonte: WIKIPÉDIA. Ecoefiência. Disponível em:
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Ecoefici%C3%AAncia>. Acesso em: 20 set.
2020.
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
responsabilidade socioambiental e seu contexto atual, analise as afirmativas a
seguir e assinale V para a(s) verdadeira(s) e F para a(s) falsa(s).
I. ( ) As práticas ecoeficientes estão baseadas no uso
consciente dos recursos naturais.
II. ( ) Segundo a ecoeficiência, a destinação correta é mais
importante do que a quantidade de resíduos gerados.
III. ( ) Somente as empresas podem exercer práticas
ecoeficientes.
IV. ( ) Deve-se maximizar o uso de energia na produção de
bens e serviços para atingir a ecoeficiência.
V. ( ) Fomentar e reciclagem é um dos oito elementos
fundamentais da ecoeficiência.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta:
Mostrar opções de resposta
V, F, F, F, V.
Pergunta 3
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Leia o excerto a seguir:
“A partir de outubro, cerca 100 crianças indígenas da etnia
Borari, de Alter-do-Chão, vila balneária de Santarém, oeste do Pará, começarão
a receber kits de merenda escolar com produtos orgânicos, como farinha e
pupunha. Crianças quilombolas também serão contempladas. O município é o
primeiro no estado a incluir produtos orgânicos na alimentação escolar.”
Fonte: G1. Santarém é o primeiro município do Pará a incluir
produtos orgânicos na alimentação escolar. Disponível em:
<https://glo.bo/33GZNtw>. Acesso em: 25 set. 2020.
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
responsabilidade socioambiental e desenvolvimento sustentável, analise as
asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. O consumo de produtos orgânicos está aumentando no mundo
todo.
Porque:
II. O manejo do solo e de pragas na agricultura orgânica
ocorre de forma integrada com os processos naturais, resultando em modelos
sustentáveis de produção.
A seguir, assinale a alternativa correta:
Ocultar opções de resposta
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é
uma justificativa correta da I.
Pergunta 4
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No Brasil, há legislação específica e obrigatória voltada
para a preservação do meio ambiente. Temos a Lei nº 6.938/1981, que dispõe
sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, e a Lei nº 9.605/1998, que dispõe
sobre os crimes ambientais. Nossa política ambiental está entre as mais modernas
do mundo.
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
responsabilidade socioambiental, analise as asserções a seguir e a relação
proposta entre elas:
I. Cumprir as leis ambientais caracteriza uma prática de
responsabilidade socioambiental.
Porque:
II. As práticas de responsabilidade socioambiental são de
caráter obrigatório nas empresas.
A seguir, assinale a alternativa correta:
Ocultar opções de resposta
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma
proposição falsa.
Pergunta 5
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0
Os moldes do desenvolvimento da humanidade durante o século
XX e, apesar dos avanços e das lutas intensas, até as duas primeiras décadas do
século XXI, vem se demonstrando insustentáveis. Os padrões de produção e
consumo, bem como o contínuo crescimento populacional, têm sido apontados como
os principais responsáveis pelos problemas ambientais intensivamente discutidos
pela comunidade científica.
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
responsabilidade ambiental e seus debates mundiais, pode-se afirmar que após a
Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente de 1983 foi elaborado, pela
Comissão de Brundtland, um documento chamado:
Ocultar opções de resposta
“Nosso Futuro Comum”, um marco histórico da pauta
ambiental.
Pergunta 6
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0
Leia o excerto a seguir:
“[…] Assiste-se à expansão da capacidade produtiva, com
escalas de produção inéditas para a humanidade e, por conseguinte, com o uso de
volumes crescentes de recursos naturais – água, matérias-primas e insumos –;
com a criação de recursos sintéticos, em substituição às antigas e empregadoras
lavouras de algodão, fibras naturais, borracha, produção de cerâmica etc.; com
o uso crescente de novos materiais, em especial a partir da II Guerra Mundial,
quando se deu impulso à indústria química e petroquímica.”
Fonte: FRANCO, T.; DRUCK, G. Padrões de industrialização,
riscos e meio ambiente. Ciência & Saúde Coletiva, V. 3, n. 2, p. 61-72,
1998.
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
responsabilidade socioambiental, analise as asserções a seguir e a relação
proposta entre elas:
I. O processo de industrialização observado durante o século
XX demonstrou-se insustentável.
Porque:
II. Os processos industriais estavam embasados no uso de
recursos naturais renováveis e não renováveis.
A seguir, assinale a alternativa correta:
Ocultar opções de resposta
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é
uma justificativa correta da I.
Pergunta 7
0
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Leia o excerto a seguir:
“‘O tempo está se esgotando. O Ártico está derretendo e pode
ter acabado quando eu tiver 30 anos, e precisamos que nossos líderes tomem uma
decisão agora’, escreveu a britânica em uma publicação no Twitter… ‘Minha
família em Bangladesh já está sofrendo por causa do colapso do clima. A aldeia
do meu avô teve sua safra de arroz varrida por enchentes fora de época. Existem
um milhão de histórias como esta’, afirmou a britânica.”
Fonte: UOL NOTÍCIAS. Adolescente faz protesto contra
mudanças climáticas no gelo do Ártico. Disponível em:
<https://bit.ly/30PE8Oe>. Acesso em: 26 de set. de 2020. (Adaptado).
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
desenvolvimento sustentável, analise as afirmativas a seguir e assinale V para
a(s) verdadeira(s) e F para a(s) falsa(s).
I. ( ) Dióxido de carbono, metano e óxido nitroso são
considerados gases do efeito estufa.
II. ( ) O acúmulo de gases no efeito estufa pela ação humana
resulta no aquecimento global.
III. ( ) Diminuir a taxa de natalidade das nações em
desenvolvimento reduz a emissão de gases do efeito estufa.
IV. ( ) As mudanças climáticas estão entre as quatro
fronteiras planetárias ultrapassadas pela humanidade.
V. ( ) Efeito estufa natural e antrópico são processos que
resultam nas mesmas consequências climáticas.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta:
Ocultar opções de resposta
V, V, F, V, F.
Pergunta 8
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0
Leia o excerto a seguir:
“Tanto a reflexão quanto as práticas voltadas à
responsabilidade socioambiental só vieram a se colocar a partir do momento em
que a sociedade reconheceu a existência de crises simultâneas e associadas nos
campos social e ambiental que exigiam cuidado e intervenção.”
Fonte: LIMA, G. F. C. Responsabilidade Socioambiental e
Sustentabilidade. In: FERRARO, L. A. (Org). Encontros e caminhos: formação de
educadoras (es) ambientais e coletivos educadores. v. 2. Brasília: MMA,
Departamento de Educação Ambiental, 2007, p. 352.
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
responsabilidade socioambiental, analise as afirmativas a seguir:
I. Dar preferência ao uso de transporte coletivo é uma ação
de responsabilidade socioambiental exercida pelo cidadão.
II. As ações de responsabilidade socioambiental devem ser
praticadas pelos cidadãos, empresas e governos.
III. A destinação adequada dos resíduos gerados no processo
produtivo caracteriza-se como uma prática de responsabilidade social
empresarial.
IV. Ações de responsabilidade socioambiental em uma empresa
resultam em comprometimento do desempenho corrente dos colaboradores.
Está correto apenas o que se afirma em:
Ocultar opções de resposta
I, II e III.
Pergunta 9
0
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0
Leia o excerto a seguir:
“Sempre que ouço que algo é reciclável penso que
provavelmente ele nunca virá a ser de fato reciclado. E isso é baseado num
monte de números que vira e mexe aparecem na minha frente como: somente 9% dos
plásticos já produzidos no mundo foram efetivamente reciclados; o Brasil é o 4º
maior produtor de lixo do mundo; ou, pra citar um exemplo da maior cidade do
Brasil, apenas 7% do lixo coletado seletivamente em São Paulo é reciclado.”
Fonte: ASSUNÇÃO, L. Sobre plásticos e reciclagem. Disponível
em: <https://bit.ly/3nGK5XA>. Acesso em: 27 set. 2020.
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
responsabilidade socioambiental e seu contexto atual, analise os procedimentos
a seguir e os associe com suas respectivas características:
1) Consumir a quantidade ideal de alimentos.
2) Utilizar potes de sorvete para armazenar novos produtos.
3) Consertar o celular com a câmera quebrada.
4) Separar e destinar o lixo.
5) Compostar o lixo orgânico.
( ) Reutilizar.
( ) Repensar.
( ) Reciclar.
( ) Reparar.
( ) Reintegrar.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta:
Ocultar opções de resposta
2, 1, 4, 3, 5.
Pergunta 10
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0
Leia o excerto a seguir:
“No evento também participou a Mensageira da Paz da ONU e
Prêmio Nobel, Malala YousafzaI. A jovem paquistanesa apontou a pandemia como um
retrocesso para a busca de objetivos coletivos. Ela espera que a comunidade
internacional assuma compromissos e possa cumpri-los além de estabelecer normas
de uma nova era sustentável, saudável, educada e igualitária. Em três horas, os
participantes destacaram que é preciso urgência, ambição, responsabilidade e
mais possibilidades de transformação na próxima década rumo ao cumprimento das
metas globais.”
Fonte: ONU NEWS. ONU: Avanço na Agenda 2030 deve priorizar
ambição, finanças e pós-Covid-19. Disponível em:
<https://news.un.org/pt/story/2020/09/1726702>. Acesso em: 25 set. 2020.
Considerando essas informações e o conteúdo estudado sobre
responsabilidade socioambiental e seus debates mundiais, analise os
procedimentos a seguir e ordene os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) de acordo com a sequência em que ocorrem na Agenda 2030:
( ) Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e
melhoria da nutrição, e promover a agricultura sustentável.
( ) Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as
mulheres e meninas.
( ) Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos
os lugares.
( ) Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para
todos.
( ) Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para
todos, em todas as idades.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta:
Ocultar opções de resposta
2, 5, 1, 4, 3.
UNIDADE 3
A Ética nas Relações Humanas
Seção 2 de 6
Faixa Divisão_estudo 01.png
Iniciamos mais uma etapa para juntos pensar a questão ética
nas relações humanas. Em nosso debate e aprendizado teremos muitos temas para
abordar, como: diversidade cultural, étnica e religiosa e de gênero; bem como
debater as questões éticas e as relações com os princípios de cidadania na
sociedade tecnológica; distinguir e conhecer questões vinculadas ao debate
sobre intolerância, racismo e xenofobia; como também demostrar a importância do
ensino da ética nas instituições. Falamos tanto em considerar o bem comum, em
construir uma cidadania de liberdade e respeito ao outro e, agora, chegamos ao
momento de saber se estamos entendendo sobre como estão e como devemos
considerar as relações humanas do ponto de vista moral. Será que ser de uma
religião ou cultura diferente nos faz tratar nossos vizinhos, parentes e amigos
de forma hostil ou segregadora? Vamos estudar e conhecer mais estas realidades,
como também entender nossa origem, nossas raízes históricas, e apostar no
conceito de ética que nos trouxe até aqui. Agora vamos entender as raízes de
nosso povo!
Raízes históricas da população brasileira
Somos miscigenados! E esse fato ocorreu em razão da mistura
de diversos grupos humanos que aconteceu no país antes e, principalmente depois
da colonização. São inúmeras as raças que favoreceram a formação do povo
brasileiro. Segundo Freitas (2021), os principais grupos foram os povos
indígenas, africanos, imigrantes europeus e asiáticos.
Povos indígenas:
+
Povos africanos:
+
Imigrantes europeus e asiáticos
+
Figura 1. Miscigenação no Brasil. Fotos: Jen Theodore /
Tatiana Zanon / Kindred Hues / Unsplash
Figura 1. Miscigenação no Brasil.
Fotos: Jen Theodore / Tatiana Zanon / Kindred Hues /
Unsplash
SAIBA MAIS.png
‘Dia do Índio’: estudo revela 305 etnias e 274 línguas entre
povos indígenas do Brasil, acesse:
https://bbc.in/3gsci21
Mulher lendo livro.png
Darcy Ribeiro (1995), em seus estudos sobre uma visão
etnográfica da sociedade brasileira em épocas remotas se destacou ao escrever
sobre a sociedade brasileira, ressaltando as influências que recebemos das
matrizes pelas quais o Brasil é formado e sobre os estragos causados pelos
europeus, como a peste, a disputa por território e a escravização dos índios.
Dessa forma, o referido autor afirma que nesse momento
surgia uma nova etnia, segundo ele, “era o brasileiro que surgia construído com
os tijolos dessas matrizes à medida que elas iam sendo desfeitas
RIBEIRO, 1995, p. 30
Dessa forma, o referido autor afirma que nesse momento
surgia uma nova etnia, segundo ele, “era o brasileiro que surgia construído com
os tijolos dessas matrizes à medida que elas iam sendo desfeitas
RIBEIRO, 1995, p. 30
Assista ao vídeo sobre miscigenação no
Brasilhttps://bit.ly/34lQP7U
Assista ao vídeo sobre miscigenação no Brasil
https://bit.ly/34lQP7U
O Brasil, por ser um país onde a miscigenação é aflorada,
carrega consigo benefícios e malefícios. O benefício da miscigenação ocorrida
no Brasil se deve a diversidade de raças, culturas e etnias, que resultou numa
grande riqueza cultural distribuída de forma diversa pelas regiões do país. Por
esse motivo, encontramos inúmeras manifestações culturais, costumes, pratos
típicos, entre outros aspectos, no entanto, o tipo de colonização e a forma
como se deu a miscigenação também traz o peso da herança cultural muito rica,
mas muito marcada por uma série de situações que ainda prevalecem na população
racismo, xenofobia e preconceito l (ARAÚJO E SOUZA, 2013).
ACESSE.png
5933811.png
Leia mais sobre o racismo no Brasil. Acesse o QR Code.
https://bit.ly/3LGLzgc
Diversidade Cultural, Étnica, Religiosa e de Gênero
Nada mais oportuno do que entender cultura e diversidade
cultural após termos debatido muito as demandas do conceito de ética. Assim,
vamos iniciar tecendo a definição de cultura. Lembrando logo de início que cada
um tem a sua e a vida segue rica e bem fecunda porque somos diferentes, mas
podemos comunicar nossas diferenças e construir novas possibilidades de viver.
Geertz (1989) ao abordar os estudos sobre cultura refere que
a atividade do antropólogo é interpretar, cada cultura pode ser entendida como
um texto. Cada texto é uma interpretação. Para ele, a cultura constitui-se como
formas de ações significativas, simbólicas. A cultura parece estar oculta na
mente dos homens e se expressa em suas ações. Ele afirma que é possível
enxergar a cultura de um povo porque ela está expressa em suas relações
sociais.
O autor mostra que a cultura se revela a partir de uma
descrição densa, pois são as ações produzidas, percebidas e interpretadas que a
definem. Geertz(1989) está, então, atrás da teia de significados de cada
sociedade. Ele não defende a ideia de ter que “se tornar um nativo” para
conhecer a fundo uma cultura, mas sim estar familiarizado com o grupo que se
pretende compreender.
Figura 2. Cultura como teia de significados.Fonte: Pixabay.
Figura 2. Cultura como teia de significados.
Fonte: Pixabay.
É importante o destaque trazido pelo antropólogo sobre a
cultura ser compreendida pela teia de significados, isso porque se as relações
se traçam com interligações de valores e símbolos e tradições, tudo o que dá
sentido dinâmico à cultura vemos com olhos de necessidade de compreensão do que
vem a ser a diversidade cultural.
O autor mostra que o ponto de vista do nativo é sempre uma
construção cultural que se dá após a pesquisa. Cada cultura define o que é “ser
humano”. O antropólogo só tem acesso a isso a partir desses símbolos. Para
Geertz (1989),as situações universais são sempre descritas de forma singular,
seu enfoque privilegia as situações particulares.
Dessa forma, a cultura é única para cada grupo e singular em
cada indivíduo. No mundo existem milhares de trações culturais, símbolos,
pensamentos, manifestações e identidades culturais, tal diversidade enriquece
nosso mundo social.
Para Cuche (2012), o conceito de identidade ganha destaque
com o nascimento do multiculturalismo, o qual nos mostra a face de que os
imigrantes e as diversas minorias buscam o direito da diferença, o direito de
ter uma identidade própria digna de respeito. Por outro lado, os grupos
maioritários colocam em debate tal pretensão, temendo, entre a expansão de
múltiplas identidades que competiriam para enfraquecer e fragmentar a
identidade nacional, a própria sustentação do Estado.
Cultura: conjunto de pensamentos, sentimentos, atitudes,
trações, símbolos, hábitos e valores que pertencem a um grupo. Dão sentido a
sua identidade cultural, sua marca como grupo. Diversidade Cultural: é o
reconhecimento de diferentes culturas para diferentes grupos sociais.
Cultura: conjunto de pensamentos, sentimentos, atitudes,
trações, símbolos, hábitos e valores que pertencem a um grupo. Dão sentido a
sua identidade cultural, sua marca como grupo.
Diversidade Cultural: é o reconhecimento de diferentes
culturas para diferentes grupos sociais.
Figura 3. Diversidade Cultural. Fonte: Pixabay.
Figura 3. Diversidade Cultural.
Fonte: Pixabay.
Para Bergamaschi (2008), a diversidade cultural e a presença
de inúmeros povos indígenas com suas tradições e línguas marcam nossa
diversidade étnica e cultural.
Alves e Barros (2009) definem que a diversidade cultural
está relacionada aos aspectos distintivos de uma cultura para outra, uma
riqueza dada pela capacidade dos humanos de criar e transformar o legado que
receberam. As identidades culturais aparecem a partir das manifestações
culturais.
O debate sobre a questão da diversidade cultural, que abre
para todo um feixe de outros debates importantíssimos, nos faz pensar que com a
educação podemos formar indivíduos que entendam que ser diferente é poder
trazer algo novo na troca cultural. A fundamentação do respeito da ética está
no bojo dessa compreensão.
Em meio aos pensamentos sobre a diversidade, podemos pensar
também a diversidade étnica, religiosa e de gênero.
Quanto a diversidade étnica, temos muito a comemorar desde
que superamos a explicação da existência de diferentes culturas pelo conceito
de raça, para o conceito de etnia. Uma vez que se concluiu que falar em raça é
apontar diferenças puramente biológicas, físicas, sem considerar as questões de
fundo cultural para a compreensão dos diferentes povos. Com o conceito de
etnia, vemos um alargar dessa possibilidade de entendimento do outro.
Gomes (2004) mostra que o uso de etnia se ampliou para
referências a povos diferentes como judeus, índios, negros, entre outros,
enfatizando seus processos históricos e culturais.
No Brasil, o termo relações étnico-raciais é muito utilizado
para debater as questões de relações raciais e étnicas, que estão muito além da
cor da pele e das origens culturais. Há um misto desses olhares na alocação e
interpretação dos lugares sociais que os indivíduos ocupam na sociedade.
Portanto, falar de raça ou de etnia em nossa cultura vai trazer um apanhado de
significações de quem fala, como fala e por que fala, o chamado “lugar de
fala”. É também com estas construções que nascem conceitos e alocações
culturais denominadas de racismo, preconceito e discriminação. Estes podem ser
de raça ou etnia, mas tendem a ser explicados pela questão racial.
Enquanto o preconceito é definido como uma percepção sobre
as coisas, muitas vezes herdada por conta da socialização recebida, a discriminação
é a própria prática do preconceito. Assim, o racismo trata-se de uma construção
ideológica de que existem raças diferentes e que estão submetidas a uma
hierarquia de classificação como inferiores e superiores. Nesse caso, essa
teoria sempre acaba por delegar aos negros os mais baixos graus de status
social na sociedade. O racismo é uma teoria perversa, que separa e agride os
indivíduos que pertencem ao grupo discriminado.
Figura 4. Racismo e preconceito. Fonte: Wikicommons
Figura 4. Racismo e preconceito.
Fonte: Wikicommons
A diversidade étnico-racial deve ser pensada por toda a
comunidade escolar, pelos gestores educacionais que são importantes na formação
dos indivíduos.
Compreender que negros e brancos têm sua importância e valor
cultural é colaborar para o entendimento da diversidade cultural e étnica. É
importante saber que a cultura afro-brasileira compõe nossa trajetória de
formação de nação. Não é possível falar de diversidade étnica sem considerar
que o Brasil, após a abolição, atravessou grandes lutas pelo reconhecimento
desta cultura que inclui as lutas sociais, a miscigenação, a discriminação, o
sincretismo.
SAIBA MAIS.png
5933811.png
Para saber mais leia o texto Diversidade étnico-racial,
inclusão e equidade na educação brasileira: desafios, políticas e práticas no
link: https://bit.ly/2G67izI.
Vemos no Brasil, de forma muito clara, a existência de um
preconceito racial contra negros e mulatos. A igualdade de oportunidades é
divulgada e tolerada. Temos lei contra o Racismo.
ACESSE.png
5933811.png
LEI 7.716/1989 (LEI ORDINÁRIA) 05/01/1989 -
https://bit.ly/19Z6EfM.
Entretanto, ainda assim as ligações íntimas com pessoas de
cor não são vistas com bons olhos. Os mulatos passam por menor discriminação
que os negros, mas também são discriminados e sofrem preconceito.
Constantemente presenciamos discussões que envolvem o preconceito racial e a
discriminação étnica dos indivíduos, com falas como: “você é negro”, “você é
indígena”, “por isso não conseguiram obter êxito em nada…”. Por aí vai.
A discriminação e o preconceito ocorrem também em relação as
questões religiosas, normalmente há uma perseguição e preconceito com as
religiões de matrizes africanas. Incrível que normalmente entendemos que a
religião deve trazer coisas boas aos indivíduos, pois nelas os mesmos depositam
sua fé espiritual e dedicam-se professando. No entanto, por ignorância, ou
mesmo maldade, muitos indivíduos constroem guerras, matam e perseguem religiões
diferentes das suas. O etnocentrismo predomina nesses casos e faz com que a
religião de uma pessoa seja considerada a melhor ou a que tem mais pureza, etc.
SAIBA MAIS.png
Para saber mais leia a reportagem Diversidade Religiosa no
link: https://glo.bo/2PmBF6f.
Mulher lendo livro.png
superação deste fenômeno de pejoração negativa das
diferentes religiões só acontece quando os indivíduos estão disponíveis para
conhecer a diversidade religiosa. Conhecer é importante para melhor conviver.
Isto não significa converter-se.
Quando estudamos um pouco, vemos que o catolicismo
tradicional também teve influência africana no culto de santos de origem
africana como: São Benedito, Santo Elesbão, Santa Efigênia e Santo Antônio de
Noto (Santo Antônio do Categeró ou Santo Antônio Etíope); no culto de santos
também há aqueles que podem ser associados aos orixás africanos como São Cosme
e Damião. O próprio São Jorge (Ogum no Rio de Janeiro), Santa Bárbara (Iansã),
além daqueles oriundos da criação de santos populares como a Escrava Anastácia.
Figura 5. Diversidade religiosa.Fonte: Rogério Chimello.
Figura 5. Diversidade religiosa.
Fonte: Rogério Chimello.
É comum ver que igrejas pentecostais do Brasil, que são
contra as religiões de origem africana, na realidade têm várias influências
destas, como se nota em práticas como o batismo do Espírito Santo e crenças
como a de incorporação de entidades espirituais (vistas como maléficas). O
Catolicismo nega a existência de orixás e guias, já as igrejas pentecostais os
denominam como demônios.
A ideia de sincretismo religioso, a transculturação das
religiões, como ocorre na umbanda, por exemplo, tem origem nos fatores
histórico-culturais da história do Brasil. Por isso, é preciso compreender que
a diversidade religiosa existe e precisa ser respeitada.
No cenário relativo a compreensão das relações de gênero e
sua diversidade também não encontramos eco no respeito. Pois na atualidade
vemos que a conceituação que acrescenta nessa polêmica é a de que orientação
sexual e identidade de gênero são diferentes e precisam ser compreendidas.
Orientação Sexual refere-se à atração sexual e à afetividade
que um indivíduo sente por outro. Diversidade de gênero refere-se ao gênero com
o qual o indivíduo se identifica que pode ter, ou não, relação com seu sexo
biológico. Orientações Sexuais
Orientação Sexual refere-se à atração sexual e à afetividade
que um indivíduo sente por outro.
Diversidade de gênero refere-se ao gênero com o qual o
indivíduo se identifica que pode ter, ou não, relação com seu sexo biológico.
Orientações Sexuais
Fonte: Criação da autora de acordo com
https://bit.ly/2SR1o9m.
Fonte: Criação da autora de acordo com
https://bit.ly/2SR1o9m.
Gonçalves (1999) fala, em seus estudos, a respeito de como a
sociedade Paresí, do grupo indígena denominado Aruak, localizado no Estado de
Mato Grosso, constrói simbólica e culturalmente o dimorfismo sexual tendo como
foco de análise sua mitologia e seu complexo ritual. Ele demonstra como a
categoria diferença é algo construído, tal qual nos indica a ideia de gênero
sobre os indivíduos na vida social.
Em outros termos, analisa-se a diferença e a construção de
gênero como fenômeno englobado por um pensamento geral sobre o que significa a
diferença no mundo.
Assim, segundo o autor, a diferença de gênero informa ao mesmo
tempo que produz e é produzida por esta ideia da diferença que não é universal
e sim construída culturalmente. Dessa forma, são as posições culturais
construídas por homens e mulheres, a partir do olhar que eles têm do
compromisso com suas escolhas pautadas na orientação sexual e na diversidade de
gênero, que dão sentido às suas histórias e lugares nessa discussão. É
importante entender como os indivíduos tem se referenciado, a partir desse
olhar.
Fonte: Criação da autora de acordo com https://bit.ly/2SR1o9m.
Fonte: Criação da autora de acordo com
https://bit.ly/2SR1o9m.
Esses conhecimentos são importantes pois levam ao combate de
práticas de preconceito e discriminação, fundamentados em ideologias
homofóbicas e de violências de gênero.
Ética e Cidadania na Sociedade Tecnológica
Seção 3 de 6
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Iniciaremos agora toda uma reflexão e conceituação sobre a
relação ética ea sociedade tecnológica que estamos vivendo.
Morin (2000) nos apresenta às demandas da educação e da
sociedade do conhecimento em tempos atuais, mostrando que esta impõe aos
indivíduos uma escola que lhes faça sentido, que lhes seja capaz de resgatar a
formação do ser completo. Em sua visão, a escola de hoje deve oferecer aos
indivíduos além do ensino básico com cálculos, língua escrita e falada, precisa
trazer também as interfaces com as ferramentas e inovações tecnológicas
trazidas pela era da comunicação e informação.
Figura 6: Sociedade do Conhecimento. Fonte: Freepik.
Figura 6: Sociedade do Conhecimento.
Fonte: Freepik.
É importante marcar que o conhecimento e a informação estão
no centro do mundo atual. O perfil de indivíduo que se exige, mediante estas
demandas, é de quem consegue ser flexível, polivalente, empreendedor e
altamente adaptável. Alguém que é criativo, inovador e está sempre sendo
desafiado por questões profissionais e pessoais. Um mundo em que se fala o
tempo todo a respeito de busca de soluções viáveis. Os próprios modelos
educacionais voltam-se para esta perspectiva. Isto significa que o aluno a ser
formado tem que ser preparado para enfrentar este aparato de necessidades
impostas pela sociedade do conhecimento e da informação.
Nesta sociedade digital, educar um indivíduo para
desenvolver sua cidadania plena também envolve construir valores de respeito, responsabilidade
e participação colaborativa com a comunidade.
Para saber mais assista ao vídeo Educação na Sociedade do
Conhecimento :
Para saber mais assista ao vídeo Educação na Sociedade do
Conhecimento :
Assistimos a uma era em que a tecnologia está no bojo de
todas as coisas que realizamos no mundo social.
Levy (1999) traz à cena os conceitos de cibercultura e
ciberespaço para mostrar a amplitude de nossas trocas de conhecimento e
aprendizagem na era digital. Nesse sentido, o autor ainda produz associado ao
pensamento de Kerckhove (1995), o conceito de inteligência coletiva,
constituindo-se em inteligências conectadas, isto é, o uso colaborativo das
várias inteligências mediante processos de comunicação e tecnologias em rede.
Este novo desenho pedagógico de formação dos indivíduos propõe uma revisão da
forma tradicional de ensinar e aprender, a construção de saberes e as trocas
comunicacionais ganham uma dimensão mais personalizada.
Cibercultura: cultura que emerge com o advento das trocas
comunicacionais advindas do computador. Conhecimentos, valores, informações e
saberes que se constroem a partir do mundo virtual. Ciberespaço é o virtual, as
redes de conexão.
Cibercultura: cultura que emerge com o advento das trocas
comunicacionais advindas do computador. Conhecimentos, valores, informações e
saberes que se constroem a partir do mundo virtual.
Ciberespaço é o virtual, as redes de conexão.
O que precisamos entender é como funcionam, nesse caso, os
princípios da ética e cidadania em um contexto de valorização da comunicação
virtual.
Com o exposto acima, focamos em mostrar que aética passa a
ser uma questão central no contexto das trocas e construções virtuais, tanto no
âmbito da vida pública como na vida privada. Nesse sentido, ser ético é pensar
no que fazemos, na medida de nossas ações, considerando quem somos e com quem
nos relacionamos. Além da ênfase na reflexão sobre o outro e o planeta em que
habitamos.
Figura 7: Ética e Tecnologia.Fonte: Freepik.
Figura 7: Ética e Tecnologia.
Fonte: Freepik.
Para Dewey (1979) é a partir da reflexão que emerge a
dúvida, a perplexidade, o ato de pensar. Ela também envolve o ato de pesquisar,
para resolver a dúvida e esclarecer a tal perplexidade. Dessa forma, o autor
nos aponta o caminho para nossas questões éticas contemporâneas.
Além dele, também Castoriadis (1979) diz que a reflexão deve
sinalizar o conhecimento para investigar, explicitar e questionar os conteúdos
sociais e culturais.
Para saber mais assista ao vídeo Renato Janine Ribeiro
debate ética, política e os desafios da Educação no vídeo:
Para saber mais assista ao vídeo Renato Janine Ribeiro
debate ética, política e os desafios da Educação no vídeo:
Olivé (2000), em seus estudos, colabora com nossa reflexão
sobre deveres morais do cientista e do tecnólogo em nossos tempos. Para ele,
cientistas devem ter a consciência da responsabilidade e das consequências do
trabalho que realizam. Esta responsabilidade inclui informar a sociedade com
precisão sobre seus experimentos e resultados. Também, os tecnólogos devem
avaliar com cautela e seriedade as tecnologias produzidas e suas amplitudes.
Avaliar não só a eficiência, mas sobretudo, os impactos no meio social e
natural.
O autor ainda ressalta que os cidadãos, a grosso modo,
também têm responsabilidade na avaliação das tecnologias e em sua aceitação e
propagação. Assim, eles devem buscar informações adequadas sobre a natureza da
ciência e da tecnologia, que estão propagando bem como de seu uso e
consequências.
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Para saber mais leia a reportagem O dilema ético dos bebês
geneticamente modificados no link: https://bit.ly/2Mnhu9i e assista ao vídeo A
Engenharia Genética mudará tudo para sempre https://bit.ly/2aMbdzI.
Com tantas discussões no terreno da ética, é preciso focar
que ser cidadão é estar situado na ordem social de forma participativa, mas
considerando que apesar da evolução tecnológica é preciso pontuar nossas ações
locais e globais, presenciais e virtuais, de forma eticamente responsável.
A Intolerância, o Racismo e a Xenofobia
Seção 4 de 6
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É muito comum, diante do que vimos até aqui, presenciarmos
na sociedade globalizada e tecnológica, sentimentos de exclusão social,
violência e intolerância.
No ano de 2001, realizou-se a Conferência Mundial contra o
Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Conexa na cidade de
Durban, África do Sul. Esta conferência foi um culminar das demandas mundiais
para o enfrentamento de um cenário sociopolítico extremamente grave em nível
mundial: o combate ao racismo e intolerância.
Trata-se de compreender que indivíduos, povos e nações
estavam cada vez mais praticando e incentivando realidades de exclusão e
segregação social, que em muitos casos levam ao extermínio.
Mesmo diante de outros instrumentos legais e históricos para
esse fim, foi necessário organizar a Conferência de 2001.
Listamos aqui alguns dos instrumentos que foram
implementados sob a égide das Nações Unidas com intuito de promover a igualdade
e combater a intolerância:
• Implementação de um sistema de gestão ambiental;
• Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de
Genocídio (1948);
• Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos
(1966);
• Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais
e Culturais (1966);
• Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação contra as Mulheres (1979);
• Convenção sobre os Direitos da Criança (1989).
Apesar do aparato legal acima referido, os dados mundiais
seguiram apontando que seres humanos ainda são vítimas de ideologias e
tratamento racista e segregacionista, principalmente com o surgimento de novas
tecnologias e o advento da globalização, que trouxeram próprios de seus campos.
Por isso a urgência de novas medidas e esforços focados em nível nacional e
internacional.
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Implementação de um sistema de gestão ambiental;
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Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio
(1948);
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Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos
(1966);
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Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais (1966);
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Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação contra as Mulheres (1979);
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Convenção sobre os Direitos da Criança (1989).
Apesar do aparato legal acima referido, os dados mundiais
seguiram apontando que seres humanos ainda são vítimas de ideologias e
tratamento racista e segregacionista, principalmente com o surgimento de novas
tecnologias e o advento da globalização, que trouxeram próprios de seus campos.
Por isso a urgência de novas medidas e esforços focados em nível nacional e
internacional.
Figura 8: Intolerância racial. Fonte: Nações Unidas.
Figura 8: Intolerância racial.
Fonte: Nações Unidas.
Para avançarmos, consideramos que é preciso definir o que
vem a ser racismo, xenofobia e intolerância, objetos de nossa discussão.
Definição.png
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Racismo: significa preconceito e discriminação de indivíduos
e grupos fundamentados em percepções sociais baseadas em diferenças biológicas
entre os povos.
Xenofobia: sentimento de desconfiança, antipatia, receio de
pessoas que não são familiares ao meio de quem julga, ou ainda daqueles que não
são do país de quem julga.
Intolerância: capacidade mental de não desejar reconhecer e
respeitar diferentes valores, sentimentos, opiniões de grupos e pessoas que não
pertencem a quem avalia
Para seu melhor entendimento, vamos pensar a seguinte situação:
em uma sala de aula de uma escola particular, com alunos brasileiros,
encontramos um aluno muçulmano, que se veste tal qual sua cultura, um aluno com
autismo e apenas duas crianças negras. Todos os dias as crianças negras são
isoladas das brancas, mas a convivência se dá de forma regular. Ao observar
essa situação, uma professora de Sociologia começou a incentivar a integração
desses alunos, crianças de 12 a 14 anos. Então, em conversa com uma do grupo de
crianças brancas, a mesma falou que não gostaria de sentar com seus colegas
negros para fazer trabalho de grupo porque seus pais disseram que os negros são
menos competentes que os brancos. A professora teve que fazer toda uma
explicação sobre a história dos negros no Brasil e as teorias racistas para
seus alunos, pois estava diante de um caso de racismo.
Mas não parou por aí, a professora ainda observou o
tratamento de exclusão que aquela turma dava ao aluno muçulmano, não satisfeita
com aquela situação, chamou um grupo de alunos que praticavam a segregação do
aluno muçulmano para uma conversa. Então, descobriu falas sobre a ideia de que
os estrangeiros que vem do oriente médio podem ser homens bombas e, ainda, que
“vem tirar onda aqui no nosso País”, fala de uma criança durante a conversa com
a professora. Nesse caso, a referida professora estava diante de xenofobismo,
intolerância. Assim, ela tratou de construir as suas próximas aulas baseadas em
vídeos e textos que pudessem ensinar sobre a cultura oriental, a respeito de
convivência e respeito.
Finalmente, não precisamos dizer que o aluno autista era ali
um invisível, nenhum aluno preocupava-se com sua presença. Fato este que levou
a mesma professora a organizar atividades em que ele pudesse ser incluído nas
relações sociais daqueles alunos. Além disso, a professora escreveu um projeto
e propôs à Escola a realização de oficinas e reuniões que incluíssem as
temáticas apresentadas, com os pais.
Figura 8: Ética na Sala de Aula. Fonte: Pixabay.
Figura 8: Ética na Sala de Aula.
Fonte: Pixabay.
Diante de tal conceituação, podemos avaliar o peso negativo
destas atitudes e práticas em nossa sociedade. Daí a necessidade de sabermos
que importantes decisões saíram da Conferência de Durban, que em linhas gerais
foram:
bullet
Problemas enfrentados pelas vítimas de tais flagelos (com
particular destaque para as mulheres, pessoas de origem africana e asiática,
povos indígenas, migrantes, refugiados e minorias nacionais) e medidas
específicas para aliviar o seu sofrimento;
bullet
Problema da discriminação múltipla;
bullet
Importância da educação e sensibilização pública no combate
ao racismo;• Problemas particulares colocados pela globalização;
bullet
Aspectos positivos e negativos das novas tecnologias;
bullet
Importância da recolha de dados, da pesquisa e do
desenvolvimento de indicadores no domínio da discriminação;
bullet
Previsão de medidas destinadas para garantir a igualdade nas
áreas do emprego, da saúde e do ambiente;
bullet
Importância de garantir o acesso das vítimas às vias de
recurso eficazes e de assegurar a sua reparação pelos danos sofridos;
bullet
Papel dos partidos políticos e da sociedade civil,
nomeadamente ONG e juventude, na luta contra o racismo.
Fonte: https://bit.ly/2F9oyC4. Acesso em 01 de maio de 2019.
Ainda temos muito a saber sobre os conceitos de racismo e
xenofobia que são processados de forma estrutural, fundamentando guerras santas
e étnicas, como ocorre no Oriente Médio na atualidade. Tal situação de
desumanidade tem tirado a vida de muitas famílias, mulheres, homens, jovens e
crianças.
SAIBA MAIS.png
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Para saber mais leia o texto Combates à xenofobia, ao
racismo e à intolerância no link https://bit.ly/30Uxjs6 e a reportagem A
história por trás da foto do menino sírio que chocou o mundo no link:
https://bbc.in/2SJPFcs.
Santos (2016) ao descrever motivos pelos quais se pratica o
xenofobismo, mostra que o migrante é visto como “de fora” em um território que
é dominado por alguém que acredita “ser seu”, o que leva a imputar ao migrante
a aceitação de suas práticas e sua submissão a seu modo de vida. Caso isso não
venha a ocorrer, ou seja, quando o migrante se percebe e busca estabelecer-se
como um ser de direitos, o qual estando presente naquela comunidade sente o
desejo de participar das decisões da vida política, social etc., o dominante
começa a se sentir incomodado e busca nas práticas racistas e xenofóbicas uma
forma de coação e reação a esse migrante.
Fanon (2008), sobre o entendimento do racismo, colabora com
a ideia de que uma sociedade tende a ser racista como um todo, pois, em seu
olhar, não existem “meios racismos”. Pode ter, também, uma parte da sociedade
mais racista que a outra. De fato, ainda existem muitas pessoas que pensam que
o migrante que chega em outra terra, isso vale para o Brasil também, consiste
em uma ameaça para o trabalhador no mundo do trabalho local, o que pode
reforçar a xenofobia reproduzida pela população.
De qualquer forma, é preciso que através da educação e da
formação de valores morais e éticos, os indivíduos possam receber o antídoto
para este mal do século XXI: a segregação de pessoas, que se redefine como uma
realidade de afastamento, isolamento.
O Ensino da Ética nas Instituições
Seção 5 de 6
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Para que alcancemos a proposta que abordamos acima, uma
formação educacional em nível local e global, que alcance a tolerância das
diferenças culturais, das perspectivas de fluxo migratório, da liberdade de se
exercer como ser humano portador de direitos em qualquer região do planeta, é
importante consolidar matrizes curriculares que incluam conceitos e
ensinamentos sobre ética, sobretudo, abordagens práticas de vida que
possibilitem a reflexão com base na moral e na ética.
Como mostramos na Unidade 1, Chauí (2004) destaca a
importância de ensinar ética por conta da convivência em espaços grupais. Para
Carvalho (1999), nas organizações ensinar e aprender sobre ética fundamenta a
regulação e garante qualidade nas relações humanas, servindo também como
indicativo do desenvolvimento organizacional.
Olhando mais de perto a inserção da ética nos currículos da
educação superior, vemos que nos anos 70, no Brasil, ela passa a fazer parte do
currículo de Administração e negócios, um momento em que se inicia uma ampla
iniciativa social e educacional para discussão de responsabilidade social,
trocas internacionais e desafios éticos regionais do ponto de vista de estratégias
econômicas.
SAIBA MAIS.png
5933811.png
Para saber mais leia o texto Ética, Instituições e
Desenvolvimento no link https://bit.ly/2yfLsE6.
Capra (2002) destaca que as instituições universitárias
precisam reformular currículos que contemplem a formação ética pois, segundo
ele, elas têm o papel de formar os novos profissionais. Já Sequeiros (2000),
prima pelo ensino da ética da solidariedade na educação como um todo, pois
acredita que a criança desde cedo deve conhecer a consciência ética. No
entanto, Vallaeys (2003) infere que os valores dominantes das universidades
atuais são o individualismo, a posse, a competência e a dominação.
A partir da década de 90 e a massificação da educação
superior, uma grande amplitude de oportunidades de Cursos e Disciplinas com
ênfase mercadológica, muitas Instituições viram a possibilidade de agregar à
sua missão, através da propaganda, os valores de formação ética e
responsabilidade social, conforme nos mostra Calderon (2005).
Figura 10: Ética e Instituições.Fonte: Pixabay.
Figura 10: Ética e Instituições.
Fonte: Pixabay.
Em uma sociedade capitalista selvagem, em que muitos
comportamentos não prezam as relações éticas, é muito comum ouvirmos várias
reclamações de falta de ética na política e na sociedade como um todo. Nesse
caso, a inclusão da ética nos currículos, sobretudo universitários, torna-se
uma urgência acadêmica, para que continue a se constituir como um elemento
fundamental nas relações humanas.
Cuvillier (1947) marcou os seguintes pontos a serem
observados na formação ética dos profissionais:
a. Através da
profissão o indivíduo se realiza plenamente, provando sua capacidade,
habilidade, sabedoria, inteligência e formando sua personalidade para vencer
obstáculos;
b. O nível moral dos
homens é elevado pelo seu exercício profissional;
c. Na profissão os
homens mostram sua utilidade à comunidade.
Educação das Relações Étnico-Raciais
Seção 6 de 6
Faixa Divisão_reunião 10.png
Você sabia que existe uma importante forma de tratar da
questão racial nas escolas? Esse tipo de conteúdo relacionado a origem do
Brasil e a relevância que deve ser dada aos povos originários e introduzidos é
trabalhado na educação das relações étnico-raciais.
Essa temática começou a ser introduzida, em âmbito legal, na
Lei de Diretrizes e bases da educação em 1961 - LDB/1961, onde já se verificava
a coibição de tratamento diferencial na escola baseado na raça (NEGREIROS,
2017).Segundo Negreiros (2017),
processo de constituição da educação das relações
étnico-raciais como política pública é completamente paralelo à composição das
políticas de promoção da igualdade racial, como observado no capítulo anterior.
É possível afirmar que o ponto de afluência dessa política é a aprovação da Lei
10.639/2003, ocorrida no mesmo período de diversas legislações que estabelecem
e organizam as políticas de promoção da igualdade racial no Brasil. Contudo, no
contexto das políticas educacionais, essas ações relativas à temática
étnico-racial são recentes.
NEGREIROS, 2017, p. 66
processo de constituição da educação das relações
étnico-raciais como política pública é completamente paralelo à composição das
políticas de promoção da igualdade racial, como observado no capítulo anterior.
É possível afirmar que o ponto de afluência dessa política é a aprovação da Lei
10.639/2003, ocorrida no mesmo período de diversas legislações que estabelecem
e organizam as políticas de promoção da igualdade racial no Brasil. Contudo, no
contexto das políticas educacionais, essas ações relativas à temática
étnico-racial são recentes.
NEGREIROS, 2017, p. 66
Foi só com a Constituição de 1988, a educação como política
social universal, com o objetivo de formar os estudantes para a vida e para o
mercado de trabalho.
Nessa mesma constituição, dita cidadã, foram ratificados o
princípio da igualdade, do padrão de qualidade e do respeito à diversidade
(NEGREIROS, 2017).Com a atualização da Lei de Diretrizes e Bases da Educação -
Lei n. 9.394, de 20de dezembro de 1996, a educação é compreendida como um
sistema que engloba:
bullet
Educação Infantil;
bullet
Educação Básica;
bullet
Educação de Jovens e Adultos;
bullet
Educação Profissional;
bullet
Educação Superior;
bullet
Educação Especial.
Nessa lei a educação é classificada como dever do Estado,
com igualdade de acesso e condições de permanência aos estudantes, essa condição
está diretamente relacionada com o respeito à diversidade cultural, social e
étnica.
É importante que você saiba, caro(a) aluno(a)que, ainda
segundo a LDB 9394/96, o currículo escolar deve ter uma base comum que condiga
com os valores culturais do País e o respeito às características regionais no
currículo específico de cada região. Então se durante seus estudos na educação
básica e no ensino médio você estudou sobre questões culturais, sociais e
étnicas regionais e nacionais saiba que esse estudo é fundamental para que você
tenha conhecimento sobre nosso país!
Essa mesma lei indicava a necessidade do ensino da história
do Brasil que inclua e contemple a participação de pessoas negras e indígenas
em sua formação, o que é, de fato, extremamente relevante como um compromisso
do Estado brasileiro para diminuir as desigualdades e a reparação histórica com
índios e negros. (NEGREIROS, 2017)
Assim a lei deixa claros quais são os objetivos que escolas
e como se deve dar a formação de pessoas sobre a questão das relações
étnico-raciais no país.
Os objetivos são:
bullet
Possibilitar o reconhecimento de pessoas negras na cultura
brasileira a partir de seu próprio ponto de vista;
bullet
Promover o conhecimento da população brasileira sobre a
história do Brasil com a visão de mundo da população negra;
bullet
Formar os professores para ministrarem disciplinas que
contemplem a perspectiva negra na história, cultura e sociabilidade do País
assim como que saibam combater e discutir sobre o racismo e seus efeitos
(dentro e fora do ambiente escolar);
bullet
Propiciar a reeducação para relações étnico-raciais plurais
e diversas. (NEGREIROS,2017)
É importante que você saiba que, independente de sua
formação, você precisa saber sobre a sua origem e a origem de seu povo e só por
meio da educação que é possível você respeitar a etnia do outro, conhecer o seu
país e sua formação e entender de cultura, diversidade e da riqueza do seu
país.
Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana
Entendemos a pouco sobre a LBD 9394/96 e a importância que
deve ser dada a questão étnica e racial, mas essa lei ainda ficava subjetiva em
algumas questões, assim foi criada a Lei 10.639/2003 que veio especificar,
detalhar e obrigar o ensino de História e Cultura-Brasileira e Africana na
Educação Básica, alterando a LDB a fim de:
bullet
Promover um currículo escolar antirracista e valorativo da
população negra;
bullet
Promover a inserção da história e cultura africana e
afro-brasileira, porém sem estabelecer um limite temporal para a sua
implementação, nem o mínimo dessa inserção no currículo.
Essa lei acabou traçando um caminho de um maior entendimento
em relação a educação das relações étnico-raciais, primeiro por que contempla
integralmente a proposição expressa pelo MNU na Convenção do Negro na
Constituinte em 1986, que indicava: “É obrigatória a inclusão nos currículos
escolares de 1º e 2º graus, do ensino de História da África e da História do
Negro no Brasil.” (Convenção do Negro na Constituinte, 1986). Segundo porque
estabeleceque o ensino de história deva considerar as matrizes africanas,
indígenas eeuropeias da formação do Brasil.Para Dias (2005) essa inclusão é
muito pouco, “diante de toda a produçãoexistente sobre a tensão no Brasil no
que se refere à raça e, em especial, às condiçõesda população negra, mas
representa um avanço, se considerada a totalomissão no projeto apresentado
pelas entidades dos professores”.
Contextualizando.png
Por meio dessa lei foram criados o Parecer CNE/CP 03/2004,
de 10 de março de 2004 que trata das diretrizes curriculares para a Educação
das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura
Afro-Brasileira e Africana e da Resolução n. 1, de 17 de junho de 2004 que, de
fato, as institui e você pode acessar nesse link:
https://bit.ly/3rVoBKK
Mulher lendo livro.png
Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana
Entendemos a pouco sobre a LBD 9394/96 e a importância que
deve ser dada a questão étnica e racial, mas essa lei ainda ficava subjetiva em
algumas questões, assim foi criada a Lei 10.639/2003 que veio especificar,
detalhar e obrigar o ensino de História e Cultura-Brasileira e Africana na
Educação Básica, alterando a LDB a fim de:
bullet
Promover um currículo escolar antirracista e valorativo da
população negra;
bullet
Promover a inserção da história e cultura africana e
afro-brasileira, porém sem estabelecer um limite temporal para a sua
implementação, nem o mínimo dessa inserção no currículo.
Essa lei acabou traçando um caminho de um maior entendimento
em relação a educação das relações étnico-raciais, primeiro por que contempla
integralmente a proposição expressa pelo MNU na Convenção do Negro na
Constituinte em 1986, que indicava: “É obrigatória a inclusão nos currículos
escolares de 1º e 2º graus, do ensino de História da África e da História do
Negro no Brasil.” (Convenção do Negro na Constituinte, 1986). Segundo porque
estabelece que o ensino de história deva considerar as matrizes africanas,
indígenas e europeias da formação do Brasil.
Para Dias (2005) essa inclusão é muito pouco, “diante de
toda a produção existente sobre a tensão no Brasil no que se refere à raça e,
em especial, às condições da população negra, mas representa um avanço, se
considerada a total omissão no projeto apresentado pelas entidades dos
professores”.
U3
Pergunta 1
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Olhando mais de perto a questão de uma sociedade inclusiva e
que entende os princípios da diversidade cultural, que considera a garantia do
direito coletivo de exercício da cidadania, independentemente de gênero, origem
socioeconômica, escolaridade, orientação sexual, religião, cor, raça,
deficiência, constatamos que, ao longo da história da escola, houve a presença
de uma cultura excludente em suas práticas. Então, para o fortalecimento de uma
cultura inclusiva, faz-se necessário que se pratique:
I. A convivência
dentro da diversidade humana;
II. A eliminação de
qualquer forma de discriminação;
III. A valorização de
cada pessoa com sua individualidade;
IV. A classificação
das pessoas em ações da vida social.
Estão corretas as complementações contidas em:
Mostrar opções de resposta
I, II e III apenas.
Pergunta 2
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Vivemos um mundo de exclusão, preconceitos e busca pela
sobrevivência. De acordo com a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados
(de 1951), são refugiadas as pessoas que se encontram fora do seu país por
causa de fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião,
nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais, e que não
possa (ou não queira) voltar para casa. Observe a imagem abaixo:
BQ03_DESENVOLVIMENTO_15.jpg
Fonte:
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/ilustracoes-homenageiam-menino-sirio-morto-em-praia-em-redes-sociais.html
A imagem representa a situação dos refugiados sírios, que
deixam o país cruzando o mar Mediterrâneo, tendo em vistas os conflitos políticos
intensificados na região nos últimos cinco anos. Entre as consequências que os
refugiados sírios têm sofrido, podemos citar:
Ocultar opções de resposta
xenofobia, a recusa de outros países muçulmanos,
sobretudo os vizinhos da Síria (Líbano, Jordânia e Turquia) e os países do
Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita, em receber os refugiados em seu
território.
Pergunta 3
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Refletir sobre gênero e etnia significa pensar na relação
entre o eu e o outro, sendo ambos inclusos na sociedade e com os mesmos
direitos e deveres perante as leis. Dessa forma, pensamos na diversidade
cultural em que o Brasil se encontra, sendo ele um país com tantas diferenças
socioculturais, cujo olhar tem se destacado para essa nova fala, o respeito
entre todos. O Brasil é um país de imensas desigualdades sociais, desigualdades
que se estendem a diversos setores e que tem como principais vítimas, aqueles
grupos que historicamente foram excluídos da sociedade. Uma das características
da sociedade brasileira é a miscigenação étnica do seu povo. Isso é
consequência:
Mostrar opções de resposta
da mistura étnico-racial dos povos que construíram a
sociedade brasileira: negros, brancos e índios.
Pergunta 4
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Uma ação pedagógica realmente pautada na diversidade
cultural deve ter como princípio uma política curricular da identidade e da
diferença. Tem obrigação de ir além das benevolentes declarações de boa vontade
para com a diferença, ela coloca em seu centro uma teoria que permita não só
reconhecer e celebrar a diferença, mas também questioná-la, a fim de perceber
como ela discursivamente está constituída.
Leia a seguinte sentença: “Temas como gênero, sexualidade e
diversidade sexual estão pautados dentro das políticas sociais e devem ser
discutidos em diferentes instâncias da sociedade”. A expressão “gênero”, na
sentença transcrita, refere-se:
Ocultar opções de resposta
às diferenças entre o masculino e o feminino que foram
construídas no decorrer da história da humanidade por meio dos costumes,
ideias, atitudes, crenças e regras criadas pela sociedade.
Pergunta 5
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A cultura Afro-brasileira está presente em toda a nossa
trajetória de formação de nação. O Brasil foi o país que mais recebeu escravos
africanos e, após a abolição, a luta pelo reconhecimento na sociedade tem sido
incessante. Nesse sentido, veja o contexto que essa charge explora:
BQ03_DESENVOLVIMENTO_07.jpg
Partindo desse
contexto, podemos afirmar:
I. Nesta charge está
expresso que os negros ainda estão à margem da sociedade, submetendo-se a
subempregos e estão distantes de oportunidades adequadas de emprego.
II. A charge procura
demonstrar que a comunidade negra vem se integrando ao mercado de trabalho.
III. Apesar do
simbolismo da data do Dia da Consciência Negra e das várias conquistas da
população negra ao longo dos anos, os sujeitos brancos ainda estão cercados de
vários privilégios, o racismo é uma realidade cruel e as desigualdades são
imensas.
IV. Essa charge
revela aspectos marcantes e assustadores da desigualdade social no Brasil: há
negros que preferem o subemprego, pois são preguiçosos.
Está correta ou estão corretas:
Ocultar opções de resposta
Apenas I e III.
Pergunta 6
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Não é possível fugir da era da tecnologia digital como
facilitadora da aprendizagem em tempos atuais. As tecnologias digitais trazem à
educação também desafios éticos. No cenário atual, a revolução tecnológica
afeta o conhecimento e a sociedade, apontando para mudanças necessárias no
processo educativo, na produção e socialização do conhecimento e na formação do
professor. Na escola, as novas tecnologias, junto com uma boa proposta
pedagógica, são de grande importância a partir do momento em que são vistas como:
Ocultar opções de resposta
ferramentas/mídias educacionais facilitadoras e
mediadoras da aprendizagem.
Pergunta 7
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O conceito de raça atualmente deixou de ser biológico e
passou a ser histórico, político e social. O preconceito se justifica pelas
diferenças, que mesmo quando não existem naturalmente, são inventadas para
dificultar o acesso dos diferentes aos espaços. As diferenças percebidas entre
“nós” e os “outros” constituem o ponto de partida para a formação de diversos
tipos de preconceitos, de práticas de discriminação e de construção das
ideologias delas decorrentes.
Sobre o tema da diversidade étnica, pode-se afirmar que:
Ocultar opções de resposta
os grupos biológicos de indivíduos que compartilham de
uma história comum, feita de laços linguísticos e culturais, são tidos como
pertencentes da mesma etnia.
ergunta 8
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TEXTO: “COMO É A VIDA NO MAIOR CAMPO DE REFUGIADOS DA
FRANÇA”
“A vida no maior campo de refugiados da França é cinza.
Localizado na cidade de Calais, no noroeste da França, de clima nublado,
chuvoso e sujeito a temperaturas negativas durante o inverno, o local ganhou o
apelido de “Jungle” (selva, em inglês) e, hoje, abriga cerca de 4 mil pessoas.
Refugiados e imigrantes vindos de países como Síria, Afeganistão, Eritreia e
Marrocos vivem ali em tendas no meio da lama desde o ano passado. Eles aguardam
uma chance de cruzar o Canal da Mancha; Calais abriga a entrada do Eurotúnel,
principal ponto de acesso não-aéreo à Grã-Bretanha. A precariedade do cenário,
o primeiro campo do tipo na França desde a Segunda Guerra, remonta a campos de
refugiados de países pobres e distantes, como o Haiti ou Congo (...)”.
Fonte:
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160220_campo_refugiados_calais_franca_cm_rb
(Acesso em 19/03/2016).
Após ler o texto acima e pensar sobre o tema das migrações e
dos refugiados, vemos que sugere uma reflexão moral sobre o respeito às
diferenças étnicas e culturais. A ética de convivência humana tem sido
extremamente violada a partir desses movimentos migratórios. Nesse sentido,
escolha a única opção que contém uma consequência desse processo de migração
por guerras religiosas e de terror que tem ocorrido no mundo oriental.
Mostrar opções de resposta
Os refugiados têm encontrado muito preconceito e
xenofobia mesmo nos países que se predispõem a colaborar.
Pergunta 9
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Um dos maiores desafios da humanidade no século XXI é
promover o enfrentamento dos conflitos originados das relações étnicas e
raciais. Nos últimos vinte anos um cenário preocupante, relacionado ao
crescimento de tais conflitos, tem nos chamado a atenção. Nesse sentido, avalie
as assertivas abaixo e em seguida, responda ao que se pede.
I. As relações
étnico-raciais têm se constituído tema recorrente nos debates acadêmicos e
educacionais, entretanto, discuti-las, sobretudo na educação básica consiste,
ainda, numa tarefa complexa e extremamente difícil.
II. Uma das primeiras
tarefas na escola que deseja trabalhar na perspectiva da diversidade é
desconstruir o tão difundido mito da democracia racial, pois não há como se
combater algo que não é concebido como um fato real e frequente no nosso
cotidiano.
III. As formas de
discriminação de qualquer natureza, não nascem na escola, porém o racismo, as
desigualdades e as discriminações correntes na sociedade perpassam por ali.
Está correta a opção:
Ocultar opções de resposta
I, II, III.
Pergunta 10
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Sobre diversidade de gênero, podemos dizer que o sujeito
vivencia a diversidade como parte de seu cotidiano escolar e tem total
capacidade de aprender com ela. Porém, para isso acontecer, é necessário que a
instituição educacional e os profissionais que nela atendem, se qualifiquem
para responder de maneira mais concisa as questões que têm sido informadas pelo
senso comum ou muitas vezes, por motivo de constrangimento, são lançadas ao mar
da ignorância.
De acordo com estudos relacionados às questões de gênero, há
diferença entre sexo, orientação sexual, identidade de gênero e expressão de
gênero.
Analise o quadro a seguir e associe as colunas corretamente.
BQ03_DESENVOLVIMENTO_10.jpg.png
Assinale a
alternativa que contém a ordem CORRETA de associação de cima para baixo
Mostrar opções de resposta
1Db, 2Ad, 3Ca, 4Bc
UNIDADE 4
Direitos humanos
Seção 2 de 4
Faixa Divisão_Direito 01.png
Nesta última Unidade de Ensino de nossa disciplina,
aprenderemos sobre Direitos Humanos, tais como o direito à vida, educação,
trabalho, liberdade de opinião, princípios e relações com ações comunitárias de
participação democrática; refletir questões e situações ligadas à ética,
direitos humanos e violência; como também identificar o cenário atual e as
tendências da ética e cidadania. Veremos ainda a responsabilidade de governos
de garantirem esses direitos. Entenderemos que só é possível participar das
decisões políticas deum país a partir do exercício da cidadania plena, ancorada
na ética, se temos condições democráticas para esta participação. Enfim,
faremos uma reflexão sobre ausência de direitos e perpetuação da violência para
entendermos o que está acontecendo hoje com as práticas de ética e cidadania.
Você também está curioso para debater estes temas? Vamos lá!
Afirmação histórica dos direitos humanos
Como se originou os direitos humanos? Podemos dizer que foi
a partir das duas revoluções, a americana e a francesa. A revolução americana
ou Declaração dos Direitos dos Cidadãos dos Estados Unidos que assegurava
alguns direitos aos nascidos naquele país como o direito à vida, à liberdade, à
igualdade e à propriedade.
Esses direitos estabelecidos asseguravam a população que o
governo não poderia atacá-los sem base jurídica, ou seja, sem o devido processo
e julgamento dentro dos parâmetros da lei.
Em 1789, estourou a Revolução Francesa que foi redigida a
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, baseada em ideais iluministas e
no tripé: igualdade, liberdade e fraternidade. Essa declaração tinha por
objetivo assegurar que “nenhum homem deveria ter mais poder ou direitos que
outro –o que representava o ideal republicano e democrata, que à época ameaçava
o Antigo Regime, no qual apenas uma pessoa concentrava poderes, o rei”.
Mas foi em 1948 que foi publicada a carta oficial dos
direitos humanos, a famosa Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual
asseguraria para a humanidade, os seus direitos básicos.
Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada após 3
anos da criação da Organização das Nações Unidas (ONU), que iniciou suas
atividades em fevereiro de 1945.Os países foram adotando os ideais dessa
declaração em suas constituições. No Brasil não foi diferente já que a
Constituição Federal de 1988, está totalmente alinhada com a Declaração
Universal dos Direitos Humanos. Quer saber mais sobre a constituição brasileira
de 1988? acesse o link: https://bit.ly/3gPPvx7
Declaração Universal dos Direitos Humanos foi criada após 3
anos da criação da Organização das Nações Unidas (ONU), que iniciou suas
atividades em fevereiro de 1945.
Os países foram adotando os ideais dessa declaração em suas
constituições. No Brasil não foi diferente já que a Constituição Federal de
1988, está totalmente alinhada com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Quer saber mais sobre a constituição brasileira de 1988? acesse o link:
https://bit.ly/3gPPvx7
Figura 1: Dia Internacional dos Direitos Humanos.Fonte: a
autora.
Figura 1: Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Fonte: a autora.
Mas, afinal o que são os seus direitos, quanto humano?
São uma série de direitos básicos assegurados a todo e
qualquer ser humano sem distinção de classe social, raça, nacionalidade,
religião, cultura, profissão, gênero, orientação sexual ou qualquer outra
variante possível que possa diferenciar os seres humanos. Segundo Porfírio, (2022),
é importante que você, como pessoa com direitos e deveres, saiba:
bullet
Os Direitos Humanos não são uma invenção, e sim o
reconhecimento deque, apesar de todas as diferenças, existem aspectos básicos
da vida humana que devem ser respeitados e garantidos.
bullet
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi redigida a
fim de resguardar os direitos já existentes desde que houve qualquer indício de
racionalidade nos seres humanos. Assim sendo, ela não criou ou inventou
direitos em seus artigos, mas se limitou a escrever oficialmente aquilo que, de
algum modo, já existia anteriormente à sua redação.
bullet
A liberdade e da
igualdade deve estender-se a todos os seres humanos.
bullet
todas as pessoas
podem requerer para si os direitos apresentados no documento. Nenhuma
discriminação, de qualquer origem, pode ser feita.
bullet
ninguém pode ser mantido em regimes de escravidão ou
servidão nem pode ser submetido à tortura, à crueldade ou a qualquer tipo de
tratamento degradante.
faixa digital p_ACESSE.png
5933811.png
Quer saber todos os detalhes os direitos estabelecidos na Declaração,
acesse o link:
https://bit.ly/3L0oMvt
Conceituação e princípios dos direitos humanos
O conhecimento dos Direitos Humanos acende uma chama de luta
social, coletiva e ao mesmo tempo individual. É importante destacar que os
direitos humanos envolvem a proteção de nossa cidadania em nível mundial. Por
isso não podemos colaborar para que discriminações, intolerância e opressão
aconteçam com qualquer indivíduo.
Mas o que são direito humanos? Inicialmente convém destacar
que são a base de uma relação respeitosa entre iguais e diferentes no mundo
social. Nossa Constituição de 1988, por exemplo, a Declaração Universal de
Direitos Humanos de 1948,definida e divulgada pela ONU – Organização das Nações
Unidas, já preconizava no art. 1ºque: “[...] todos os seres humanos nascem
livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência,
devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.
Direitos humanos: são aqueles constituídos pelos direitos
naturais, garantidos a todos os cidadãos e que devem ser estendidos a todos os
indivíduos, sem distinção de gênero, classe social, posição política, etnia,
religião ou nacionalidade.
Direitos humanos: são aqueles constituídos pelos direitos
naturais, garantidos a todos os cidadãos e que devem ser estendidos a todos os
indivíduos, sem distinção de gênero, classe social, posição política, etnia,
religião ou nacionalidade.
Segundo Franzoi (2003), é no contexto pós Segunda Guerra
Mundial (1939-1945) que houve a publicação em 10 de dezembro de 1948, da
Declaração Universal dos Direitos Humanos pela ONU (Organização das Nações
Unidas).O autor remonta que tal documento se fez necessário para que pudéssemos
lembrar e combater, exterminar todo e qualquer ato de atrocidade, violência,
semelhantes aos que aconteceram durante o conflito. Esse documento é o
resultado das lutas por direitos historicamente constituídos e traz a
perspectiva de igualdade e liberdade entre homens e mulheres.
Mas é preciso compreender o significado desses direitos, no
sentido de valorizar sua existência e aplicabilidade. Nesse sentido, para
Piovesan(2005) a efetivação dos Direitos Humanos refere-se a uma aspiração e
necessidade universal de reconhecermos a nós mesmos como seres humanos, únicos,
que não são julgados pelas suas diferenças para acessar espaços e culturas. Tal
movimento dá respeito a valorização da dignidade da pessoa humana.
dica.png
5933811.png
Texto: Ética e Direitos Humanos
https://bit.ly/3qk62Pi
De uma maneira geral devemos destacar que os três princípios
fundamentais dos Direitos Humanos são:
bullet
Dignidade da pessoa: os indivíduos devem ser julgados e
tratados conforme seus atos, unicamente. não sacrificar um indivíduo com o
motivo de que será para o benefício de outro.
bullet
Autonomia da pessoa: assegura a liberdade de ação para
qualquer indivíduo desde que este não prejudique outros.
bullet
Dignidade da pessoa: os indivíduos devem ser julgados e
tratados conforme seus atos, unicamente.
Depreende-se que os Direitos Humanos são os direitos e
liberdades de todos os seres humanos. Ressaltamos algumas características
desses direitos, sendo:
bullet
Universalidade: todo e qualquer ser humano é sujeito ativo
esses direitos, independente de credo, raça, sexo, cor, nacionalidade,
convicções;
bullet
Inviolabilidade: esses direitos não podem ser descumpridos
por nenhuma pessoa ou autoridade;
bullet
Indisponibilidade: esses direitos não podem ser renunciados.
Não cabe ao particular dispor dos direitos conforme a própria vontade, devem
ser sempre seguidos;
bullet
Imprescribilidade: eles não sofrem alterações com o decurso
do tempo, pois têm caráter eterno;
bullet
Complementaridade: os direitos humanos devem ser
interpretados em conjunto, não havendo hierarquia entre eles.
faixa digital p_ACESSE.png
5933811.png
Texto: Declaração Universal dos Direitos Humanos.
https://bit.ly/3HTzIsy
Vídeo: Direitos Humanos - Teoria Geral: Conceito e Premissas
Filosóficas.
Universalismo e multiculturalismo
Um importante destaque que quero fazer aqui é que os
Direitos Humanos se estendem a toda a humanidade, ou seja, é universal e abarca
todas as culturas, portanto multicultural.
Por esse motivo estão detalhadas na declaração os seguintes
artigos:
ARTIGO 7º
ARTIGO 8º
ARTIGO 9º
ARTIGO 10º
a lei deve ser igual para todos, deve proteger a todos, e o
documento da declaração também vale para todos, não importando as diferenças.
Portanto, eles não servem para proteger ou beneficiar alguém
e condenar outros, mas têm aplicação geral. Então, frases repetidas pelo senso
comum, como “Direitos Humanos servem para proteger bandidos”, não estão
corretas, visto que os Direitos Humanos são uma proteção a todos os humanos.
Ação comunitária e participação democrática
O ser humano imagina-se incluído em dois grupos societais:
um deles mostra-se como alguém que sente a necessidade de ser conduzido, aceita
e espera confortavelmente aquilo que o Estado oferece como políticas públicas,
ou decisões políticas, sociais e econômicas. O outro grupo busca constantemente
a chama acesa do questionamento, da participação, da vontade de transformar e
de estar construindo as decisões acima referidas.
Dessa forma, consideramos significativo destacar o conceito
de comunidade para pensarmos seu papel no âmbito democrático.
Comunidade: sociologicamente é um grupo de indivíduos que
além de possuírem a residência em comum do ponto de vista geográfico, compartilham
cultura e tomam parte de uma história compartilhada, têm objetivos e metas
comuns, partem das demandas comuns.
Comunidade: sociologicamente é um grupo de indivíduos que
além de possuírem a residência em comum do ponto de vista geográfico, compartilham
cultura e tomam parte de uma história compartilhada, têm objetivos e metas
comuns, partem das demandas comuns.
Paul (1987) aponta que uma comunidade, para alcançar um
excelente grau de participação, em um projeto comunitário, por exemplo, deve se
voltar aos seguintes objetivos:
Empoderamento
–
alto nível de consciência coletiva e de força política. O
autor mostra que precisa de uma forte iniciativa com ações e organização que
possam influenciar processos de mudanças.
Capacity building
–
compartilhamento de tarefas relacionadas à administração do
projeto de transformação. Também diz respeito a monitoramento e construção da
sustentação do projeto.
Eficácia
–
quando o projeto caminha junto com as demandas da
comunidade. Corresponde e atende essas demandas.
Eficiência
–
a procura de consenso com interação e cooperação para
avanços e não atrasos. Cumprindo metas e prazos. Intensa participação
comunitária.
Compartilhamento de custos
–
compartilhamento de gastos do projeto a ser desenvolvido,
com a finalidade de baratear o projeto.
Quando falamos em ”democracia participativa”, estamos
lidando com a situação de uma participação popular na tomada de decisões, sobretudo,
políticas. Esse conceito evoca a ideia de uma proporcionar a oportunidade de
participação às pessoas, criando canais de debate que incentivem o pensar sobre
questões políticas, diretamente ligadas ao exercício de sua cidadania.
Uma proposta de entendimento e clareza sobre a ideia de ação
da comunidade em uma perspectiva democrática volta-se para a situação do
conceito de gestão democrática presente nas escolas.
Nascimento (2012) afirma que o trabalho em equipe voltado à
qualidade de ensino é a grande base para uma gestão democrática e participativa
nas escolas. Paro (2002) considera fundamental que a gestão escolar tenha a
consciência de que precisa estar sujeita a mecanismos de controle e
fiscalização pela própria comunidade na qual se insere.
Fortalecendo estas ideias, Gadotti (1995) nos lembra que
descentralização e autonomia devem andar lado a lado. A luta pela conquista da
autonomia na Escola é reflexo da luta na própria sociedade.
Assim, tal qual apresentamos aqui, é necessário que o
entendimento da condução democrática esteja presente, favorecendo o estado de
participação da comunidade. Na escola, bem como no Estado, uma gestão
participativa e democrática deve envolver: participação propriamente dita,
descentralização e transparência. Sobre o cenário desta concepção se realizar
na escola, Freire (1995) mostra que a participação política das classes
populares deve ocorrer através de seus representantes, seja na tomada de
decisões, seja na definição de um projeto de ação.
É notável que tanto na escola quanto na sociedade é são
necessários canais democráticos que possibilitem a participação dos indivíduos
no processo de tomada de decisões.
Figura 3: democrática. Fonte: a autora.
Figura 3: democrática.
Fonte: a autora.
Para que a participação da comunidade aconteça de forma
efetiva, é preciso também que a mesma conheça que canais existem para sua
atuação. Observando a imagem abaixo, vemos estas formas de participar:
Fonte: a autora.
Fonte: a autora.
Dessa forma, vemos que cada grupo representado nos diálogos
recebe a oportunidade de apresentar suas ideias e prováveis soluções para os
entraves. Isso supera, com certeza, o fato de ter uma visão unilateral em que
somente uma classe, ou grupo, toma decisões e avaliam ações, pois todos os
níveis envolvidos podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida no
coletivo.
Ética, direitos humanos e violência
A temática dos direitos humanos apresenta relevância na
constituição da lógica jurídica do século XXI. Nesse sentido, mostra-se com
traços do passado e uma perspectiva de futuro. Sobre os direitos humanos, vemos
a necessidade de uma ampla análise histórico-filosófica, além de um grande
conhecimento jurídico.
A questão da violência está na ordem do dia. Como podemos
nos posicionar do ponto de vista ético em relação as diferentes situações que
saltam aos nossos olhos diariamente. Temos assistido muitas cenas de
desrespeito aos direitos humanos. Muitas atitudes de violência e precarização
da ordem social.
Schilling (2007) destaca que a violência em nossa sociedade
está presente desde a fala das pessoas no dia a dia, até mesmo na mídia e nos
discursos políticos. Para a autora existem diversos tipos de violência, desde a
que acontece na família até a que configura a criminalidade. Violência física,
psicológica, social e emocional.
Nesse sentido, viver em um Estado Democrático de Direito
como o nosso é experimentar práticas de respeito às diferenças e direitos
humanos. Tudo isso é muito significativo e completo na letra fria do papel,
pois na prática assistimos violência contra a mulher, violência contra o idoso,
violência contra a orientação sexual, crimes de ódio, corrupção, violência
policial, entre outras.
Estado democrático de direito é aquele em que os governantes
seguem oque está previsto nas leis, isto é, deve ser respeitado e cumprido o
que é definido pela lei.
Estado democrático de direito é aquele em que os governantes
seguem oque está previsto nas leis, isto é, deve ser respeitado e cumprido o
que é definido pela lei.
Figura 4: Estado Democrático de Direito. Fonte: Freepik.
Figura 4: Estado Democrático de Direito.
Fonte: Freepik.
Como entendemos a violência em relação aos Direitos Humanos?
Vemos, por exemplo, que a educação é direito de todos e dever do Estado, tendo
por princípios: a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
a liberdade de aprender, de ensinar, pesquisar e ampliar o pensamento, a arte e
o saber; o pluralismo de ideias e de vertentes pedagógicas; a coexistência de
instituições públicas e privadas de ensino; a gratuidade do ensino público em
estabelecimentos oficiais; a valorização dos profissionais do ensino; a gestão
democrática do ensino público e a garantia do padrão de qualidade.
Nesse caso, infração ao respeito dos direitos humanos está
diretamente vinculada à impunidade. No Brasil existe a emenda constitucional 45
de 2004,que federaliza crimes contra os Direitos Humanos. Assim, quando ocorre
a violação a um direito humano, esta é logo transferida para o sistema de
justiça nacional. Mas o ideal seria criar políticas públicas que se voltassem
ao combate direto à violência. Como o Estado apresenta dificuldades nesse
projeto, assistimos, na maioria das vezes, os pobres sendo mais vitimados pela
violência. Pois, no fundo, há uma inércia para estabelecer punições e, também,
a conivência com ações de violência física e simbólica.
No que tange ao campo da ética, vemos que ética e violência
caminham para lados diferentes. Já que violência remete a tudo o que age usando
a força para ir contra a natureza de algum ser, esmagando-o, torturando-o,
desorganizando-o. Nesse sentido, podemos afirmar que a sociedade aponta que uma
atitude violenta em nada colabora para uma vida justa e solidária. Dessa forma,
afirmamos que violência se opõe à ética porque não considera o respeito e o
compromisso de manter a integridade física e moral dos indivíduos.
Cenário atual e tendências da ética e da cidadania
A realidade social não está pré-concebida e os indivíduos
podem atuar sobre os processos coletivos. Assim, é possível que os homens criem
e recriem novas propostas de convivência que esbarram em amplas discussões
acercados conceitos de ética e cidadania. Sobretudo, as questões que envolvem
os estudos de robótica, as investigações científicas sobre células tronco, a
própria possibilidade de instituição do poder de certos grupos e pessoas
poderem deter o porte de arma.
Assim, para Singer (2002), uma pessoa vive dentro de uma
esfera do ético quando se preocupa com a justificativa de sua ação, já que só o
fato da pessoa querer justificar, podendo estar certa ou errada, demonstra que
há uma pauta ética.
Valls (2000) mostra que a moral está diretamente ligada às
ações práticas dos seres humanos. Ele chama a atenção para o fenômeno da
massificação e do autoritarismo dos meios de comunicação e das políticas. Pois,
segundo ele, os homens mesmo cientes de seu papel fundamental como executores
da moral, conseguem agir eticamente. Ele traz o questionamento de que até que
ponto é possível o homem escolher entre o bem e o mal.
Figura 5: Ética na atualidade. Fonte: a autora.
Figura 5: Ética na atualidade.
Fonte: a autora.
Em tempos atuais, a educação ocupa um lugar importante para
a formação do cidadão participativo e solidário, consciente de seus deveres e
direitos e, sem falar em propostas de educação com direitos humanos. Dessa
forma, pode-se construir a base para uma amplitude maior do que vem a ser uma
educação democrática, apontando o caminho para a democracia como o regime da
soberania popular, com pleno respeito aos direitos humanos.
No que se refere ao mundo do trabalho, por exemplo, Solomon
(2006) destaca que o estudo da ética se faz primordial pelas infrações que
aparecem em jornais no mundo dos negócios. Tal proposta deveria ocorrer a
partir da compreensão profunda das experiências práticas.
Bauman (2011) também colabora com as reflexões entre a “Era
da Ética”, típica da modernidade, e a “Era da Moral”, peculiar da
pós-modernidade. Ele apresenta a ideia de “ser-junto-com-o-outro”. A ética e a
moral da pós-modernidade, para ele relacionam-se com a responsabilidade moral
incondicional que cada pessoa pode desenvolver por meio de suas atitudes ao
“estar junto com o outro” na vida pregressa.
Segundo o autor, diferentes sujeitos devem ser capazes de
decisões próprias sem serem coagidos por um sistema normativo. Eles constroem o
senso de responsabilidade que os auxilia para lidar com situações que exigem
consenso, instituindo a questão ética.
A moral, no olhar de Bauman (2011), consiste em categoria
contingente e incontível. Para ele, a relação com o desconhecido traz a
possibilidade de reconhecimento de uma humanidade. Vejamos algumas situações em
que a ética e a cidadania aparecem e os sujeitos devem usar esse senso de
racionalidade.
ÉTICA E POLÍTICA
Um problema que tem incomodado muito a realidade social
brasileira está relacionado com a questão da corrupção na política. Será que
aqueles que são eleitos democraticamente, com o voto direto, com a perspectiva
de representar a vontade geral e que governam voltados para seus interesses
pessoais, estão agindo de forma ética? Há uma falta de ética no exercício da
política no meio social? Como fica a questão da cidadania relacionada a questão
ética em tempos atuais?
Figura 6: O Analfabeto Político
Figura 6: O Analfabeto Político
ÉTICA NA SAÚDE
O comportamento ético em atividades de saúde deve considerar
um enfoque de responsabilidade social e também a expansão dos direitos da
cidadania, pois sem cidadania não há saúde.
A ética da responsabilidade e a bioética envolvem o cuidado
do outro, portanto, compete ter consciência em desenvolver esta postura. Dessa
forma, vemos que a ética deve reconhecer o valor de todos os seres vivos e
encarar os humanos como um dos pontos que formam a base da vida.
Clotet (2003) aponta que a bioética é uma ética aplicada que
está preocupada com o uso adequado das novas tecnologias na área das ciências
médicas e das soluções pertinentes aos dilemas morais que sejam apresentados.
Ética nas redes sociais
Seção 3 de 4
Faixa Divisão_sistema operacional-01.png
As Redes Sociais também têm se mostrado como um importante
canal de informação e trocas comunicacionais. Ao mesmo tempo em que informam,
também desinformam. Relacionando com a questão ética, temos a grande dor de
cabeça do momento, as chamadas Fake News. Estas provocam desequilíbrio,
afetações emocionais e transtornos, principalmente naqueles que são os alvos
dessas notícias falsas. As Fake News reforçam preconceitos, ódio contra indivíduos
ou grupos sociais. Imaginem o impacto que a sociedade teve sobre a falsa
notícia da existência de um “Kit Gay” imposto nas Escolas. Essa ideia partiu de
um projeto verdadeiro que fazia parte de um dos programas do Governo Federal,
mas foi manipulada e disseminada totalmente desvirtuada, com a perspectiva de
dizer que haveria uma suposta ideologia de gênero e sexualidade firmada para as
escolas. A questão ética aparece fortemente no fato de que antes de
compartilhar essas notícias que causam impacto, bem como todas as outras que
compartilhamos ou postamos, é sempre preciso checar a veracidade da informação.
Schudson (2017) afirma que a notícia falsa pode interferir
no cotidiano do cidadão e das redações jornalísticas. Segundo ele, no
jornalismo, por exemplo, é preciso ter responsabilidade com a questão da
reprodução de notícias falsas, exageradas ou até mesmo corrompidas. Kunczik
(2001) aplica o termo disfunção quando ocorre as notícias servirem de ameaça à
estabilidade social. Pois, conforme Wolf (1987), a circulação de notícias
falsas destrói a cidadania de forma severa. Ainda, em seu olhar, os meios de
comunicação têm a função de trazer a possibilidade de alertar o cidadão e
apresentar instrumentos para definição de ações diárias.
Como detectar notícias falsas, segundo Kieky e Robertson
(2017):
bullet
Considere a fonte – veja se tem credibilidade;
bullet
Considere o autor - faça uma breve pesquisa sobre ele;
bullet
Confirme a data;
bullet
Fontes de apoio - encontre bases de informações; as fontes
que se relacionam ou tratam do assunto – é preciso identificá-las;
bullet
Considere todos os lados – ser contra uma ideologia não quer
dizer que a notícia é falsa;
bullet
Verifique se é piada – há sites que fazem piadinhas com
determinados temas;
bullet
Leia mais – é preciso ler sobre o assunto. Quando você
pesquisa e lê mais sobre um assunto, percebe se a informação a ser
compartilhada tem ou não veracidade.
dica.png
5933811.png
Texto: o impacto das fake news e o fomento dos discursos de
ódio na sociedade em rede: a contribuição da liberdade de expressão na
consolidação democrática
https://bit.ly/3noAhD0
Figura 7: Fake News.Fonte: Freepik.
Figura 7: Fake News.
Fonte: Freepik.
Enfim, a discussão sobre ética e cidadania, levando em
consideração o que estamos vivendo em uma sociedade que precisa da convivência
harmônica, é preciso haver compatibilidade entre o ideal da sociedade almejada
e o estilo de vida construída, sem isso não é possível pensar em uma sociedade
ética como realidade.
Na atualidade, o sujeito que possui a cidadania é aquele
detentor de direitos, mas também de deveres. Deve ter ciência de sua
participação na sociedade e que precisa contribuir coletivamente. A cidadania
deve perpassar interesse e participação, precisa haver interesse pelo bem
comum.
Uma outra perspectiva tem a ver com a sociedade de risco que
estamos vivendo. Isto significa que pensando sobre o crescimento da civilização
tecnológica, vemos um número muito grande de difusão e proliferação dos riscos.
Riscos que afetam as sociedades em conjunto, revelando a crise da sociedade
industrial.
Para Giddens(1991), a sociedade moderna organiza-se levando
em conta o distanciamento tempo-espaço, diferentemente das sociedades
pré-modernas, nas quais as relações entre os indivíduos estavam construídas nas
referências locais. Nesse caso, a explicação para situações e fenômenos que ali
se processavam, eram situadas na lógica do conhecimento e interação cotidianos
que, por sua vez, promoviam a organização social com base nas redes de
confiança, depositada nos laços de parentesco e alianças.
Caso qualquer coisa perturbasse o equilíbrio daquela ordem
social, o grupo encontraria resolução para aquele problema, valorizando a
confiança localizada. Já nas sociedades atuais, conforme deriva do pensamento
de Giddens, estas constroem seu esquema de funcionamento e racionalização
social fundamentadas em uma relação de confiança dos indivíduo sem sistemas
abstratos, fichas simbólicas, que podem ser entendidos como o progresso do
conhecimento técnico e científico. Portanto, vivemos riscos de acreditar nos
sistemas simbólicos, no virtual e, a partir destas crenças, também construímos
nossas posições éticas e cidadãs.
Educação, ética e cidadania hoje
Seção 4 de 4
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No texto de Immanuel Kant que segue, que foi retirado de um
coletânea intitulada “Theoretical Philophy”, editado por David Walford e Ralf
Merbote,temos algumas reflexões importantes sobre ensinar a pensar para a vida.
O trecho apresentado aqui faz parte do “Anúncio do Programa do Semestre de
Inverno de 1765-1766” e propõe uma reflexão que traz em si a própria
valorização da educação para o bem coletivo.
ENSINAR A PENSAR
Espera-se que o professor desenvolva no seu aluno, em
primeiro lugar, o homem de entendimento, depois, o homem de razão, e,
finalmente, o homem de instrução. Este procedimento tem esta vantagem: mesmo
que, como acontece habitualmente, o aluno nunca alcance a fase final, terá
mesmo assim beneficiado da sua aprendizagem. Terá adquirido experiência e
ter-se-á tornado mais inteligente, se não para a escola, pelo menos para a
vida. Se invertermos este método, o aluno imita uma espécie de razão, ainda
antes de o seu entendimento se ter desenvolvido. Terá uma ciência emprestada
que usa não como algo que, por assim dizer, cresceu nele, mas como algo que lhe
foi dependurado. A aptidão intelectual é tão infrutífera como sempre foi. Mas
ao mesmo tempo foi corrompida num grau muitíssimo maior pela ilusão de
sabedoria. É por esta razão que não é infrequente deparar-se- nos homens de
instrução (estritamente falando, pessoas que têm estudos) que mostram pouco
entendimento. É por esta razão, também, que as academias enviam para o mundo
mais pessoas com as suas cabeças cheias de inanidades do que qualquer outra
instituição pública.[...]Em suma, o entendimento não deve aprender pensamentos
mas a pensar. Deve ser conduzido, se assim nós quisermos exprimir, mas não
levado em ombros, de maneira a que no futuro seja capaz de caminhar por si, e
sem tropeçar. A natureza peculiar da própria filosofia exige um método de
ensino assim. Mas visto que a filosofia é, estritamente falando, uma ocupação
apenas para aqueles que já atingiram a maturidade, não é de espantar que se
levantem dificuldades quando se tenta adaptá-la às capacidades menos
exercitadas dos jovens. O jovem que completou a sua instrução escolar
habituou-se a aprender. Agora pensa que vai aprender filosofia. Mas isso é impossível,
pois agora deve aprender a filosofar. [...] Para que pudesse aprender filosofia
teria de começar por já haver uma filosofia. Teria de ser possível apresentar
um livro e dizer: «Veja-se, aqui há sabedoria, aqui há conhecimento em que
podemos confiar. Se aprenderem a entendê-lo e a compreendê-lo, se fizerem dele
as vossas fundações e se construírem com base nele daqui para a frente, serão
filósofos». Até me mostrarem tal livro de filosofia, um livro a que eu possa
apelar, [...] permito-me fazer o seguinte comentário: estaríamos a trair a
confiança que o público nos dispensa se, em vez de alargar a capacidade de
entendimento dos jovens entregues ao nosso cuidado e em vez de os educar de
modo a que no futuro consigam adquirir uma perspectiva própria mais amadurecida,
se em vez disso os enganássemos com uma filosofia alegadamente já acabada e
cogitada por outras pessoas em seu benefício. Tal pretensão criaria a ilusão de
ciência. Essa ilusão só em certos lugares e entre certas pessoas é aceite como
moeda legítima. Contudo, em todos os outros lugares é rejeitada como moeda
falsa. O método de instrução próprio da filosofia é zetético, como o disseram
alguns filósofos da antiguidade (de zhtein). Por outras palavras, o método da
filosofia é o método da investigação. Só quando a razão já adquiriu mais
prática, e apenas em algumas áreas, é que este método se torna dogmático, isto
é, decisivo. Por exemplo, o autor sobre o qual baseamos a nossa instrução não
deve ser considerado o paradigma do juízo. Ao invés, deve ser encarado como uma
ocasião para cada um de nós formar um juízo sobre ele, e até mesmo, na verdade,
contra ele. O que o aluno realmente procura é proficiência no método de
refletir e fazer inferências por si. E só essa proficiência lhe pode ser útil.
Quanto ao conhecimento positivo que ele poderá talvez vir a adquirir ao mesmo
tempo — isso terá de ser considerado uma consequência acidental. Para que a
colheita de tal conhecimento seja abundante, basta que o aluno semeie em si as
fecundas raízes deste método.
Immanuel Kant
Tradução de Desidério Murcho
Espera-se que o professor desenvolva no seu aluno, em
primeiro lugar, o homem de entendimento, depois, o homem de razão, e,
finalmente, o homem de instrução. Este procedimento tem esta vantagem: mesmo
que, como acontece habitualmente, o aluno nunca alcance a fase final, terá
mesmo assim beneficiado da sua aprendizagem. Terá adquirido experiência e
ter-se-á tornado mais inteligente, se não para a escola, pelo menos para a
vida. Se invertermos este método, o aluno imita uma espécie de razão, ainda
antes de o seu entendimento se ter desenvolvido. Terá uma ciência emprestada
que usa não como algo que, por assim dizer, cresceu nele, mas como algo que lhe
foi dependurado. A aptidão intelectual é tão infrutífera como sempre foi. Mas
ao mesmo tempo foi corrompida num grau muitíssimo maior pela ilusão de
sabedoria. É por esta razão que não é infrequente deparar-se- nos homens de
instrução (estritamente falando, pessoas que têm estudos) que mostram pouco
entendimento. É por esta razão, também, que as academias enviam para o mundo
mais pessoas com as suas cabeças cheias de inanidades do que qualquer outra
instituição pública.[...]Em suma, o entendimento não deve aprender pensamentos
mas a pensar. Deve ser conduzido, se assim nós quisermos exprimir, mas não
levado em ombros, de maneira a que no futuro seja capaz de caminhar por si, e
sem tropeçar. A natureza peculiar da própria filosofia exige um método de
ensino assim. Mas visto que a filosofia é, estritamente falando, uma ocupação
apenas para aqueles que já atingiram a maturidade, não é de espantar que se
levantem dificuldades quando se tenta adaptá-la às capacidades menos
exercitadas dos jovens. O jovem que completou a sua instrução escolar
habituou-se a aprender. Agora pensa que vai aprender filosofia. Mas isso é
impossível, pois agora deve aprender a filosofar. [...] Para que pudesse
aprender filosofia teria de começar por já haver uma filosofia. Teria de ser
possível apresentar um livro e dizer: «Veja-se, aqui há sabedoria, aqui há
conhecimento em que podemos confiar. Se aprenderem a entendê-lo e a
compreendê-lo, se fizerem dele as vossas fundações e se construírem com base
nele daqui para a frente, serão filósofos». Até me mostrarem tal livro de
filosofia, um livro a que eu possa apelar, [...] permito-me fazer o seguinte
comentário: estaríamos a trair a confiança que o público nos dispensa se, em
vez de alargar a capacidade de entendimento dos jovens entregues ao nosso
cuidado e em vez de os educar de modo a que no futuro consigam adquirir uma
perspectiva própria mais amadurecida, se em vez disso os enganássemos com uma
filosofia alegadamente já acabada e cogitada por outras pessoas em seu
benefício. Tal pretensão criaria a ilusão de ciência. Essa ilusão só em certos
lugares e entre certas pessoas é aceite como moeda legítima. Contudo, em todos
os outros lugares é rejeitada como moeda falsa. O método de instrução próprio
da filosofia é zetético, como o disseram alguns filósofos da antiguidade (de
zhtein). Por outras palavras, o método da filosofia é o método da investigação.
Só quando a razão já adquiriu mais prática, e apenas em algumas áreas, é que
este método se torna dogmático, isto é, decisivo. Por exemplo, o autor sobre o
qual baseamos a nossa instrução não deve ser considerado o paradigma do juízo.
Ao invés, deve ser encarado como uma ocasião para cada um de nós formar um
juízo sobre ele, e até mesmo, na verdade, contra ele. O que o aluno realmente
procura é proficiência no método de refletir e fazer inferências por si. E só
essa proficiência lhe pode ser útil. Quanto ao conhecimento positivo que ele
poderá talvez vir a adquirir ao mesmo tempo — isso terá de ser considerado uma
consequência acidental. Para que a colheita de tal conhecimento seja abundante,
basta que o aluno semeie em si as fecundas raízes deste método.
Immanuel Kant
Tradução de Desidério Murcho
Compreender a criação de novos desenhos de sujeito pensante
e participativo, em uma sociedade em que as tecnologias da informação e das
comunicações são cada vez mais reais e oferecem um mapa cognitivo das relações
e saberes sociais que indicam o progresso da humanidade, é fundamental para se
estabelecer um diálogo entre indivíduo, cultura e educação.
faixa digital p_Saiba Mais.png
quebra cabeças.png
A Fraude – o caso Bahrings (com Ewan Mc Gregor)
Contabilidade; Governança Corporativa; Ética e Responsabilidade Social;
Evidenciação e Informação à Sociedade.
Ameaça Virtual (Com Tim Robbins e Ryan Philiphe) Tecnologias
da informação; Liderança; Clima organizacional; Ética; Responsabilidade social
corporativa; Qualidade de vida no trabalho.
Com o dinheiro dos outros (Com Danny de Vito e Gregory Peck)
Inovação tecnológica; Ética e responsabilidade social; Governança corporativa;
Liderança; Finanças; Globalização e internacionalização dos mercados; Clima
organizacional.
Erin Brockovich (Julia Roberts e Albert Finney) Ética e
responsabilidade social corporativa; Gestão ambiental; Liderança; Negociação
empresarial; Administração de conflitos; Trabalho em equipe.
Minority Report: a nova lei (Com Tom Cruise) Tecnologias da
informação; Tele trabalho; Ética; Invasão de privacidade; Responsabilidade
social corporativa.
O Náufrago (Com Tom Hanks e Helen Hunt) Qualidade de vida no
trabalho; Clima organizacional; Planejamento de carreira; Recrutamento e
seleção; Treinamento e desenvolvimento de pessoal; Planejamento corporativo.
Nesta Unidade vimos que existem situações e questões na
atualidade que precisam estar pautadas pelo olhar da ética e cidadania, afinal,
ser cidadão é colaborar para a garantia de que o respeito e a preservação das
relações seja fundamental. Vimos ainda que tanto na política, quanto na saúde e
nas trocas via redes sociais, é preciso ter compromisso com a moralidade das
participações e atuações. Finalmente, destacamos o papel que a educação tem na
formação de indivíduos pensantes e responsáveis por suas ações no seio da
sociedade.
Fundamentação e inversão ideológica dos direitos humanos
Apesar de ter mais de 70 anos de existência e dos
significativos avanços legais, culturais, ético e sociais para a humanidade,
ainda existe no mundo várias ditaduras, governos autoritários e infrações a
esses direitos.
No Brasil, uma clara expressão de infração a essa declaração
foi a Ditadura Militar, ocorrida entre 1964 e 1985, quando, em seus anos mais
pesados, centenas de pessoas foram presas arbitrariamente, exiladas, torturadas
e até mortas por causas das suas orientações políticas ou pela afronta ao
governo ditatorial (PORFÍRIO, 2022).
Também esbarramos em alguns problemas em relação à garantia
dos Direitos Humanos no mundo, como a longínqua guerra da Síria, a tomada do
Afeganistão pelo Talibã, governos ditatoriais como os existentes em países
Africanos, Coreia do Norte, Venezuela e Rússia.
Os indicadores das infrações a declaração são as altas taxas
de homicídios, em especial de jovens, moradores de periferias e negros; o abuso
policial e as execuções cometidas por policiais ou milícias; o falho sistema
prisional, que se encontra em crise; as ameaças aos defensores dos Direitos
Humanos; a miséria e a alta desigualdade social; a violência contra a mulher; e
o trabalho em situações análogas à escravidão.
Estar atento os direitos previstos em nossa constituição e
combater injustiças sociais devem ser as armas de nós, cidadãos do mundo contra
esses desmandos de políticos no mundo
Direito internacional dos direitos humanos e seus sistemas
de proteção global e regional
Para terminar nossa conversa sobre direitos humanos, é
importante que você saiba quais são os sistemas globais de proteção aos
direitos humanos. Por serem estruturas internacionais, respeitadas, assinadas e
ratificadas por pactos, tratados, convenções, declarações, comissões, estas
contêm mecanismos apropriados de acompanhamento, fiscalização e cobrança de
informações dos países signatários acerca das ações protetivas e afirmativas de
tutela dos direitos humanos.
A ONU, tem esse intuito de administrara paz mundial e cobrar
dos países o compromisso com acordos que visem a proteção do homem, do meio
ambiente, economia e das futuras gerações.
Segundo Freitas (2015), os mecanismos contemporâneos de
implementação dos Direitos Humanos pela ONU são vários e complexos, surgiram
através da Carta de São Francisco, mas efetivamente se concretizaram a partir
da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, são eles:
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos
–
foi adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 19 de
dezembro de 1966, constituindo, assim, um pacto de amplitude mundial. Sua
entrada em vigor ocorreu em 1976,quando se atingiu o número mínimo de adesões estipulado,
35 países.
Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais
–
foi planejado com o objetivo de tornar juridicamente
importantes os dispositivos da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
determinando a responsabilização internacional dos estados signatários por
eventual violação dos direitos estipulados.
Sistemas Regionais
–
Sistema Europeu, o Sistema Interamericano, Sistema Africano;
O Tribunal Penal Internacional
–
possui competência para julgar quatro tipos de crimes:
crimes contra a humanidade, crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes de
agressão. Seu princípio principal funda-se na complementariedade e
subsidiariedade, possuindo como característica o fato de ser permanente.
Agora que você sabe sobre a importância da Declaração
Universal dos Direitos Humanos e da existência de tratados e pactos globais
para que eles sejam cumpridos, junte-se a inúmeras pessoas que cobram seus
direitos civis, econômicos, sociais e políticos e exija de seus governantes que
eles sejam respeitados!
U4
Pergunta 1
0
/
0
A educação virtual é uma arma importante para detectar
informações falsas no noticiário, segundo especialistas. Essa “alfabetização”
deve contar com esforços de vários setores da sociedade, para evitar que as
chamadas fake news tumultuem o debate público.
TEXTO: O DESAFIO DAS 'FAKE NEWS' NAS ELEIÇÕES DE 2018
Enxurrada de notícias falsas nas redes levam autoridades
brasileiras a discutir leis para combater o problema. Especialistas, no
entanto, alertam para riscos à liberdade de expressão. O filho do ex-presidente
Lula é o dono do frigorífico JBS. A ex-presidente Dilma Rousseff tentou o
suicídio ao se ver encurralada pelo impeachment. O delator Alberto Yousseff foi
encontrado morto na véspera das eleições de 2014. O juiz Sérgio Moro é filiado
ao PSDB. Os tucanos querem acabar com o Bolsa Família. Essas são algumas
notícias falsas, ou fake news, que poluíram as redes sociais e aplicativos de
comunicação como o Whatsapp no Brasil nos últimos anos. Elas muitas vezes
partem de sites ou perfis que imitam o estilo jornalístico de alguns veículos
da imprensa e têm como alvo personagens reais. Seu objetivo é confundir o
público ou aumentar a rejeição a uma ideia ou pessoa - ou, em alguns casos,
aumentar a popularidade de alguém. Como a publicidade incentiva "fake news"
Na era digital, com uso de robôs ou bots, a disseminação desses boatos ganhou
ainda mais velocidade. Em alguns casos, os criadores parecem ter objetivos
políticos, mas, em muitos outros, a motivação parece ser o lucro gerado pelo
cliques que essas notícias sensacionalistas despertam entre os usuários. Agora,
em um ano de eleições gerais, a influência desse tipo de mentira na internet
tem provocado preocupação na Justiça Eleitoral e na Polícia Federal. Não
restrito ao Brasil, o fenômeno da disseminação das fake news nas redes sociais
ganhou relevância em pleitos nos EUA e em países da Europa nos últimos dois
anos. De acordo com pesquisa da agência We Are Social, 87,7% dos brasileiros
são usuários ativos de redes sociais no Brasil e podem ser expostos às notícias
falsas.
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/o-desafio-das-fake-news-nas-eleicoes-de2018,fa5a5460eea5edd7aebcbb8e84274ef1vbp5ghfi.html
(Fragmento)
Percebe-se no texto acima, a necessidade de detectar e
combater as fake news. Para tanto, é importante observar alguns cuidados
simples que podem ajudar a mudar esse cenário.
Identifique as afirmativas que poderão auxiliá-lo a
identificar uma notícia falsa:
I. Identifique a
fonte, clique fora da história para investigar o site, sua missão e contato.
II. Verifique o
autor, faça uma breve pesquisa sobre o autor, para verificar se é confiável e
se é ele mesmo.
III. Verifique a
data, postar notícias antigas não significa que sejam relevantes atualmente.
IV. Fique atento com
os preconceitos, avalie se seus valores próprios e crenças podem afetar seu
julgamento.
V. Não leia só o
título, Títulos chamam a atenção para obter cliques, leia a história completa
VI. Quais são as
fontes de apoio? Clique nos links. Verifique se a informação oferece apoio à
história.
VII. Verifique se não
é apenas uma Piada de mau gosto. Caso seja muito estranho, pode ser uma sátira.
Pesquise sobre o site e o autor
Identifique as afirmativas que poderão auxiliá-lo a
identificar uma notícia FALSA:
Mostrar opções de resposta
Todas estão corretas.
Pergunta 2
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0
O sistema representativo instituído em nosso país favorece
os grandes grupos, que se organizam para conseguir dar poder a um representante
político que atenda às suas necessidades imediatas. A participação da
comunidade nas transformações de seu entorno social é fundamental para a
efetivação de sua cidadania. Para alcançar esse êxito, a comunidade precisa ter
objetivos. De acordo com a imagem abaixo e com seus conhecimentos sobre o tema,
assinale a única alternativa que não corresponde a esses objetivos.
Ocultar opções de resposta
Conformismo.
Pergunta 3
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0
Precisamos entender que a violência em nossa sociedade
mostra-se presente nas falas das pessoas diariamente até mesmo na mídia, nos
discursos políticos. “Pecado nefando” era expressão correntemente utilizada
pelos inquisidores para a sodomia. Nefandus: o que não pode ser dito. A
Assembleia de clérigos reunida em Salvador, em 1707, considerou a sodomia “tão
péssimo e horrendo crime”, tão contrário à lei da natureza, que “era indigno de
ser nomeado” e, por isso mesmo, nefando.
NOVAIS, F.; MELLO E SOUZA L. História da vida privada no
Brasil. V. 1. São Paulo: Companhia das Letras. 1997 (adaptado).
O número de homossexuais assassinados no Brasil bateu o
recorde histórico em 2009. De acordo com o Relatório Anual de Assassinato de
Homossexuais (LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis), nesse ano foram
registrados 195 mortos por motivação homofóbica no
País.
Disponível em:
www.alemdanoticia.com.br/utimas_noticias.php?codnoticia=3871.
Acesso em: 29 abr. 2019 (adaptado).
A homofobia é a rejeição e menosprezo à orientação sexual do
outro e, muitas vezes, se expressa sob a forma de comportamentos violentos. Os
textos indicam que as condenações públicas, perseguições e assassinatos de
homossexuais no país que estão associadas:
Ocultar opções de resposta
a um passado histórico marcado pela demonização do corpo
e por formas recorrentes de tabus e intolerância.
Pergunta 4
0
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A Democracia participativa suscita a situação de uma
participação popular na tomada de decisões, sobretudo, políticas. Essa
perspectiva traz a ideia de contar com a oportunidade de participação das
pessoas, através de canais de debate, que promovam o pensar sobre questões da
vida em comunidade. Assim, leia os textos abaixo e em seguida, responda ao que
se pede.
TEXTO I
Olhamos o homem alheio às atividades públicas não como
alguém que cuida apenas de seus próprios interesses, mas como um inútil; nós,
cidadãos atenienses, decidimos as questões públicas por nós mesmos na crença de
que não é o debate que é empecilho à ação, e sim o fato de não se estar
esclarecido pelo debate antes de chegar a hora da ação. TUCÍDIDES. História da
Guerra do Peloponeso. Brasília: UnB, 1987 (adaptado).
TEXTO II
Um cidadão integral pode ser definido por nada mais nada
menos que pelo direito de administrar justiça e exercer funções públicas;
algumas destas, todavia, são limitadas quanto ao tempo de exercício, de tal
modo que não podem de forma alguma ser exercidas duas vezes pela mesma pessoa,
ou somente podem sê-lo depois de certos intervalos de tempo prefixados.
ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985.
Comparando os textos I e II, tanto para Tucídides (no século
V a.C.) quanto para Aristóteles (no século IV a.C.), a cidadania era definida
por:
Mostrar opções de resposta
participação política.
Pergunta 5
0
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0
Ao andar pelas ruas, ninguém mais confia em ninguém, todos
ao se aproximar de qualquer pessoa já ficam preocupadíssimos, sempre achando
que irão ser assaltados ou coisa pior. Cada dia que passa a violência aumenta
rapidamente. A desordem exige uma reflexão acerca dos limites e possibilidades
de ruptura com os pressupostos da modernidade. O tema dos direitos humanos é de
crescente relevância na caracterização da mentalidade jurídica do século XXI.
TEXTO
“A proteção e a promoção dos direitos humanos continuaram a
se situar entre as principais carências a ser enfrentadas pela sociedade civil.
[...] A enumeração das principais áreas de intervenção das organizações da
sociedade civil soa como demandas de séculos passados: a ausência do estado de
direito e a inacessibilidade do sistema judiciário para as não-elites; o
racismo estrutural e a discriminação racial e a impunidade dos agentes do
Estado envolvidos em graves violações aos direitos humanos. Como vimos, a nova
democracia continuou a ser afetada por um ‘autoritarismo socialmente
implantado’, uma combinação de elementos presentes na cultura política do Brasil,
valores e ideologia, em parte engendrados pela ditadura militar, expressos na
vida cotidiana.
Muitos desses elementos estão configurados em instituições
cujas raízes datam da década de 30.”
Fonte: PINHEIRO, P. S. Transição Política e Não-Estado de Direito
na República. In: WILHEIM, J. e PINHEIRO, P. S. (org.). Brasil – um século de
transformações.São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 296-297.
Em relação à violência, analise o texto anterior e selecione
a opção que corresponde à ideia desenvolvida pelo autor:
Mostrar opções de resposta
A violência no Brasil se expressa na vida cotidiana e,
para ser superada, depende de ações da sociedade civil.
Pergunta 6
0
/
0
Sobre questões de cidadania e violência, vemos,
cotidianamente, situações de enfrentamento com populações pobres, que são
vítimas de crimes característicos da violência urbana histórica e estruturada.
Analise o texto abaixo e responda em seguida ao que se pede.
TEXTO
Mais do que um problema relacionado à raça, o homicídio no
Brasil sempre se caracterizou por ser um tipo de crime vinculado ao território.
Nas últimas décadas, as principais vítimas e autores de assassinatos foram
homens, jovens, moradores de bairros com pouca infraestrutura urbana dos
grandes centros metropolitanos. Eles mataram e morreram por viverem em locais
com grande quantidade de armas, marcados pela desordem. São territórios com
frágil presença policial, vulneráveis à ação daqueles que estão dispostos a
tentar exercer o domínio pela violência.
Fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,homicidio-e-um-crime-territorial-e-nao-esta-vinculado-a-racas,
531604,0.htm. (Acesso em 15/01/2014).
A afirmação que é coerente com a situação da violência
homicida no Brasil e com o texto acima, de autoria do jornalista Bruno Paes
Manso, é:
Ocultar opções de resposta
Territórios segregados e desintegrados do conjunto da
cidade, habitados normalmente por populações de baixa renda, são ambientes onde
as pessoas são mais suscetíveis ao risco da violência homicida.
Pergunta 7
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Podemos destacar que a noção de direitos humanos foi cunhada
ao longo dos últimos três milênios da civilização. “A Declaração afirma que
todos os homens nascem livres e iguais em dignidade (art. 1.º) e garante a
todos eles os mesmos direitos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua,
religião, opinião política ou de outra natureza, nascimento ou qualquer outra
condição (art. 2.º, I)”. Nesse sentido, a opção correta acerca da Declaração
Universal dos Direitos Humanos encontra-se em:
Ocultar opções de resposta
O texto foi proclamado após o término da Segunda Guerra
Mundial e serviu de inspiração para a elaboração de diversos textos
constitucionais.
Pergunta 8
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A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em
resolução da III Sessão Ordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas
proclama: “A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal
comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de
que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta
Declaração, se esforcem, através do ensino e da educação, em promover o
respeito a esses direitos e liberdades e, pela adoção de medidas progressivas
de caráter nacional e internacional. Assinale a opção correta em relação à
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
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A Declaração afirma que toda pessoa tem direito a repouso
e lazer.
Pergunta 9
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Sobre a relação ética e cidadania considere o texto abaixo e
responda ao que se pede em seguida.
TEXTO
A política de pacificação não resolve todos os problemas da
favela carioca, ela é apenas um primeiro e indispensável passo para que seus
moradores sejam tratados como cidadãos. As Unidades de Polícia Pacificadora
(UPPs) recuperam um território que estava ocupado por bandidos com armas de
guerra, substituíram a opressão de criminosos pela justiça formal do Estado.
[Mas] se a UPP não for seguida por escola, hospital, saneamento, defensoria
pública, emprego, daqui a pouco a polícia de ocupação terá que ir embora das
favelas por inútil. Ou será obrigada a exercer a mesma opressão que o tráfico
exerce para se proteger.
CACÁ DIEGUES. A contrapartida do lucro. O Globo, 28 jul.
2012.
Para o autor, a consolidação da cidadania nas comunidades
carentes está condicionada à:
Ocultar opções de resposta
efetivação de direitos sociais.
Pergunta 10
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A democracia participativa é uma forma de exercício do
poder, baseada na participação dos cidadãos nas tomadas de decisão política. A
população tem se organizado melhor em torno de infinitas questões, e
conquistando melhor o espaço público e essa população tem cobrado de maneira
mais efetiva de seus representantes. As exigências vêm se tornando mais
complexas e fica evidente a necessidade da participação em conjunto entre
representantes e representados. Os indivíduos têm buscado canais de comunicação
para se expressar. Com esse olhar, leia os textos abaixo e, em seguida,
responda ao que se pede.
TEXTO I
A ação democrática consiste em todos tomarem parte do
processo decisório sobre aquilo que terá consequência na vida de toda coletividade.
Fonte: GALLO, S. et al. Ética e Cidadania. Caminhos da
Filosofia. Campinas: Papirus, 1997 (adaptado).
TEXTO II
É necessário que haja liberdade de expressão, fiscalização
sobre órgãos governamentais e acesso por parte da população às informações trazidas
a público pela imprensa.
Fonte: Disponível em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 24 abr. 2019.
Partindo da perspectiva de democracia apresentada no Texto
I, os meios de comunicação, de acordo com o Texto II, assumem um papel relevante
na sociedade porque:
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fornecem informações que fomentam o debate político na
esfera pública.
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